domingo, 31 de outubro de 2010

BRUSSELS HOOFDSTEDELIJK GEWEST - REGION DE BRUXELLES – CAPITALE

REGION DE BRUXELLES – CAPITALE
BRUSSELS HOOFDSTEDELIJK GEWEST

Agenda Cultural

Não são muitos os calendários eletrônicos especificamente para Bruxelas. No entanto, inúmeros calendários culturais belgas podem dar maiores detalhes sobre os eventos culturais que acontecem na capiyal da Bélgica.

O site oficial de Bruxelas prevê um calendário em sua seção " Eventos ". O site da Promoção do Turismo "Valónia e de Bruxelas" também tem uma agenda cultural .
O site agenda.be produzido pela Fondation pour les Arts menciona quase todos os eventos culturais.

A seleção específica para Bruxelas, chamado de O Melhor de Bruxelas apresenta os destaques da capital.

Outros sites interessantes:
• Agenda
• Mosquito
• La Tribune de Bruxelles
• Demandez le programa!
• Eventos Net
• Sherpa
• dans l'oeil Le doigt
• Quefaire.be
• Que faire ce soir?

Para aqueles em busca de calendários temáticos, aqui está uma lista de alguns sites específicos:

• Cinema: cinebel
• Shows pop-rock: Radio 21 ( Concertos seção Agenda)
• concertos de jazz: JazzinBelgium
• tira de cartoon dedicatórias, exposições e festivais: Bruxelas BD Tour
• visualizações: www.vernissageonweb.org .

Inúmeros calendários querem cobrir também eventos culturais, em Bruxelas, no todo ou em parte. Estes incluem:

• semanários gratuitos:
o Zone 02
o La Tribune de Bruxelles
• semanários inserido em um jornal ou revista:
o MAD (Le Soir)
o La Cultura Libre (La Libre Belgique)
o Mosquito (Télémoustique)
o Film & Cultuur (De Standaard)

• mensais:
o Kiosque
o DDO (dans l'doigt œil)
o RifRaf.

NOVEMBRO/2010 - 20 ANOS SEM MURO DE BERLIM

NOVEMBRO/2010 - 20 ANOS EM O MURO DE BERLIM

LISBOA CINEMATECA PORTUGUESA IMPERDÍVEL

Os Mil Rostos de Berlim

Novembro, 1989. Faz agora 20 anos que o Muro de Berlim deixou de ser um obstáculo à circulação entre o Leste e o Oeste. É esta Berlim que atravessou o século XX sempre no olho da tempestade, que sofreu e sempre se ergueu, que serve de tema a este Ciclo que a Cinemateca Portuguesa apresenta de 5 a 26 de Novembro.

Mais informações:

Internet: www.cinemateca.pt


Museus

Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema

Endereço: Rua Barata Salgueiro, 39
1269-059 Lisboa
Horários: Seg a Sex: 13h30-22h
Telefone: 213 596 200
Fax: 213 523 180
Internet: www.cinemateca.pt
E-Mail: cinemateca@cinemateca.pt
Acessos: Autocarros: 1, 2, 9, 31, 36, 44, 45, 46, 90, 91 | Metro: Rotunda (Linha Azul)

VIVALDO E O MACIEL (4) - Vicente D. Moreira

VIVALDO E O MACIEL (4)

Vicente D. Moreira

(continuação)

Artesanato

Em 1979, 113 jovens, a partir dos 10 anos, moradores do Maciel, freqüentavam as aulas do Priograma de Educação-Artesanato; estavam assim distribuídos: 23 na tecelagem, 18 em fibra, 17 em madeira, 11 em cerâmica e 25 na encadernação. Deste Programa, participavam, também 36 alunos residentes em outros bairros do Pelourihno e da periferia de Salvador. (MOREIRA, 1979 : 282-283). Em meio a estas técnicas artesanais, destacava-se a tecelagem de pano da Costa praticada com um tradicioonal tear de madeira, sob o magistério de Mestre Abdias.

Alimentação/Nutrição

Convênio assinado entre a então Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, representada por Vivaldo, e o Programa de Orientação, Nutrição e Alimentação Supervisada (PONAS)do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN)possibilitou que, em 8 de dezembro de 1976 (quando o programa começou), fossem distribuídos açúcar, fubá de milho, fécula e leite num total de 3.490 kg para 360 beneficiários: gestantes nutrizes, lactantes (6 a 11 meses) e pré-escolares (1 a 6 anos). Menos de um ano depois, em maio de 1977, o Programa de Alimentação - como todos chamavam - beneficiava 26 gestantes, 56 nutrizes, 40 lactantes e 550 pré-escolares, ou seja, 712 moradores do Maciel, aumento de ause 100%. Em 1978, o Programa recebeu 56.690 kg de alimentos, que foram distribuídos para 1.384 moradores do Maciel. (MOREIRA, 1979 : 284-285).

Condicionávamos, rigorosamente, a entrega de mantimentos: a) ao comparecimento trimestral do beneficiário ao Posto Médico mantido pela Fundação no Maciel; b) ao pré natal (gestantes) e à orientação quanto aos cuidados materno-infantís (nutrizes); c) freqüência aos consultórios pediátricos e odonto-pediátricos (crianças); d) freqüência a palestras e atividades de orientação nutricional e de uso adequado dos alimentos.

Habitação

Até outubro de 1980, a administração, a Coordenação de Conservação e Restauração e a Coordenação de Planejamento e Pesquisa Social da Fundação estavam espalhadas em diversos prédios; a primeira no sobrado de número 12 no Largo do Pelourinho e as duas coordenações em dois imóveis na Rua Gregório de Matos (Maciel). O Solar Ferrão, cuja restauração foi inaugurada em 13 de novembro de 1980, constituiu-se alternativa
para abrigar todos os setores da instituição e, ao lado disso, o momento eloqüente do nosso Programa Habitacional do Pelourinho (PROHAP). Este, sem dúvida, era o nosso programa igualmente maior e, certamente, a preocupação central de Vivaldo e sua interdisciplinar equipe: sem este programa ou na hipótese de sua desativação nada mais seria que figura de retórica o nosso lema de trabalho e de vida, domingo a domingo: queremos restaurar as casas do Maciel, mantendo os mnoradores, e lhes possibilitando melhores condições de vida, saúde, educação, emprego, habitação, alimentação, lazer ...

Quando a Fundação comprou, do Centro Operário da Bahia, o Solar Ferrão e nele interveio para fins restaurativos, encontrou este importante exemplar de inícios do século XVIII habitado por 150 pessoas reunidas em 46 famílias, além de artesãos, comerciantes, biscateiros ... todos sob as mais precárias condições de habitação, higiene e segurança: pisos apodrecidos, instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias irregulares e danificadas.

Assim como projetávamos uso habitacional para os imóveis comprados pelo Governo do Estado, através da Fundação, teria sido inadmissível que o "santo de casa" não fizesse milagre, Daí que ela comprou imóveis desocupados no quarteirão que chamamos 2M, reformados e propiciados de condições habitacionais e sanitárias e de lazer superiores àquelas vivenciadas no Solar Ferrão. As unidades habitacionais destes imóveis foram alugadas aos moradores que desejaram permanecer no maciel, pelo mesmo valor que pagavam, anteriormente, sob condições extremas de insalubridade e insegurança. Aqueles que preferiram mudar para outro lugar receberam indenização.

O Projeto Ferrão inspirou que ambicionássemos o PROHAP para além do vínculo locatício morador/IPAC e, então, cúmplices do sonho brasileiro da casa própria, em 1982, assinamos convênio com o Banco Nacional de Habitação (BNH):

O Projeto Habitacional do Pelourinho é, finalmente, uma realidade. O convênio assinado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia com o Banco Nacional de Habitação, através da Habitação e Urbanização S/A (URBIS) foi saudado com entusiasmo pelo diretor executivo do IPAC, por seus técnicos e pelos moradores do Maciel que estiveram presentes no ato no salão nobre do Solar Ferrão. Assinalando que o convênio representava algo de novo na tradição do BNH, "que em boa hora e numa investida pioneira em todo o Brasil, decidiui ancampar o projeto", o professo Vivaldo da Costa Lima disse que o ato representava um "contrato de esperança para a população sofrida do Maciel", além de atender a toda proposta política do IPAC: restaurar para a comunidade. (ESPERANÇA ...: 1982)

(amanhã, segunda, mais detalhes deste sonho cuja realização não sobreviveu mais que o tempo de uma flor)

TÓTEM URBANO - CRUZ DO PASCOAL

TÓTEM URBANO - SANTUÁRIO DA CRUZ DO PASCOAL

Localização – Rua Direita de Santo Antonio Além do Carmo (Norte do Pelourinho) Salvador – Bahia – Brasil

Em meados do século XVIII, o português Pascoal Marques de Almeida desejoso de dar vistas públicas à sua fé em Nossa Senhora do Pilar, ergueu uma coluna (um pilar) toscana, revestida por azulejos portugueses, num pequeno largo no bairro de Santo Antonio Além do Carmo, situado na linha da encosta a cavaleiro para o mar da baía de Todos os Santos, em Salvador. O devoto buscou inspiração nas igrejas baianas do século XVIII.

A coluna, encimada por um nicho que abriga a santa de sua devoção, é protegida por um gradil de ferro (construído em 1874), é conhecida popularmente como a “Cruz do Pascoal” e deu o nome Pascoal ao largo (Largo da Cruz do Pascoal ou do Pascoal) e Pilar ao antigo plano inclinado que conduz pessoas entre a Cidade Alta (onde fica o monumento) e o bairro do Pilar (Cidade Baixa), área portuária que ainda exibe diversos imóveis onde antigamente (século XIX – inícios do século XX) funcionavam trapiches.

MUNDO ... 'O MUNDO É UM MOINHO' - Cartola

MUNDO VASTO MUNDO ... 'O MUNDO É UM MOINHO' - Cartola


O Mundo é Um Moinho

(1976)


Cartola (Agenor de Oliveira)


Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

Projeto Visitas Guiadas IPAC - Projeto Visitas Guiadas IPAC

Projeto Visitas Guiadas IPAC - Projeto Visitas Guiadas IPAC
(IPAC - Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia)

Agende suas visitas guiadas para este mês de novembro.

As visitas deverão ser marcadas através dos telefones (71)3117-6492 ou endereço eletrônico visitasguiadas.ipac@gmail.com e ocorrerão até dezembro de 2010, conforme cronograma

Igreja do Boqueirão 04/11 às 15h(quinta),Igreja do Pilar 11/11 às 09h (em obra), Igreja do Rosário dos pretos 18/11 às 15h(em obra),Casa das Sete Mortes 25/11 às 15h e Palácio Rio Branco todas terças e quintas 10h e 15h - sábados 13h30.Lembrando que as visitas são gratuitas, será fornecido certificado para cada visita e ocorrerão até dezembro/20

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CRÔNICA DOMINICAL DE 31 OUT /2010

CRÔNICA DOMINICAL DE 31 OUT /2010

Vicente Deocleciano Moreira


Hoje é o último dia de outubro de 2010. E é num domingo que o outubro deste ano se despede. O fato é que neste outubro que se despede aconteceu um fenômeno que só ocorre em outubros de 823 em 823 anos: o querido mês abrigou cinco sextas-feiras, cinco sábados e cinco domingos.

Um outro outubro com cinco sextas-feiras, cinco sábados e cinco domingos somente ocorrerá daqui a 823 anos. Peço-lhes desculpas, desde já, porque serei repetitivo ao fazer novamente este mesmo registro da próxima vez (daqui a 823 anos),no nosso Blog.

Mas vamos ao centro da crônica com uma pergunta retórica. Retórica, pois já sei a resposta. E a resposta é SIM. Sem mais delongas, à pergunta:

- É possível ser feliz num domingo onde não existe mar, praia, rio, lago, lagoa, ou cachoeira?

- SIM, é possível.

- E o que pode substituir mar, praia, rio, lago, lagoa, ou cachoeira ... nesta nossa ansiedade dominical por banhos de água fria, morna ou de água quente?

- Não é o caso de substituir, compulsoriamente, isso ou aquilo. Trata-se não de dar as costas às aguas, mas de encontrá-las (ou não!), caminhando pelas veredas de um bosque. Bosques são santuários urbanos de paz em que a floresta dá lições de sobrevivência e dignidade ao mundo urbano ... mesmo se cercados de espigões (Central Park - Nova Yorque/EUA; Ibirapuera - São Paulo; Campo Grande - Salvador)

Estou lembrando, nesse momento, da Lagoa do Taquaral (em meio a um agradável bosque) e dos demais bosques da cidade de Campinas (uma cidade não praieira a 100 km de São Paulo - Brasil). Estou lembrando, também, do Dique do Tororó em Salvador (uma cidade praieira, a capital da Bahia - Brasil)... onde não há muitas árvores é verdade. Nas duas tão diferentes e tão distantes cidades, o mesmo hábito dominical de sentar sobre bancos de jardins e sobre a grama, pescar, beber, fazer refeições (embora o velho piquinique esteja meio fora de moda), reunir familiares e amigos.

Nem só de água vive o domingo.

sábado, 30 de outubro de 2010

CARTOLA & NIETZSCHE

CARTOLA, COMPOSITOR BRASILEIRO, 70 ANOS DE MORTO. FREDERICO NIETZSCHE, FILÓSOFO ALEMÃO,110 ANOS DE MORTO. . O QUE HÁ DE COMUM E DE DIÁLOGO ENTRE ESSES DOIS HOMENS TÃO DISTANTES E TÃO PRÓXIMOS?

VIVALDO E O MACIEL (3) - Vicente D. Moreira

VIVALDO E O MACIEL (3)

Vicente D. Moreira

(continuação)


Para quem não sabe, não sabia, jamais soube e para quem já sabe, o Maciel (Maciel de Baixo e Maciel de Cima) localizava-se no Pelourinho e se diferenciava do Carmo, Santo Antonio Além do Carmo ... (também localizados no Pelourinho) porque muitos de seus casarões e ruas abrigavam a prostituição e seus "atores" coadjuvantes - o que lhe configurava uma ambiência típica, incomparável. Era considerado um lugar "perigoso", "zona" de prostituição, supsoto esconderijo de desocupados e de criminosos perseguidos pela Polícia.

As Ruas João Deus (Maciel de Cima) e Gregório de Mattos (Maciel de Baixo), Inácio Acciolly (Beco do Mijo e Boca do Lixo), Francisco Munioz Barreto (Laranjeiras), Santa Izabel, J. Castro Rebelo, Frei Vicente (Açouguinho) e Leovigildo de Carvalho (Beco do Mota)eram eram oMaciel e quem nelas residia ou trabalhava "pagava" caro pelo estigma de morar ou trabalhar no "brega".


Era um trabalho para conter os marinheiros. Quando chegavam, queriam entrar em casa de família, era uma confusão, tinha que colocar um letreiro: "Casa de Família" (Maciel, 1930, depoimento de um policial que, na época, ali trabalhava)

Tinha muitos suicídios, muitas mulheres fracassavam, pegavam moléstias, se jogavam da janela, às vezes era porque estavam com uma moléstia ruim, ou por paixão ou abandono do amante. (depoimento de morador antigo do Maciel)


Depois que a Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia interveio noMaciel, o número de prostitutas diminuiu de modo significativo. A Fundação passou a ser, independente de seu planejamento e vontade de seus técnicos, um agente de mudança na tessitura urbana do Pelourinho e do Maciel.


Para se ter uma idéia mais nítida da decadência dea atividade de prostituta no Maciel, basta citar, de posse de dados atuais que, de 449 prostitutas existentes na área em 1969, em 1976 apenas residiam 171 prostitutas. Em 1978, 109 e, noano de 1980 (quando do último censo realizado pelo IPAC na área) apenas 75 prostitutas trabalhavam. (MAURICIO, 1981 : 10-11)


Mesmo assim, indiferente a este decréscimo, o estigma de "meretrício", de "boca quente" continuava marcando o Maciel aos olhos da população de Salvador. Mas a queda quantitativa não atingiu apenas as prostitutas. Também o perfil da oferta de imóveis foi reduzido em alguns casos (em outros, se expandiu), com o passar do tempo. Menezes (1980 : 35-36) compara esta oferta no início dos trabalhos da Fundação no Maciel, 1969, e dez anos depois. Em 1969:

imóveis com uso individual --------- 153 - 69,0%
imóveis com uso comercial ---------- 38 - 17%
imóveis arruinados ue terrenos
baldios ---------------------------- 23 - 10%
imóveis fechados e/ou em obras ----- 9 - 4%

Em 1980:

imóveis com uso residencial -------- 101 - 46%
imóveis com uso comercial ---------- 26 - 11,0%
imóveis arruinados ------------------ 53 - 24,0%
imóveis fechados e/ou em obras ------ 27 - 12,0%
imóveis ocupados com instituições --- 16 - 7%


Ao longo de dez anos, cresceu a quantidade de imóveis fechados e/ou em obras e de prédios arruinados. Aparece a condição de imóveis ocupados com instituições, num claro sinal de que ao menos alguns setores passaram a acreditar no trabalho da FPAC no Pelourinho, n o Maciel, a exemplo do Complexo do SENAC(*)(restaurantes, teatro, pequeno museu, galeria de arte, etc.), inaugurado em 1975, no Largo do Pelourinho, área sob franca influência do Maciel.

Hoje, as ruas continuam com o mesmo nome oficial; desapareceram porém as placas que indicavam os prédios que ofereciam serviços da Fundação: Posto Médico, Centro de Atenção Social, Coordenações, etc. Sumiram, da memória popular, personagens como Sergipinho, Joaquim do bar "O Tempo" (que viveu seus últimos dias no Largo do Pelourinho) e expressões como Maciel de Baixo, Maciel de Cima, Beco do Mijo, Beco do Lixo, Laranjeiras, Açouguinho e Beco do Mota. O próprio Maciel desapareceu; não mais existe; dele não mais se ouve falar nem bem nem mal; sobre ele já não mais se escreve; a imprensas não tem masis o que fotografar e filmar, ao vivo. O Maciel sobrevive, porém, na lembrança dos que o conheceram, nele morararm ou trabalharam, continua pulsando nas obras de Jorge Amado, dos artistas, dos textos teatrais e dos técnicos do FPAC/IPAC que o fotografaram, pensaram, grafarram, desenharam, e namemória de todos eles. Hoje existe apenas o Pelô, o Pelourinho.


(amanhã, domingo, mais Maciel)
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(*) Nota do Blog
SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comerical, entidade promotora de cursos (artesanato, garçonaria e hotelaria, cabeleireiro ...) mantida por comerciantes e empresários baianos em geral.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

VIVALDO E O MACIEL (2) - Vicente D. Moreira

VIVALDO E O MACIEL (2) - Vicente D. Moreira

(continuação)


A exemplo do que ocorre no teatro e no cinema, onde um diretor dirige os atores, numa instituição pública, numa empresa particular, há diretores e estes dirigem, regem os profissionais que atuam, que agem (atores). Pensar Vivaldo e o Maciel é pensar Vivaldo como o diretor de um grande projeto social, envolvendo o Maciel e demais áreas do Pelourinho e diversas cidadees do interior da Bahia.

Um grande projeto social que dava conteúdo humano à restauração arquitetônica dos imóveis, à pesquisa história e à pesquisa social; pensar professores, arquitetos, bibliotecárias, sociólogos, desenhistas, maestros, assistentes sociais, músicos, diretores de teatro, historiadores, restauradores, fotógrafos, economistas ... é pensá-los como importantes atores do projeto social que durante muito tempo ajudou os moradores do Maciel a construírem suas próprias esperanças de permanecer no Maciel, no Pelourinho, sonhos possíveis de elevação da qualidade de vida, de emprego, de cidadania enfim; de um projeto social. O ofício e a paixão daqueles profissionais pelo trabalho que estavam fazendo no Maciel, davam respaldo às ações políticas externas e de resistência contra interesses poderosos ...

Estou convicto que foi absolutamente ímpar, a experiência humana - além de profissional - que cada um de nós bibliotecários, fotógrafos, maestros, professores, diretores de teatro, sociólogos, músicos, economistas, arquitetos, historiadores, antropólogos, desenhistas, restauradores, assistentes sociais ... vivemos no Maciel e com a população do Maciel.

Depois do Macie, o que quer que tenhamos feito e onde o tenhamos realizado, creio que nada superou a experiência com o Maciel, sua gente, seus incontáveis probelmas, suas esperanças sem limite. O Maciel foi, antes de tudo e com a licança do lugar comum, uma escola. Uma escola que bastaria nos ter ensinado apenas a lição de acreditar na possibilidade de mudança do ser humano pela educação e já teria sido tudo; e se este lugar comum dificulta a tradução de um sentimento diremos que o Maciel foi uma sinfonia que, enquanto durou e se muito durou, é porque foi regida por um maestro singular: Vivaldo da Costa Lima.

As várias gerações de sociólogos, antropólogos, arquitetos e tantos outros profissionais vda Fundação do Patrimônio Artísitico e Cultural da Bahia mostraram, urbe et orbe, a tragédia avassaladora do preconceito contra um lugar, um território, um espaço de vida: o Maciel. Preconceito que ajudou a manter - décadas após décadas - esgotos a céu aberto, cortiços como diríamos hoje, abaixo da linha da pobreza e da humanidade - crianças roídas por rato, lixo às toneladas de descuido, miséria, drogas, exploração, doenças, abandono, violência de todo o tipo e desesperança.

A ação da polícia de Costumes, através de métodos violentos forçou continuamente o "confinamento" da população em áreas determinadas ... como forma eficaz de controloe, a prostituição é obrigada a circunscrever-se a um espaço sendo classificada para a "proteção" da população. O Maciel tornou-se uma destas áreas, socialmente condenada, chegando através de racionalizações, a ser considerada uma subcultura, uma comunidade. (BACELAR, 1979 : 136)

Ainda ressoa em nossas mentes a frase, uma obstinação mais que um projeto de vida, que escrevíamos tanto quanto falávamos noMaciel, em outros locais de Salvador e emvárias outras cidades do Brasil e deste vasto mundo: queremos restaurar as casas do Maciel, mantendo os moradores, e lhes possibilitando melhores condições de vida, saúde, educação, emprego, habitação, alimentação, lazer ...

(continua amanhã, sábado)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BEMVINDO FREDERICO AO NOSSO BLOG

BEMVINDO FREDERICO AO NOSSO BLOG


É COM MUITA ALEGRIA QUE NOTICIO QUE ACABA DE CHEGAR, NESTA NOITE, VINDA D'ALÉM MAR ... CHEGANDO DE PORTUGAL, A PRESENÇA ILUSTRE DE FREDERICO AO NOSSO BLOG.


SEJA MUITO BEMVINDO AMIGO,

FORTE ABRAÇO,

Vicente

VIVALDO E O MACIEL (1) - Vicente D. Moreira

VIVALDO E O MACIEL (1) - Vicente D. Moreira

Nota do Blog

O antropólogo Vivaldo da Costa Lima, Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia, nasceu na cidade de Feira de Santana - Bahia - Brasil em 10 de abril de 2010 e faleceu, há pouco mais de um mês, em Salvador - Bahia, em 22 de setembro de 20
10. A publicação Vivaldo da Costa Lima: intérprete do Afro-Brasil de que faz parte este nosso artigo (em meio a outras contribuições que citaremos a seguir) data de 3 anos antes do falecimento de Vivaldo da Costa Lima; e, nunca é demais ou óbvio afirmar, revela as referências e as reverências a um Vivaldo produtivo, realizador e envolvido com vários projetos aos 83 anos de idade. Uma publicação pensada e realizada para homenagear o marco de seus 80 anos de vida.

Outros artigos/contribuições e autores:

Uma pedagogia do viver - Jeferson Bacelar

Ao mestre com carinho - Newton F. Cunha

Vivaldo e o Maciel - Vicente Deocleciano Moreira

De arajés e hamburgers - Carmen Rial

O feitiço da antropologia - Yvonnne Maggie

Uma perspectiva africana continental - Anani Dzidzienyo

Missão e infortúnio de Hélio de Oliveira: breve notícia sobre um projeto de pesquisa enquanto jogo de armar - Cláudio Luiz Pereira

Sobre o conceito de nação e afro-descendentes - Waldir Freitas Oliveira

Dimensão dos aportes africanos no Brasil - Yêda Pessoa de Castro

O tempo sagrado no candomblé - Júlio Braga

O caminho da iniciação - Michel Maffesoli

Fundamentos do discurso sobre as artes cênicas no Brasil - Armindo Bião

Trajetória intersectada pelo carisma - Maria Rosário G. Carvalho

Análises discutíveis ou a questão da homossexualidade no candomblé - Peter Fry

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VIVALDO E O MACIEL

Vicente Deocleciano Moreira


[MOREIRA, Vicente Deocleciano. Vivaldo e o Maciel. In: BACELAR, Jeferson e PEREIRA, Cláudio (org). Vivaldo da Costa Lima: intérprete do Afro-Brasil.. Salvador, EDUFBA : CEAO, 2007, pp.45-57]



A Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (FPAC) foi criada em 13 de setembro de 1967 e regulamentada em 1968, sob influência da proposta (criar uma funda~ção para cuidart do patrimônio de Salvador) constante do relatório de Michel Parent, técnico da UNESCO que, em janeiro de 1967, visitou a capital baiana e conhecue seu patrimônio arquitetônico. O incentivo inicial para a criação da FPAC partiu do arquitetp Wladimir Alves de Souza seu primeiro presidente da Comissão Executiva e do antropólogo Vivaldo da Costa Lima seu primeiro Secretário Executivo e, depois da reforma do regimento em 1973, primeiro Diretor Executivo. Em 1980, passou a chamar-se Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia.

A direção política de uma instituição pública cuja missão é preservar o patrimônio cultural e artístico de um estado - a exemplo do Instituto (nascida Fundação em 1967) do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - não deve ser concebida e esperada apenas nos seus termos administrativos e executivos. Há que se considerar, também, as dimensões políticas dessas direção que avançam para além dos afazeres (políticos e tantos outros) internos da instituição e, passo a passo, espaço a espaço, alcançar quadrantes externos à própria instituição. Vivaldo trouxe olhos cansados do mundo para o mundo do Maciel, primeiro desafio de uma missão chamada Pelourinho: Prof. Agostinho, Fundação Calouste Gulbenkian, UNESCO, Lina Bo Bardi, ICOMOS ...

(continua amanhã, sexta-feira)

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

II Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde: Questões Identitárias e Políticas

II Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde: Questões Identitárias e Políticas

Comunicação, Militância e Atitude - CMA HipHop

E-mail: cmahiphop007@gmail.com / evolucaohiphop@hotmail.com

Blog: WWW.educadora.ba.gov.br/evolucaohiphop

Tel: 55-(71) 91510631/ DJ BRANCO

...Salvador – Bahia – Brasil..




--- Em qua, 27/10/10, CMA HIP-HOP escreveu:


De: CMA HIP-HOP
Assunto: Etnicidade /Direitos Humanos / Plano Decenal /Anatel /Seminário / HipHop e mais...
Para: cmahiphop@grupos.com.br
Data: Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010, 18:40


Comunicação, Militância e Atitude - CMA HipHop

E-mail: cmahiphop007@gmail.com / evolucaohiphop@hotmail.com

Blog: WWW.educadora.ba.gov.br/evolucaohiphop

Tel: 55-(71) 91510631/ DJ BRANCO

...Salvador – Bahia – Brasil..


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CMA HIPHOP INFORMA

ÍNDICE:

II Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde: Questões Identitárias e Políticas - HIP HOP ocupa seu lugar na tarde de domingo em Salvador

- II Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde: Questões Identitárias e Políticas em Saúde da População Negra no Brasil

- Brasil discute Plano Decenal para garantir direitos da infância até 2020

- Projeto Festas Populares de Salvador

- Inscrições Centro Digital de Cidadania

- Saiba como lidar com às agências reguladoras

- Seminário – Força Feminina

- Para uma outra pauta de direitos humanos


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HIP HOP ocupa seu lugar na tarde de domingo em Salvador

O terceiro dia da FEAP deu atenção especial à cultura HIP HOP com a realização de uma série de atividades durante a tarde e a noite do ultimo domingo (24), no Cine Teatro Solar Boa Vista, em Salvador. Pra começar, durante a tarde, foi realizada mais uma edição do projeto “Papo Solar” com o tema “Quando a Rebeldia Vira Arte”, com a participação de DJ Branco (CMA HipHop), do Dj Spider (MG) e do rapper Renegado (MG).

Durante o debate, uma série de temas emblemáticos vieram à tona, como a criminalização sofrida pelo movimento hip hop, o aumento de sua visibilidade por conta da ação dos seus integrantes, e como ele tem contribuído com a realização de ações para o desenvolvimento comunitário. Como afirmou Dj Branco, quando apontou o problema das drogas, o Estado hoje pede ajuda a eles para dialogarem com os jovens da periferia, já que ele, até hoje, não conseguiu criar formas para estabelecer um diálogo direto com eles. Leia mais aqui...




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II Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde: Questões Identitárias e Políticas em Saúde da População Negra no Brasil


Dias 27 e 29 de outubro de 2010 em Salvador na Universidade Federal da Bahia (auditório da Escola Politécnica).

O evento pretende favorecer o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre pesquisadores, gestores, profissionais de saúde, representantes de movimentos sociais e a comunidade local contribuindo para uma maior compreensão sobre o tema proposto e para o fomento de uma agenda de cooperação técnico-científica entre os diferentes coletivos sociais presentes.

Além de promover o debate sobre os problemas e necessidades de saúde da população afrodescendente, cabe reconhecer seus traços identitários e costumes culturais, incluindo as práticas terapêuticas e religiosas, de modo a subsidiar a construção de políticas públicas culturalmente sensíveis e que contribuam para a promoção da equidade sócio-sanitária.


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Brasil discute Plano Decenal para garantir direitos da infância até 2020

Plano prevê 90 metas a serem alcançadas pela União, estados e municípios

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) disponibilizou para consulta pública o Plano Decenal, um documento preliminar para a Política Nacional dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. As pessoas têm até o dia 12 de novembro para enviar suas contribuições para o email conanda@sedh.gov.br. O Plano conta com princípios, diretrizes, objetivos e estratégias para o cumprimento de 90 metas que deverão nortear a construção dos Planos Plurianuais da União na próxima década.



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Projeto Festas Populares de Salvador



A equipe do Projeto Festas Populares, iniciativa da OI Kabum Escola de Arte e Tecnologia de Salvador estará realizando atividades de capacitação voltadas para educadores de escolas, projetos sociais e ONG´s. Para participar, basta solicitar a ficha de inscrição através das seguintes direções: brazguiner@hotmail.com ou jubabrasil2003@yahoo.es. As vagas são limitadas.




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Inscrições Centro Digital de Cidadania


A Secretaria de Promoção da Igualdade – SEPROMI, disponibilizará 200 vagas para o Curso de Informática Básica no Centro Digital de Cidadania (CDC) localizado no Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra/SEPROMI.

São 06 turmas previstas para esta 1ª etapa no período de setembro/2010 a janeiro/2011, distribuídas nos turnos matutino e vespertino, sendo que as primeiras tiveram início em 08/09/2010 e já foram certificadas ao final do curso. As próximas (3ª e 4ª) terão início no mês de novembro/2010.
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Saiba como lidar com às agências reguladoras

ANS, Anatel, Aneel… Você sabe o que significam essas siglas e, principalmente, o que elas têm a ver com você? Se não, fique atento, pois elas são relacionadas às agências reguladoras, órgãos responsáveis por estabelecer as regras e fiscalizar os serviços prestados por empresas de vários setores da economia e que estão presentes no dia a dia dos consumidores, como é o caso dos planos de saúde, telecomunicações e energia elétrica – respectivamente, os serviços regulados pelas siglas acima.

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Seminário – Força Feminina


Em comemoração aos 10 anos, o Projeto Força Feminina realiza o Seminário: Mulheres na Batalha pela Cidadania: Dialogando sobre a Mercantilização dos Corpos.

O seminário tem como objetivo possibilitar à sociedade o conhecimento da realidade, dos desafios e contrastes em que estão inseridas as mulheres em situação de prostituição e sensibilizar a organismos públicos, sociais, eclesiais e acadêmicos para tal questão. Tem como principais eixos temáticos as questões de gênero, o contexto da Prostituição e a Cidadania.
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Para uma outra pauta de direitos humanos

Ilya Prigogine, Nobel de Química 1977, desenvolveu uma teoria das “estruturas dissipativas”, salientando que o futuro é incerto e que a criatividade está presente em todos os níveis da natureza. Os sistemas tenderiam a um equilíbrio, mas, em determinadas épocas, a trajetória seguida por um sistema se divide em ramos: é o que chama de “bifurcação”, momento em que todos os ramos são possíveis, mas apenas um será seguido. Nem sempre elas são detectáveis, mas uma mudança quantitativa ou um evento inesperado podem mudar o curso dos acontecimentos. Tais momentos não são somente existentes em períodos de revolução, mas em mudanças de paradigmas, surgimento de novos padrões culturais, clivagens sociais alteradas, etc.

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Comunicação, Militância e Atitude - CMA HipHop

E-mail: cmahiphop007@gmail.com / evolucaohiphop@hotmail.com

Blog: WWW.educadora.ba.gov.br/evolucaohiphop

Tel: 55-(71) 91510631/ DJ BRANCO

...Salvador – Bahia – Brasil..





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LENDO "NÃO-LUGAR" DE MARC AUGÉ (6 - FINAL)

LENDO "NÃO-LUGAR" DE MARC AUGÉ (6)


Sincronía Invierno 2001


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O NÃO-LUGAR DA ESCRITURA: UMA LEITURA DE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, DE JOSÉ SARAMAGO

Shirley de Souza Gomes Carreira
Universidade do Grande Rio


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Por ser uma das formas de expressão cultural de um povo, a literatura, na maioria das vezes, busca a sua referência no que Marc Augé denomina " lugar antropológico"(1). Em Ensaio sobre a cegueira, José Saramago desconstrói as referências típicas desse lugar, que confere ao homem uma identidade, define sua relação com o meio, bem como o situa em um contexto histórico.

No romance em questão, surpreende-nos a ausência das marcas usuais da historicidade. Não há sequer uma referência temporal que nos permita dizer com segurança em que momento histórico o mundo ficcional deve ser inserido. No entanto, a própria ausência de marcadores temporais permite- nos fazer reflexões acerca do seu significado. A percepção do tempo se faz sentir apenas na memória das personagens e nas observações do narrador. No continuum do tempo, o passado do qual as personagens se recordam é o conjunto de atitudes e valores que incorporavam antes da cegueira e sob esse aspecto o passado e o presente são julgados um à luz do outro na diegese.

Não se pode dissociar a ausência de referentes temporais da ausência de referentes espaciais. Numa perspectiva historicista, a definição do tempo e do espaço se faz essencial, mesmo porque os métodos da historiografia assim o exigem. No entanto, o olhar que o pós-modernismo lança ao passado ultrapassa as barreiras formais da história. Especificamente, a atitude pós-moderna consiste em tecer leituras do passado, tomando por parâmetro a consciência de que o conhecimento que se tem dele nada mais é do que a textualização das impressões humanas acerca dos eventos.

Ao criar um texto em que essas marcas de identificação espácio-temporal revelam-se enfraquecidas, Saramago faz dele um espelho onde o leitor poderá mirar-se e refletir sobre o seu papel, enquanto cidadão do mundo, na construção da história da humanidade.

A supressão da identidade a partir do nome está associada à cegueira que se espalha. As personagens são identificadas por outros meios: pelas profissões que exerciam antes de ficarem cegas, pelas relações de parentesco ou por traços físicos marcantes. Ao assumirem que os nomes são desnecessários ao seu relacionamento no manicômio, as personagens deixam implícita a trajetória que terão de seguir, na descoberta dolorosa do eu e do outro.

Do ponto de vista da historiografia, dado o esbatimento dos três conceitos inerentes à compreensão histórica— o tempo, o espaço e a identidade- a história do romance é impossível de se situar. Tentaremos, no entanto, mostrar que é exatamente essa impossibilidade que faz do romance um retrato tão contundente da condição humana.

No universo ficcional, à exceção da mulher do médico, todas as personagens temem muito mais a revelação do que realmente são do que a sensação de impotência causada pela cegueira.

A mulher do médico disse consigo mesma, Comportam-se como se temessem dar-se a conhecer um ao outro. Via-os crispados, tensos, de pescoço estendido como se farejassem algo, mas, curiosamente, as expressões eram semelhantes, um misto de ameaça e de medo, porém o medo de um não era o mesmo que o medo do outro, como também não o eram as ameaças. ESC, 49

Com o passar dos dias, as máscaras sociais deixam de ser importantes e necessárias na instância de vida dos cegos na camarata. Os códigos sociais, assim como os nomes, começam a se perder em um microcosmo governado pelos sentidos:

Tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos, nem nos lembrámos sequer de dizer-nos como nos chamamos, e para quê, para que iriam servir- nos os nomes, nenhum cão reconhece outro cão, ou se lhe dá a conhecer, pelos nomes que lhes foram postos, é pelo cheiro que identifica e se dá a identificar, nós aqui somos como uma outra raça de cães, conhecemo- nos pelo ladrar, pelo falar, o resto, feições, cor dos olhos, da pele, do cabelo, não conta, é como se não existisse, eu ainda vejo, mas até quando. ESC,64

Em Não-lugares, Marc Augé analisa a relação do homem com o espaço, a questão da identidade e da coletividade. Ele designa "não-lugar" todos os dispositivos e métodos que visam à circulação de pessoas, em oposição à noção sociológica de "lugar", isto é, à idéia de uma cultura localizada no tempo e no espaço. Segundo Augé, os espaços em que vivemos carecem de uma reavaliação, pois "vivemos num mundo que ainda não aprendemos a olhar"(2). Não há como deixar de perceber a analogia entre a posição de Marc Augé e a epígrafe escolhida por Saramago: "Se podes olhar,vê. Se podes ver, repara."

Ao analisar as relações entre o homem e o seu grupo social, Augé nos alerta para o fato de que a organização e a constituição de lugares são um dos desafios e uma das modalidades das práticas coletivas e individuais. As coletividades têm necessidade de pensar, simultaneamente, a identidade e a relação e de simbolizar os constituintes das diferentes formas de identidade: da identidade partilhada- pelo conjunto de um grupo; da identidade particular- de um grupo ou de um indivíduo ante outros- e da identidade singular- naquilo em que um indivíduo ou grupo difere de todos os outros. Os questionamentos suscitados pela condição das personagens do Ensaio sobre a cegueira advêm da desconstrução e posterior construção desses conceitos.

A ausência de marcadores temporais e espaciais na narrativa e a própria cegueira das personagens reforçam a idéia do não-lugar. Todas as antigas raízes, que marcam o lugar antropológico- que pretende ser identitário, relacional e histórico- são desfeitas.

Assim, o lugar antropológico- cultural e espácio-temporalmente definido, é substituído pelo não-lugar, pela provisoriedade da subsistência nas camaratas, pela redução dos códigos de convivência social a um estado de barbárie, em que será preciso aprender a viver de novo, a construir novos parâmetros para a identidade e a relação. A cegueira branca é descentralizadora; não privilegia classes:

Aqui não há só gente discreta e bem-educada, alguns são uns mal- desbastados que se aliviam matinalmente de escarros e ventosidades sem olhar a quem está, verdade seja que no mais do dia obram pela mesma conformidade, por isto a atmosfera vai se tornando cada vez mais pesada... ESC,99

A babel de indivíduos de naturezas tão distintas quanto às suas origens dá à mulher do médico a impressão de que as distâncias que separam os seres no mundo exterior se encurtaram e a diversidade de problemas que afligem os homens se resumiu no instinto de sobrevivência. Essa impressão se resume a uma frase: " O mundo está todo aqui dentro" (ESC, 102).

É precisamente esse instinto primordial do homem que revela aos cegos que nesse mundo em que agora vivem as máscaras sociais se fazem desnecessárias; o homem é o que é. Assim, ante a necessidade de estabelecer uma ordem na distribuição da comida, a fim de evitar trapaças, e mediante a afirmação de um dos cegos de que estão a lidar com gente honesta, alguém retruca: "Ó cavalheiro. O que somos de verdade aqui é pessoas com fome" (ESC, 102).

É relevante observar, no entanto, que, no não-lugar, recompõem-se alguns lugares, até porque os lugares evocados pelos ritos da memória, onde se encontram inventariados, nunca se apagam completamente, assim como o não-lugar nunca se realiza totalmente. Graças à reconstituição das relações humanas, ainda que sob novos códigos e regras, o não-lugar é impedido de existir numa forma pura.

É a existência do não-lugar, a redimensão das relações humanas que põem o indivíduo em contato com outra imagem de si próprio e do outro. A individualidade absoluta torna-se impensável, uma vez que há uma alteridade complementar que é constitutiva de toda individualidade. Já não se pode pensar o eu sem a figura do outro. O eu individual passa a ser um dos elementos da identidade partilhada; está condicionado ao grupo ao qual pertence. É através da identidade partilhada que os cegos da primeira camarata reconstroem algo do lugar antropológico.

Também não surpreenderá que busquem todos estar juntos o mais possível, há por aqui muitas afinidades, umas que já são conhecidas, outras que agora mesmo se revelarão(...) É contudo certo que nem todas essas afinidades se tornarão explícitas e conhecidas, seja por falta de ocasião, seja porque nem se imaginou que pudessem existir, seja por uma simples questão de sensibilidades e tacto. ESC, 67

O espaço do não-lugar liberta aquele que lá penetra das amarras de sua vida habitual, a tal ponto que , enquanto "passageiro" desse não-lugar, pode até mesmo ser capaz de gozar, momentaneamente, as alegrias passivas dessa desidentificação com o eu. Assim o ladrão do carro, em meio às dores do ferimento na perna, encontra prazer na autodescoberta, isto é, aprende a ver:

Assombrava-o o espírito lógico que estava descobrindo na sua pessoa e o acerto dos raciocínios, via-se a si mesmo diferente, outro homem, e se não fosse este azar da perna estaria disposto a jurar que nunca em toda a sua vida se sentira tão bem. ESC, 79

A "presença do passado" no presente expressa-se numa polifonia em que o velho e o novo se cruzam, na evocação de uma temporalidade contínua. Ao mesmo tempo que as personagens evocam os lugares da memória, substitutos para o lugar antropológico do qual já não fazem parte, as citações e provérbios que entrecortam a narrativa são a evocação de lugares antropológicos diversos, dos quais o romance, em sua aparente ausência de espácio-temporalidade, não se afasta na realidade.

Isso se dá, antes de mais nada, porque o lugar se concretiza pela palavra. Se a troca de palavras ocorre entre pessoas no nível de uma intimidade cúmplice, algo do lugar antropológico pode ser recuperado e reordenado. Claro está que as citações surgem invertidas, como a destituírem-se de um caráter absoluto, desprovendo a si mesmas de sentido. Essa inversão é metafórica. No esvaziamento do sentido, ela exibe a cegueira da palavra. Há que gerar comportamentos verbais que se coadunem com esse novo padrão de existência.

Já lá dizia o outro que na terra dos cegos quem tem um olho é rei. Deixa lá o outro, Este não é o mesmo, Aqui nem os zarolhos se salvariam(...) O outro também dizia que quem parte e reparte e não fica com a melhor parte , ou é tolo, ou no partir não tem arte, Merda, acabe lá com o que diz o outro, os ditados põem -me nervoso. ESC,103

A luta da mulher do médico para que os cegos da primeira camarata não se entreguem à barbárie não é uma apologia do passado, do "mundo civilizado" que conheciam, como pode parecer à primeira vista, mas o contraponto que há de evidenciar os sentimentos, as modulações de sentido, que nortearão as relações entre os cegos a partir da quarentena- a longa jornada do aprendizado da visão.

Segundo Augé, o que nós procuramos, na acumulação religiosa dos testemunhos, dos documentos, das imagens, de todos os signos visíveis do que foi(...) é a nossa diferença, a nítida revelação de uma identidade perdida (3).

Saramago faz uso de um recurso tipicamente pós-moderno ao confrontar os princípios de civilização que os cegos conheciam com aqueles que são levados a construir. Instaurando e subvertendo situações, o autor deixa entrever no texto interrogações que encenam o paradoxo pós-moderno de ser ao mesmo tempo cúmplice e crítico das normas predominantes.

Se o romance faz eclodir a revolta do leitor ante a torpeza das atitudes dos cegos das outras camaratas, cada qual envolvido com sua própria subsistência, e, mais tarde, fazendo uso da comida como instrumento de poder, também leva o leitor à reflexão de que esses instintos que parecem tão torpes na ficção são os mesmos que disfarçamos no dia-a-dia de homens civilizados.

O fio condutor do romance é a cegueira que leva não só as personagens como também o leitor a refletirem sobre as relações entre o individual e o coletivo, erguendo o véu do nosso desconhecimento. A cegueira branca, que ilumina ao invés de lançar nas trevas os que a contraem, é o símbolo do discurso da perplexidade.

Em um mundo, no qual já não se crê nas "narrativas -mestras", no discurso homogeneizante da modernidade, há que pensar a diferença. Se por um lado o pós-modernismo reconhece que os discursos são instrumento de poder, que enunciam "verdades", graças a sua capacidade de moldar práticas, por outro lado, o discurso pós-moderno é problematizante, inquiridor. Longe de apontar soluções, o pós-modernismo nos faz refletir criticamente sobre o passado e o presente.

O desfecho de Ensaio sobre a cegueira não é um discurso legitimador, pois não aponta soluções ou direções para a evolução do homem; sequer advoga para si a verossimilhança. Muito embora o romance revele-se, ao final, detentor de um discurso moralizante, que se coaduna com a proposta do romance, isto é, fazer ver a quem tem olhos, nenhum modelo nos é fornecido para que possamos atingir esse fim. Este é um percurso que o leitor há de fazer sozinho.

Assim como as personagens, o leitor é "passageiro" no não-lugar que a escritura encena. Aos cegos que encontra pelo caminho, a mulher do médico afirma: "Só estamos de passagem" (p.215). O escritor que passa a viver na casa do primeiro cego, igualmente, afirma: "Estou de passagem" (p.278). Esse alter-ego do autor que "inscreve palavras na brancura do papel", à guisa de sinais da sua passagem, diz à mulher do médico palavras que parecem ecoar do mundo extradiegético, onde autor, narrador e leitor transitam, como um apelo : "não se perca, não se deixe perder". Apelo este que se quer prolongamento da epígrafe: veja, não se deixe cegar.

A reflexão do narrador acerca da inutilidade da memória nessa trajetória pode ser depreendida no exemplo a seguir:

(...)é que não há comparação entre viver num labirinto racional, como é , por definição, um manicómio, e aventurar-se, sem mão de guia nem trela de cão, no labirinto dementado da cidade, onde a memória para nada servirá, pois apenas será capaz de mostrar a imagem dos lugares e não os caminhos para lá chegar. ESC,211

Se não há modelos a serem seguidos e se o referencial do nome e do lugar já não são suficientes, cabe ao leitor, assim como às personagens, traçarem individualmente a sua trajetória. A nova identidade é construída a partir de um novo pensar coletivo.

Sob esse aspecto o desfecho se aproxima da proposta da pós-modernidade: questionar os sistemas e os postulados totalizantes por meio do paradoxo, buscando a identidade na diferença. A par do conteúdo moralizante, do formato convencional, o desfecho de Ensaio sobre a cegueira não contraria a proposta pós-moderna, uma vez que o pós-modernismo, dada a sua característica de atuar dentro dos sistemas que subverte, não constrói paradigmas. Não há um modelo pós-moderno a ser seguido e sim um conjunto de estratégias mais ou menos freqüentes que sugerem o que se convencionou chamar pós-modernismo (4).

No plano da diegese é no não-lugar, isto é, no percurso que os cegos fazem desde a quarentena até o desfecho do romance, que as contradições da natureza humana se revelam e são experimentadas. No plano da narração, por ser espaço transitório do pensamento e da reflexão sobre o romance enquanto obra de arte, onde as estratégias novas e antigas se encontram, onde passado e presente se cruzam no ato constante de recriar, a escritura revela-se o locus onde, por meio da exposição do caos, o leitor é convidado a repensar o mundo em que vive.

O texto de Marc Augé, ao qual fizemos referência em boa parte de nossa análise, esclarece-nos quanto ao olhar que lançamos ao passado, quanto ao modo pelo qual revolvemos os resquícios do passado como uma maneira de manter vivo o lugar antropológico do qual fazemos parte. Mais do que isso, esse texto nos chama atenção para o fato de que o habitante do lugar antropológico vive na história, não faz história. É no lugar da memória, contrapondo passado e presente, que construímos a nossa diferença.

O Ensaio sobre a cegueira, conforme pudemos observar, não é de modo algum desistoricizado. Ele incorpora a história da arte e a história do homem sem que, para isso, necessite de marcadores temporais ou espaciais.

O descentramento do sujeito, a multiplicidade de vozes e o discurso intertextual sugerem um deslocamento ainda maior, na direção da pluralidade e da heterogeneidade que são as marcas do pós-moderno. O tema que norteia o romance, a questão da alteridade, está em consonância com a retórica pluralizante do pós-modernismo.

E se essa escritura nos parece tão diferente, a ponto de nos causar estranheza, que nos sobrevenha à mente a lição de Foucault: "somos a diferença, nossa razão é a diferença dos discursos, nossa história é a diferença das épocas, nossos eus são a diferença das máscaras"(5). Essa diferença não pode nunca ser vista como um obstáculo para a compreensão do mundo, pois é o retrato mais fiel do que somos e do que fazemos.



NOTAS

[1] AUGÉ, M. 1994.

[2] idem

[3] idem, p.33

[4] HUTCHEON, L. 1991

[5] FOUCAULT, M. Apud HUTCHEON, L. 1991,p.94.



Bibliografia

AUGÉ, Marc. Não- lugares: introdução a uma antropologia da sobremodernidade. Trad. Lúcia Mucznik, Bertrand Editora, 1994.

CARREIRA, Shirley. Entre o ver e o olhar: a recorrência de temas e imagens na obra de José Saramago. Atas do 6º Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas,1999 http://www.geocities.com/ail_br/entreovereoolhar.html

CHATMAN,Seymour. Story and discourse. Ithaca, London, Cornell University Press, 1978.

FOUCAULT, Michel.The archeology of knowledge and the discourse of language. New York, Pantheon,1972.

HUTCHEON,Linda. Narcisistic Narrative: the metaficcional paradox. New York, Methuen,1985a.

______ Poética do pós-modernismo. Rio de Janeiro, Imago Editora, 1991.

______ The politics of postmodernism. London, New York, Routledge, 1989

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo, Cia. das Letras, 1995.


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Sincronía Invierno 2001

The Guardian: The greatest films ... /8 - FINAL

The Guardian: The greatest films ... /8 - FINAL

Arthouse and Drama



1 - Arthouse and Drama - Andrei Rublev Andrei Tarkovsky
Anatoli Solonitsyn, Andrei Mikhalkov-Konchalovsky, Andrei Tarkovsky, Ivan Lapikov, Nikolai Grinko
1966 Soviet Union

2 - Arthouse and Drama - Mulholland Dr David Lynch
Justin Theroux, Laura Harring, Naomi Watts
2001 France

3 - Arthouse and Drama - L’Atalante Jean Vigo
Dita Parlo, Jean Daste, Michel Simon
1934 France

4 - Arthouse and Dram - Tokyo Story Yasujiro Ozu
Chieko Higashiyama, Chishu Ryu, Setsuko Hara, Toru Abu
1953 Japan

5 - Arthouse and Drama - Citizen Kane Orson Welles
Dorothy Comingore, Everett Sloane, Joseph Cotten, Orson Welles
1941 1 oscar USA


6 - Arthouse and Drama - A Clockwork Orange Stanley Kubrick
Adrienne Corri, Malcolm McDowell, Michael Bates, Patrick Magee,
Warren Clarke
1971 USA

7 - Arthouse and Drama - Days of Heaven Terrence Malik
Brooke Adams, Richard Gere, Sam Shepard
1978 1 oscar USA

8 - Arthouse and Drama - Wild Strawberries Ingmar Bergman
Bibi Anderson, Bibi Andersson, Gunnar Bjornstrand, Ingrid Thulin, Victor Sjostrom 1957 Sweden

9 - Arthouse and Drama - White Ribbon Michael Haneke
Burghart Klaussner, Christian Friedel, Josef Bierbichler, Susanne Lothar, Ulrich Tukur
2009 Germany

10 - Arthouse and Drama - The Gospel According to St Matthew Pier Paolo Pasolini
Enrique Irazoqui, Margherita Caruso
1964 Italy

11 - Arthouse and Drama - Aguirre Wrath of God Werner Herzog
Cecilia Rivera, Klaus Kinski, Ruy Guerra
1972 Germany

12 - Arthouse and Drama - Pather Panchali Satyajit Ray
Kanu Bannerjee, Karuna Bannerjee, Uma Das Gupta
1955 India

13 - Arthouse and Drama - The Conformist Bernado Bertolucci
Dominique Sanda, Gastone Moschin, Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli
1970 Italy

14 - Arthouse and Drama - Death in Venice Luchino Visconti
Bjorn Andresen, Dirk Bogarde, Marisa Berensen, Silvana Mangano
1971 Italy

15 - Arthouse and Drama - The Godfather Parts I and II Francis Ford Coppola Al Lettieri, Al Pacino, Diane Keaton, James Caan, John Cazale, Marlon Brando, Robert Duvall, Talia Shire
1972 9 oscar altogether USA

16 - Arthouse and Drama - The Graduate Mike Nichols
Anne Bancroft, Dustin Hoffman, Katharine Ross, William Daniels
1967 1 oscar USA

17 - Arthouse and Drama - There Will Be Blood Paul Thomas Anderson Daniel Day Lewis, Daniel Day-Lewis, Dillon Freasier, Kevin J O'Connor, Paul Dano
2007 2 oscar USA

18 - Arthouse and Drama - Battleship Potemkin Sergei Eisenstein
A Antonov, Alexandr Antonov, Grigori Alexandrov, Midhail Gomorov, Vladimir Barsky 1925 Soviet Union

19 - Arthouse and Drama - Rules of the Game Jean Renoir
Nora Gregor, Paulette Dubost, Mila Parely.
1939 USA


20 - Arthouse and Drama - Shadows John Cassavetes Ben Carruthers, Hugh Hurd, Leila Goldoni
1959, UK


21 - Arthouse and Drama- Distant Voices Still Live Freda Dowie,
Terence Davies, Angela Walsh, Dean Williams, Lorraine Ashbourne, Pete Postlethwaite 1988 UK

22 - Arthouse and Drama - Passion of Joan of Arc Carl Theodor Dreyer
Eugene Silvain, Maria Falconetti, Michael Simon, Michel Simon, Renee Falconetti
1928 France

23 - Arthouse and Drama - La Dolce Vita Federico Fellini
Anita Ekberg, Anouk Aimee, Marcello Mastroianni
1960 1 oscar Italy

24 - Arthouse and Drama - Breaking the Waves Lars Von Trier
Emily Watson, Katrin Cartlidge, Stellan Skarsgard
1996 Denmark

25 - Arthouse and Drama - Spirit of the Beehive Victor Erice
Ana Torrent, Fernando Fernan, Fernando Fernan Gomez, Isabel Telleria
1973 Spain







F I M

terça-feira, 26 de outubro de 2010

The Guardian:The greatest films of all the time/7

Scientific-fiction and Fantasy


1 - Sci-fi and Fantasy - 2001 Stanley Kubrick
Daniel Richter, Gary Lockwood, Keir Dullea, William Sylvester
1968, France

2 - Sci-fi and Fantasy - Metropolis Fritz Lang
Alfred Abel, Brigitte Helm, Gustav Frohlich, Gustav Fruhlich
1927 1 oscar USA

3 - Sci-fi and Fantasy - Blade Runner Ridley Scott
Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young
1982 USA

4 - Sci-fi and Fantasy - Alien Ridley Scott
Ian Holm, John Hurt, Sigourney Weaver, Tom Skerritt
1979 1 oscar USA

5 - Sci-fi and Fantasy - The Wizard of Oz Victor Fleming
Bert Lahr, Frank Morgan, Jack Haley, Judy Garland, Ray Bolger
1939 2 oscar USA

6 - Sci-fi and Fantasy - ET Steven Spielberg
Dee Wallace, Drew Barrymore, Henry Thomas, Peter Coyote
1982 4 oscar USA

7 -Sci-fi and Fantasy - Solaris Andrei Tarkovsky
Donatas Banionis, Juri Jarvet, Nataly Bondarchuk, Natalya Bondarchuk
1972 Soviet Union

8 - Sci-fi and Fantasy - Spirited Away Hayao Miyazaki
Daveigh Chase, Jason Marsden, Jason Marsdon, Mari Natsuki, Miyu Irino, Rumi Hiragi, Suzanne Pleshette
2001 1 oscar Japan

9 - Sci-fi and Fantasy - Star Wars (1977) George Lucas
Alec Guinness, Carrie Fisher, David Prowse, Harrison Ford, Mark Hamill, Peter Cushing, Peter Mayhew
1977 6 oscar USA

10 - Sci-fi and Fantasy - Close Encounters Steven Spielberg
Melinda Dillon, Richard Dreyfuss
1977 1 oscar USA

11 - Sci-fi and Fantasy - King Kong Ernest B Schoedsack,
Merian C Cooper, Bruce Cabot, Ernest B Schoedsack, Fay Wray, Frank Reicher, James Flavin, John Armstrong, Noble Jhonson, Robert Armstrong
1933 USA

12 - Sci-fi and Fantasy - Terminator/ Terminator 2 J ames Cameron Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn
1984/1991 4 oscar altogether USA

13 - Sci-fi and Fantasy - The Matrix Andy & Larry Wachowski
Carrie-Anne Moss, Keanu Reeves, Laurence Fishburne
1999 4 oscar USA

14 - Sci-fi and Fantasy - Alphaville Jean Luc-Godard
Anna Karina, Eddie Constantine
1965 France

15 - Sci-fi and Fantasy - Back to the Future Robert Zemeckis
Christopher Lloyd, Crispin Glover, Lea Thompson, Michael J Fox, Michael J. Fox
1985 1 oscar USA


16 - Sci-fi and Fantasy - Planet of the Apes Franklin J Schaffner
Charlton Heston, Kim Hunter, Roddy McDowell
1968 1 oscar USA

17 - Sci-fi and Fantasy - Brazil Terry Gilliam
Jonathan Pryce, Michael Palin, Robert De Niro
1985 UK

18 - Sci-fi and Fantasy - The Lord of the Rings trilogy Peter Jackson Cate Blanchett, Dominic Monaghan, Elijah Wood, Hugo Weaving, John Rhys-Davies, Liv Tyler, Miranda Otto, Orlando Bloom, Sean Astin, Sir Ian McKellen, Viggo Mortensen, William Boyd
2001-2003 17 oscar altogether New Zealand

19 - Sci-fi and Fantasy - Dark Star John Carpenter
Brian Narelle, Dan O'Bannon, Dre Pahich
1974 USA

20 - Sci-fi and Fantasy - Day the Earth Stood Still Robert Wise
Hugh Marlowe, Lock Martin, Michael Rennie, Patricia Neal
1951 USA

21 - Sci-fi and Fantasy - Edward Scissorhands Tim Burton
Dianne Wiest, Johnny Depp, Winona Ryder
1990 USA

22 - Sci-fi and Fantasy - Akira Katsuhiro Otomo
Mitsuo Iwata, Nozomu Sasaki, Mami Koyama, Tessho Genda
1988 Japan

23 - Sci-fi and Fantasy - Princess Bride Rob Reiner
Billy Crystal, Carty Elwes, Cary Elwes, Mandy Patinkin, Peter Falk, Robin Wright
1987 USA

24 - Sci-fi and Fantasy - Pan’s Labyrinth Guillermo del Toro
Ariadna Gil, Doug Jones, Ivana Baquero, Maribel Verdu, Sergi Lopez
2006 3 oscar Spain

25 - Sci-fi and Fantasy - Starship Troopers Paul Verhoeven Casper Van Dien, Clancy Brown, Dina Meyer, Jake Busey, Michael Ironside
1997 USA

LENDO "NÃO-LUGARES" DE MARC AUGÉ (5)

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AUGÉ, Marc. Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da
supermodernidade. São Paulo: Papirus, 1994, 111 páginas.


João Luis Binde
Resenha

Fonte : ANTROPOS – Revista de Antropologia – Volume 2, Ano 1, Maio de 2008 – ISSN 1982-1050


Augé afasta-se do termo pós-modernidade preferindo utilizar a palavra supermodernidade para dar a idéia de continuidade. Na modernidade atual observamos mais fatores de aceleração, como do tempo, do que de ruptura. Em suas palavras: “quanto ao termo pós-modernidade, muitos o empregam, inclusive alguns antropólogos norte-americanos, para dar a idéia de pós como coisa completamente diferente. Mas não podemos entender o que acontece hoje sem fazer referência ao século XVIII. 0, e me parece perigoso pensar apenas a partir do respeito à diversidade. A diversidade, em princípio, é uma coisa boa, mas não
sistematicamente. É preciso pensar a cultura, a diversidade, a identidade,
sempre em movimento, nunca de maneira fixa.” (Entrevista dada ao jornal
argentino Página/12, 11-04-2007).

A antropologia passa por uma brusca mudança. Seu objeto, outrora “distante”, exótico, agora converge para o que Auge chama de antropologia do próximo. O que se coloca em debate em “Não-Lugares: Introdução a uma Antropologia da Supermodernidade” é o próprio status da antropologia na contemporaneidade, qual o grau de apreensão das sociedades complexas pelo método antropológico? Neste sentido, propõe uma nova postura no que concerne a reflexão sobre a contemporaneidade diante do deslocar da discussão do método para o objeto.

No livro em questão, Augé define os chamados não-lugares como um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade. Na busca de fundamentar sua assertiva, discute a capacidade efetiva da antropologia analisar e compreender a sociedade de hoje, mcaracterizada por ele como supermodernidade. As principais características desse novo tipo de organização social são por ele destacadas:

a) um novo entendimento da categoria de tempo. O ideal de progresso humano é frustrado diante de guerras, genocídios, intolerância, violência. Somado a isto, a categoria tempo, devido ao mundo hight tec, é acelerado. Hoje, o ontem já é História, tudo se torna acontecimento e que, por haver tantos fatos, já nada é acontecimento. Um mesmo objeto é passível de múltiplas análises. Isso se dá pela constante busca do ser humano de dar sentido ao mundo. “Essa necessidade de dar um sentido ao presente, senão ao passado, é o resgate da superabundância factual que corresponde a uma situação que poderíamos dizer de supermodernidade para dar conta de sua modalidade essencial: o excesso” (p.32). Logo, organizar o mundo a partir da
categoria tempo já não mais faz sentido;

b) as constantes transformações espaciais, a mobilidade social, a troca de bens e serviços e o enorme fluxo de informação dão impressão de que o mundo encolheu. Este encolhimento provoca alteração da escala em termos planetários através da concentração urbana, migrações populacionais e produção de não-lugares – aeroportos, vias expressas, salas de espera, centros comerciais, estações de metrô, campos de refugiados, supermercados, etc., por onde circulam pessoas e bens. Hoje, estamos inseridos em todos os lugares, mesmo nos lugares mais longínquos;

c) estes fatores enfraquecem as referências coletivas, gerando um individualismo exacerbado, porém sem identidade. Portanto, o chamado não-lugar caracteriza-se por não ser relacional, identitário e histórico. Como exemplo de não-lugares, podemos
citar as auto-estradas, os aeroportos e os supermercados. Há também aqueles lugares outrora promotores do mundo operário, hoje vistos como espaço para aqueles que não possuem emprego, pessoas sem abrigo por motivos diversos.

São não-lugares por acolher, mesmo que provisoriamente, homens e mulheres que pela intolerância de nossa ordem social, viram-se constrangidos à expatriação urbana.

Outra característica destacada pelo autor dos não-lugares é que estes são permeados de pessoas em trânsito. São espaços de ninguém, não geradores de identidade. Lá, você ou eu, não importa, somos apenas mais um.

Em oposição aos não-lugares está o espaço antropológico, necessariamente criador de identidade, fomentador de relações interpessoais; move-se num tempo e no espaço estritamente definidos, “[…] é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem o observa” (p. 51). São identitários, relacionais e históricos.

É criador de identidade por trazer em si o lugar do nascimento, da intimidade do lar, das coisas que são nossas. Demarca, de forma precisa, as fronteiras entre eu e os outros. É histórico porque fala da história nativa sem considerar a história como ciência.

Em oposição, os não-lugares não se definem como identitários, relacionais ou históricos. Através dos não-lugares se descortina um mundo provisório e efêmero, comprometido com o transitório e com a solidão. Os não-lugares são uma nova configuração social, característica de uma época que se define pelo excesso de fatos, superabundância espacial e individualização das referências. Nesse sentido, de acordo com o autor, apresenta-se ao antropólogo um novo objeto, ou seja, a contemporaneidade a ser estudada nas suas contradições e complexidades. Pensar a cidade não é insistir em apropriar-se ou em querer pertencer a um bairro, mas estudar os recursos urbanísticos, os equipamentos e serviços que permitem ao citadino superar o estranhamento de um território pouco familiar e orientar-se em um universo de estranhos.

O livro é indicado a todos aqueles que procuram entender melhor o mundo à sua volta, mas especificamente para os antropólogos urbanos que visam lançar um novo olhar para a cidade; para pastores e líderes evangélicos tal leitura é indicada pela sua fácil compreensão, além de proporcionar novos conhecimentos da realidade que nos cerca para uma prática pastoral contextual e relevante.
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AUGÉ, Marc. Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da
supermodernidade. São Paulo: Papirus, 1994, 111 páginas.


João Luis Binde
Resenha

Fonte : ANTROPOS – Revista de Antropologia – Volume 2, Ano 1, Maio de 2008 – ISSN 1982-1050


Augé afasta-se do termo pós-modernidade preferindo utilizar a palavra supermodernidade para dar a idéia de continuidade. Na modernidade atual observamos mais fatores de aceleração, como do tempo, do que de ruptura. Em suas palavras: “quanto ao termo pós-modernidade, muitos o empregam, inclusive alguns antropólogos norte-americanos, para dar a idéia de pós como coisa completamente diferente. Mas não podemos entender o que acontece hoje sem fazer referência ao século XVIII. 0, e me parece perigoso pensar apenas a partir do respeito à diversidade. A diversidade, em princípio, é uma coisa boa, mas não
sistematicamente. É preciso pensar a cultura, a diversidade, a identidade,
sempre em movimento, nunca de maneira fixa.” (Entrevista dada ao jornal
argentino Página/12, 11-04-2007).

A antropologia passa por uma brusca mudança. Seu objeto, outrora “distante”, exótico, agora converge para o que Auge chama de antropologia do próximo. O que se coloca em debate em “Não-Lugares: Introdução a uma Antropologia da Supermodernidade” é o próprio status da antropologia na contemporaneidade, qual o grau de apreensão das sociedades complexas pelo método antropológico? Neste sentido, propõe uma nova postura no que concerne a reflexão sobre a contemporaneidade diante do deslocar da discussão do método para o objeto.

No livro em questão, Augé define os chamados não-lugares como um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade. Na busca de fundamentar sua assertiva, discute a capacidade efetiva da antropologia analisar e compreender a sociedade de hoje, mcaracterizada por ele como supermodernidade. As principais características desse novo tipo de organização social são por ele destacadas:

a) um novo entendimento da categoria de tempo. O ideal de progresso humano é frustrado diante de guerras, genocídios, intolerância, violência. Somado a isto, a categoria tempo, devido ao mundo hight tec, é acelerado. Hoje, o ontem já é História, tudo se torna acontecimento e que, por haver tantos fatos, já nada é acontecimento. Um mesmo objeto é passível de múltiplas análises. Isso se dá pela constante busca do ser humano de dar sentido ao mundo. “Essa necessidade de dar um sentido ao presente, senão ao passado, é o resgate da superabundância factual que corresponde a uma situação que poderíamos dizer de supermodernidade para dar conta de sua modalidade essencial: o excesso” (p.32). Logo, organizar o mundo a partir da
categoria tempo já não mais faz sentido;

b) as constantes transformações espaciais, a mobilidade social, a troca de bens e serviços e o enorme fluxo de informação dão impressão de que o mundo encolheu. Este encolhimento provoca alteração da escala em termos planetários através da concentração urbana, migrações populacionais e produção de não-lugares – aeroportos, vias expressas, salas de espera, centros comerciais, estações de metrô, campos de refugiados, supermercados, etc., por onde circulam pessoas e bens. Hoje, estamos inseridos em todos os lugares, mesmo nos lugares mais longínquos;

c) estes fatores enfraquecem as referências coletivas, gerando um individualismo exacerbado, porém sem identidade. Portanto, o chamado não-lugar caracteriza-se por não ser relacional, identitário e histórico. Como exemplo de não-lugares, podemos
citar as auto-estradas, os aeroportos e os supermercados. Há também aqueles lugares outrora promotores do mundo operário, hoje vistos como espaço para aqueles que não possuem emprego, pessoas sem abrigo por motivos diversos.

São não-lugares por acolher, mesmo que provisoriamente, homens e mulheres que pela intolerância de nossa ordem social, viram-se constrangidos à expatriação urbana.

Outra característica destacada pelo autor dos não-lugares é que estes são permeados de pessoas em trânsito. São espaços de ninguém, não geradores de identidade. Lá, você ou eu, não importa, somos apenas mais um.

Em oposição aos não-lugares está o espaço antropológico, necessariamente criador de identidade, fomentador de relações interpessoais; move-se num tempo e no espaço estritamente definidos, “[…] é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem o observa” (p. 51). São identitários, relacionais e históricos.

É criador de identidade por trazer em si o lugar do nascimento, da intimidade do lar, das coisas que são nossas. Demarca, de forma precisa, as fronteiras entre eu e os outros. É histórico porque fala da história nativa sem considerar a história como ciência.

Em oposição, os não-lugares não se definem como identitários, relacionais ou históricos. Através dos não-lugares se descortina um mundo provisório e efêmero, comprometido com o transitório e com a solidão. Os não-lugares são uma nova configuração social, característica de uma época que se define pelo excesso de fatos, superabundância espacial e individualização das referências. Nesse sentido, de acordo com o autor, apresenta-se ao antropólogo um novo objeto, ou seja, a contemporaneidade a ser estudada nas suas contradições e complexidades. Pensar a cidade não é insistir em apropriar-se ou em querer pertencer a um bairro, mas estudar os recursos urbanísticos, os equipamentos e serviços que permitem ao citadino superar o estranhamento de um território pouco familiar e orientar-se em um universo de estranhos.

O livro é indicado a todos aqueles que procuram entender melhor o mundo à sua volta, mas especificamente para os antropólogos urbanos que visam lançar um novo olhar para a cidade; para pastores e líderes evangélicos tal leitura é indicada pela sua fácil compreensão, além de proporcionar novos conhecimentos da realidade que nos cerca para uma prática pastoral contextual e relevante.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

The Guardian:The greatest films of all the time/6

The Guardian:The greatest films of all the time/6

Horror,


1 - Horror - Psycho Alfred Hitchcock
Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles
1968 USA


2 - Horror - Rosemary’s Baby Roman Polanski
John Cassavetes, Mia Farrow, Ruth Gordon
1968 USA

3 - Horror - Don’t Look Now Nicholas Roeg
Donald Sutherland, Hilary Mason, Julie Christie
1973 USA

4 - Horror - The Wicker Man Robin Hardy
Britt Ekland, Christopher Lee, Edward Woodward
1973 UK

5 - Horror - The Shining Stanley Kubrick
Danny Lloyd, Jack Nicholson, Shelley Duval
1980 USA

6 - Horror - The Exorcist William Friedkin
Ellen Burstyn, Linda Blair, Max von Sydow
1973 2 oscar USA

7 - Horror - Nosferatu (1922) FW Mernau
Alexander Granach, Greta Schroder, Gustav von Wangenheim, Max Schreck
1922 Germany

8 - Horror - Let the Right One In Tomas Alfredson
Henrik Dahl, Kare Hedebrant, Karin Bergquist, Lina Leandersson, Per Ragnar, Peter Carlberg
2008 Sweden

9 - Horror - Vampyr Carl Theodor Dreyer
Henriette Gérard, Henriette Gerard, Julian West, Sybille Schmitz
1922 Germany

10 - Horror - Peeping Tom Michael Powell
Anna Massey, Carl Boehm, Esmond Knight, Karl Bohm, Maxine Audley, Moira Shearer
1960 UK

11 - Horror The Innocents Jack Clayton
Clytie Jessop, Deborah Kerr, Michael Redgrave, Peter Wyngarde
1961 USA

12 - Horror Ringu Hideo Nakata Nanako Matsushima, Hiroyuki Sanada, Rikiya Otaka
1998 Japan

13 - Horror - The Haunting Robert Wise
Claire Bloom, Julie Harris, Richard Johnson
1963 USA

14 - Horror - Texas Chainsaw Massacre Tobe Hooper
Edwin Neal, Jim Siedow, Marilyn Burns, Paul A Partain
1974 USA

15 - Horror - Dead of Night Alberto Cavalcanti,
Charles Crichton, Googie Withers, Mervyn Johns, Michael Redgrave
1945 UK

16 - Horror - The Cabinet of Dr Caligari Robert Wiene
Conrad Veidt, Lil Dagover, Werner Krauss
1920 Germany

17 - Horror Halloween John Carpenter
Donald Pleasance, Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Nancy Loomis, Tony Moran
1978 USA


18 - Horror - Bride of Frankenstein James Whale
Boris Karloff, Colin Clive, Elsa Lanchester
1935 USA

19 - Horror - Les Diaboliques Henri-Georges Clouzot
Paul Meurisse, Simone Signoret, Vera Clouzot
1955 USA

20 - Horror - Audition Miike Takashi
Eihi Shiina, Ishibashi Renji, Ishibashi Ryo, Matsuda Miyuki, Renji Ishibashi, Ryo Ishibashi, Shiina Eihi
1958 UK

21 - Horror - Dracula (1958) Terence Fisher
Christopher Lee, Melissa Stribling, Michael Gough, Peter Cushing
1958 UK

22 - Horror - The Blair Witch Project Daniel Myrick,
E Sanchez, Heather Donahue, Joshua Leonard, Michael C. Williams

23 - Horror - Evil Dead/Evil Dead II Sam Raimi
Betsy Baker, Bruce Campbell, Ellen Sandweiss
1981/1987 USA

24 - Horror - Carrie Brian De Palma
John Travolta, Piper Laurie, Sissy Spacek
1978 USA

25 - Horror - Les Vampires (1915) Louis Feuillade
Edouard Mathe, Marcel Levesque
1915 France.

FCCV - VIOLÊNCIA, MÍDIA E SAÚDE: POR OUTRA CRÔNICA

Leitura de fatos violentos publicados na mídia
Ano 10, nº 36, 25/10/10



FCCV - Forum Comunitário de Combate à Violência
Leitura de fatos violentos publicados na mídia
Ano 10, nº 36, 25/10/10

VIOLÊNCIA, MÍDIA E SAÚDE: POR OUTRA CRÔNICA


Da resignação diante da falta de escolha emerge como sentido comum a idéia de que a morte é certa. Esta clareza, entretanto, não resulta em subjetiva aceitação, ao contrário, a preferência pela vida e a tentativa de adiar o seu fim são uma constante. Temos encontrado um tipo específico de “morte certa” cujo sentido é perverso, dada a natureza evitável deste tipo de fenecimento em contraste com a sua sistemática ocorrência. As mortes por violência não correspondem ao esgotamento da estrutura interna do organismo humano, ao contrário, em sua grande maioria as vítimas têm as vidas interrompidas por causas externas ao funcionamento de seus corpos.

Uma das maneiras de se evidenciar o quanto têm sido cotidianas estas mortes é através da oferta diária de produtos midiáticos a elas relacionadas de tal modo que aos leitores de jornais, aos ouvintes de rádio ou aos telespectadores têm sido assegurados produtos diários baseados na freqüente produção de óbitos violentos. Esse oferecimento regular tem minado o espanto que expressaria sentido de impropriedade quanto a este modo de morrer.

Toda segunda-feira é dia de balanço, feito pela mídia, das mortes violentas registradas no fim de semana. A forma de expressão prevalecente é de natureza quantitativa. Entre os jovens, pobres, negros, com pouca escolaridade e moradores de bairros populares este é o tipo de óbito predominante. E esse predomínio tem forjado um lento e impregnante processo de naturalização deste modo de falecer.

O incremento de óbitos no final de semana não indica a suspensão da tragédia ao longo dos outros dias, quando a produção de danos letais tende a ficar menor, porém mantida. Neste cotidiano de medo, a morte é a manifestação mais exacerbada de violência e aquela que, nas circunstâncias atuais, tem maior poder/chance de ser selecionada pela mídia. Os sintéticos registros de letalidade violenta ocultam os detalhes de cada caso e as inúmeras formas de agressões que se multiplicam cotidianamente sem interromper a vida. É possível sugerir que os anúncios destas mortes são sinais comprometedores da vida no ambiente de origem do morto, à semelhança dos casos de dengue e de outras enfermidades contagiosas.

A regularidade de mortes evidencia que a violência, vista como problema de saúde, não pode ser representada como epidemia, pois implicaria em surto repentino, uma forma aguda que foge aos padrões habituais. Em vez disso, dado ao caráter regular de sua freqüência, o fenômeno é mais bem definido pela idéia de endemia. Considerando-se o alto número de indivíduos feridos com gravidade e os mortalmente vitimados, o problema deve ser qualificado como grave endemia, comparável a uma doença crônica que coloca em permanente risco fatal os indivíduos que têm predisposição ou possuem atributos que os tornam mais vulneráveis a serem acometidos por ele.

Chega-se, então, à confluência entre dois empregos da expressão crônica. Primeiramente, têm-se as mortes violentas expressas pela crônica midiática e, em segundo lugar, a violência como problema crônico de saúde em nossos dias. Na primeira posição, está uma poderosa forma de representar a problemática para a sociedade, entendida como público receptor ou como opinião pública. Na segunda formulação, reside um desafio no que tange à necessidade de se alcançar consenso social a propósito da pertinência entre o referido problema e seu pertencimento ao domínio da saúde.

Através da crônica midiática fica bem estabelecido o caráter recorrente da questão, entretanto, esta “normalidade” é frequentemente associada ao domínio policial, não havendo, ordinariamente, cogitações sobre seu vínculo com a saúde. Tem-se assim, um estilo de fenecimento sobre o qual a área sanitária não é cogitada para o combate ou para a explicação ou responsabilidade. É como se a tipicidade das mortes e dos agravos por razões violentas suspendesse o vínculo costumeiro entre ferimentos e mortes com o campo da saúde.

Esta suspensão, cultivada pela mídia e consolidada pelas “razões” da vida prática, tem efeito sobre o modo com que se concebem as soluções para o problema, exigindo-se, por exemplo, do universo policial a responsabilidade total no que se refere à saída para a crônica dificuldade. Ficam obscurecidas dimensões do problema, entre as quais a sua natureza sanitária. Esta ocultação, por sua vez, empobrece as respostas que visam à superação do quadro endêmico de violência em nossa vida.

Valeria à pena contar com o suporte da crônica midiática para dar lastro à noção de violência como grave problema de saúde coletiva nos dias atuais.

LENDO "NÃO-LUGARES" DE MARC AUGÉ (4)

Fonte/ Referência - Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 1, n. 2, p. 270-271,jul./set. 1995


AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da
supermodernidade


Flávia Rieth
Universidade Federal de Pelotas – Rio Grande do Sul - Brasil

A convergência dos etnólogos para uma antropologia do próximo, conforme Marc Augé em Não-Lugares: Introdução a uma Antropologia da Supermodernidade, coloca a questão da antropologia da contemporaneidade. Onde: “da supermodernidade, poder-se-ia dizer que é o lado ‘cara’ de uma moeda da qual a pós-modernidade só nos apresenta o lado ‘coroa’ – o positivo e o negativo” (p. 33). Propõe uma reflexão renovada sobre contemporaneidade ante o deslocamento da discussão do método para o objeto.

A supermodernidade é caracterizada pelas figuras de excesso: superabundância factual, superabundância espacial e individualização das referências, correspondendo a transformações das categorias de tempo, espaço e indivíduo.

A renovação da categoria tempo se concretiza no aceleramento da história através do excesso de informações e da interdependência do “sistemamundo”, criando a necessidade de dar sentido ao presente – diferentemente da perspectiva pós-moderna sobre a perda da inteligibilidade da história em função da derrocada da idéia de progresso. O excesso de espaço, paradoxalmente, constitui-se pelo encolhimento do mundo, que provoca alteração da escala em termos planetários através da concentração urbana, migrações populacionais e produção de não-lugares – aeroportos, vias expressas, salas de espera, centros comerciais, estações de metrô, campos de refugiados, supermercados, etc., por onde circulam pessoas e bens. O indivíduo que se crê o centro do mundo, tornando-se referência para interpretar as informações que lhe chegam, constitui- se a terceira figura de excesso. O processo amplo de singularização de pessoas, lugares, bens e pertencimentos faz o contraponto com um processo de relacionamento tal qual o da mundialização da cultura.

Os não-lugares, produtos da contemporaneidade, opõem-se à noção de lugar antropológico, designado desde Mauss por uma tradição fundada na idéia de totalidade. O lugar antropológico, mais do que o lugar do encontro do antropólogo com o nativo, é como a segunda natureza deste último. Nele os nativos vivem, celebram sua existência, residem, trabalham, guardam as suas fronteiras.

Esse lugar foi escolhido pelos ancestrais, é o lugar dos descendentes, um lugar a ser defendido, ou seja, “[…] é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem o observa” (p. 51). O lugar antropológico se define como identitário, relacional e histórico.

Identitário porque o lugar de nascimento, as regras de residência, etc., são como uma inscrição no solo que compõe a identidade individual. Referências compartilhadas que designam fronteiras marcam a relação com seus próximos e os outros. Por fim, é histórico na medida em que os nativos vivem na história.

Em oposição, os não-lugares não se definem como identitários, relacionais ou históricos. Através dos não-lugares se descortina um mundo provisório e efêmero, comprometido com o transitório e com a solidão. Os não-lugares são a medida de uma época que se caracteriza pelo excesso factual, superabundância espacial e individualização das referências, muito embora os lugares e não-lugares sejam polaridades fugidias. Nesse sentido, conforme Augé, apresenta- se ao antropólogo um novo objeto, ou seja, a contemporaneidade a ser estudada nas suas contradições e complexidades, não como uma oposição a uma modernidade perdida.

_______

AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da
supermodernidade. Campinas: Papirus, 1994. (Coleção Travessia do Século).

FCCV - VIOLÊNCIA: ONDE E QUANDO NÃO SE ESPERA

FORUM COMUNITÁRIO DE COMBATE À VIOLÊNCIA (FCCV)

Salvador - Bahia - Brasil

VIOLÊNCIA: ONDE E QUANDO NÃO SE ESPERA




Foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos, morreu na manhã da última quarta-feira de setembro de 2010, alvejado por uma bala de calibre 38. Colocada de modo assim genérico, esta informação não permite situar o evento funesto diante da ampla possibilidade de que essa mensagem corresponda a muitas ocorrências salpicadas pelo País; afinal esta forma de óbito é corriqueira em nossos dias.


Tinha nove anos e foi morto na sala de aula de uma escola particular de uma cidade de São Paulo. Esses dados retiram o caso da condição de generalidade, desembaciam a visão dando-lhe foco e, portanto, condições facilitadas para a atenção. Abre-se a possibilidade para a lembrança de um rosto de um menino de cabelos pretos e lisos, de sorriso aberto, que tocava violino na igreja, conforme dizem seus entristecidos pais e outros parentes.

Este caso mobiliza outra forma de percepção da morte violenta. É uma criança morta em uma escola particular e não um menino alvejado por uma bala perdida em ambiente tornado incompatível com a idéia de proteção. Os pais pagam e acreditam que naquele local os filhos estão a salvo dos riscos e ameaças que rondam a cidade. E a falha em relação a esta expectativa confere ao caso um caráter excepcional. Indiretamente não é a morte que é discutida, mas o seu lugar no espaço social.

A indignação tenderia a ser menor se a ocorrência fosse registrada em escola da rede pública e, menor ainda, se o local fosse via pública de uma favela. Um outro fator que contribui para uma atenção mais consistente e inconformada diz respeito à idade da vítima que, conforme mencionado, morreu aos nove anos. Os óbitos violentos corriqueiros têm vitimado, preferencialmente, adolescentes e jovens pobres, afrodescendentes, com escolaridade e qualificação profissional precárias.

No caso em tela, a expressão de inconformismo se sobressai a partir da localização do feito violento em espaço escolar privado e religioso, demonstrando-se a existência de uma aposta em relação à segurança neste domínio espacial. É contra esta esfera que são feitas as acusações que evidenciam a frustração das expectativas familiares: como foi permitida a entrada de arma? Por que limparam o local do crime? Por que a escola não deu a devida atenção à denúncia de uma avó cujo neto levou para casa um projétil ofertado por um coleguinha?

Não há como resistir a uma reflexão: é provável que o ambiente escolar privado tenha dificuldade de se desembaraçar destas questões sem se confrontar com os interesses e pudores de seus clientes. É mais fácil colocar nas regras de conduta que as alunas não podem usar maquiagem do que recomendar que não tragam armas de fogo. Seria ofensiva aos clientes uma recomendação explícita neste sentido, afinal, ideologicamente, eles são a própria representação de civilidade, de bom senso e de prudência. Neste sentido, uma exigência contra o porte de armas na escola poderia soar como grosseira e desrespeitosa.

A perspectiva que orienta a proteção através da idealização de espaços imunes à insegurança tem fechado os olhos para a natureza incontinente da violência. É da violência a prática de atravessar fronteiras, pular muros e se replicar incontrolavelmente como, por exemplo, pelo viés “pueril” que reside na vontade de brincar com um revólver, de fazer uma aventura deflagrando uma bala. Esta extravagância resultou no tiro contra o garoto Miguel e, deste fato gravíssimo, seguiram outros desencantamentos: a arma perdida, o socorro inadequado, a limpeza do local de ocorrência da morte.

Esta mesma linha de orientação tende a atribuir a violência a grupos rotulados como representantes do mal em relação aos quais é tecida uma cultura de evitação. São estes adversários imaginados que explicam a energia despendida em torno adoção de esquemas de segurança privada que têm conformado um verdadeiro estilo de vida. Cresce, assim, a distância entre o empenho para tornar realidade o direito à segurança pública e a busca por proteção privada. Essa perspectiva privatista tem sido adotada por setores mais aquinhoados da sociedade em substituição da reivindicação ou pressão política em torno das garantias legais de proteção e direito à vida. É incrementado, pois, o consumo de equipamentos e serviços de segurança, evidenciando-se um descrédito em relação às respostas de natureza pública para o problema. Por este prisma, fica valorizada a idéia de proteção própria contra todos e, ao lado desse princípio, são adotados vários recursos, inclusive armamentícios. Talvez, a arma que feriu o garoto Miguel seja exemplo desta desastrosa busca por “garantias”.


Levado a este nível de efeito, cabe refletir sobre questões complicadas que estão se apresentando como razoáveis, entre as quais o estímulo e o fascínio em torno de comportamentos violentos com emprego de aparatos geradores de danos irreversíveis ao alcance das crianças. Este traço de incitação à violência tem sido defendido como elemento de seu combate. Diante desta arriscada distorção, cabe lembrar que para a insegurança que nos atinge não há fórmula de salvação individual/privada sem que o remédio não se transforme em mais um fator de risco, sem falar da inutilidade dos “produtos placebos” ofertados pelo mercado da proteção particular.

domingo, 24 de outubro de 2010

MUNDO ... HAITI: EPIDEMIA DE CÓLERA MATA CENTENAS

MUNDO VASTO MUNDO

HAITI: EPIDEMIA DE CÓLERA MATA CENTENAS

AI DE TI.

The Guardian: the greatest films of all the time/5

The Guardian: the greatest films of all the time/5


11 - Romance - All That Heaven Allows Douglas Sirk
Jane Wyman, Rock Hudson
1955 USA

12 - Romance - Gone with the Wind Leo McCarey
Cary Grant, Deborah Kerr, Richard Denning, Anne Vernon,
1957 UK


13 - Romance - An Affair to Remember Leo McCarey
Cary Grant, Deborah Kerr, Richard Denning
1957 USA

14 - Romance - Umbrellas of Cherbourg Jaques Demy
Catherine Deneuve, Nino Castelnuovo
1964 France


15 - Romance - Lost in Translation Sofia Coppola
Bill Murray, Giovanni Ribisi, Scarlett Johansson
2003 1 oscar USA


16 - Romance - Roman Holiday William Wyler
Audrey Hepburn, Gregory Peck
1953 3 oscar USA

17 - Romance - Wall-E Andrew Stanton
Ben Burtt, Fred Willard, Jeff Garlin, Kathy Najimy, Sigourney Weaver
2008 1 oscar USA

18 - Romance - My Night With Maud Eric Rohmer
Françoise Fabian, Jean-Louis Trintignant
1969 France

19 - Romance - Voyage to Italy Roberto Rossellini
Ingrid Bergman
1954 Italy

20 - Romance - Dr Zhivago David Lean
Geraldine Chaplin, Julie Christie, Omar Sharif
1965 5 oscar USA

21 - Romance - Harold & Maude Hal Ashby
Bud Cort, Cyril Cusack, Ruth Gordon, Vivian Pickles
1971 USA

22 - Romance - When Harry Met Sally Rob Reiner
Billy Crystal, Bruno Kirby, Carrie Fisher, Meg Ryan
1989 USA

23 - Romance Say Anything.... Cameron Crowe
John Cusack, Ione Skye, John Mahoney
1989 USA

24 - Romance Fabulous Baker Boys Steve Kloves
Beau Bridges, Jeff Bridges, Michelle Pfeiffer
1989 USA

25 - Romance - A Matter of Life & Death Emeric Pressburger
Michael Powell David Niven, Kim Hunter, Raymond Massey, Richard Attenborough, Roger Livesey
1946 UK


(Amanhã, segunda-feira, mais filmes, mais história)

CRÔNICA : QUANDO COMEÇA E TERMINA O DOMINGO?

CRÔNICA DOMINICAL: QUANDO COMEÇA E TERMINA O DOMINGO?

Crônica Dominical de 24 de outubro/2010

Vicente Deocleciano Moteira



Afinal, quando começa e quando se finda, efetivamente, o dia de domingo?

O sábado começa na fração de segundo após a meia noite ... hora liminar entre a sexta e o sábado; e então, sempre está no sábado quem está na festa, nos bares, depois desse fragmento temporal pós meia noite ... entre a sexta e o sábado.

E o domingo? Quem quem está na festa, nos bares, depois do fragmento temporal pós meia noite ... entre sábado e domingo ... nunca está no domingo, e sim na extensão (extensão artificial? - tudo bem!) do sábado.

Domingo é o único dia da semana que não começa após a meia noite. Faz parte do ser do Domingo que ele comece quando o primeiro raio de sol começa a iluminar a Terra, em qualquer parte desse planeta em que se está domingando. Mesmo para quem - na festa, nos bares, insone ou diante da TV - atravessou a fronteira sexta/sábado
o Domingo só acontecerá mesmo ao alvorecer desse belo dia.

É um dia tão especial, o Domingo, que é o unico que não começa no pós meia noite do dia anterior, porém ele paga um preço muito alto por isso: o de não ter noite, porque ele termina às 18 horas. Domingo à noite não existe; quando as sombras da noite cobrem algum pedaço do planeta já não mais há domingo. E sim, um ensaio, uma prévia, da manhã de segunda-feira.

Bom Domingo e, desde já, boa segunda-feira.

Vicente

LENDO "NÃO-LUGARES" DE MARC AUGÉ (3)

LENDO "NÃO-LUGARES" DE MARC AUGÉ (3)

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Nota do Blog

A postagem de hoje - domingo - apresenta, na íntegra, o instigante Prólogo do livro "Não-Lugares" de Marc Augé. Vale à pena citá-lo/postá-lo integralmente pois não há quem não se identifique, em alguma medida, com o 'personagem' augeriano Pierre Dupont.

Referência:

AUGÉ, Marc. Prólogo. In: Não-Lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. /Non-lieux - intrudcction à une anthropologie de la surmodernité/ Trad. Maria Lúcia Pereira. Papirus, Campinas (São Paulo), 1994 (Coleção Travessia do Século), 111 p.

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PRÓLOGO


Antes de pegar o seu carro, Pierre Dupont quis tirar dinheiro no caixa eletrônico. A máquina aceitou seu cartão e autorizou-o a retirar 1.800 francos. Pierre Dupont digitou, então, as teclas que compuseram 1.800. A máquina solicitou-lhe um minuto de paciência e depois liberou a quantia combinada lembrando-o de pegar o cartão. "Obrigado e volte sempre", concluiu ela, enquanto Pierre Dupont arrumava as notas na carteira.

O trajeto foi fácil: descer até Paris pela auto-estrada A 11 não apresenta problemas numa manhã de domingo. Ele não teve que esperar o acesso, pagou com cartão de crédito no pedágio de Dourdan, contornou Paris pela marginal e chegou a Roissy pela A I.

Estacionou no 2º subsolo (ala J, guardou seu cartão de estacionamento na carteira e, depois,dirigiu-se ao~s balcões de embarque da Air France. Livrou-se com alívio de sua mala (20 quilos exatos), entregou a passagem à agente do tráfego, perguntando-lhe
se poderia ocupar um lugar de fumente no corredor. Sorridente e em silêncio, ela concordou com um aceno de cabeça, após haver verificado no computador, e depois lhe devolveu a passagem e o cartão de embarque. "Portão de embarque B à 18 horas", precisou ela.

Ele se apresentou antecipadamente ao controle de polícia para fazer umas comprar no duty free. Comprou uma garrafa de conhaque (uma lembrança da França para seus clientes asiáticos) e uma caixa de charutos (para seu próprio consumo). Tmou o cuidado de por a nota junto do cartão de crédito.

Percorreu com o olhar, por um momento, as vitrines luxuosas - jóis, roupas, perfumes - , parou na livraria, folheou algumas revistas antes de escolher um livro fácil - viagem, aventura, espionagem - , e depois retomou sem impaciência seu passeio.

Saboreava a impressão de liberdade que lhe davam, ao mesmo tempo, o fato de haver-se livrado da bagagem e, mais intimamente, a certeza de não ter mais que aguardar a seqüência dos acontecimentos, agora que ele se "enquadrara", colocara no bolso o cartão de embarque e declinara sua identidade. "A nós dois Roissy!" Hoje não é nos locais superpopulosos onde se cruzam, ignorando-se, milhares de itinerários individuais, que subsiste algo do encanto vago dos terrenos baldios e dos canteiros de obras, das estações e das salas de espera, onde os passos se perdem, de todos os lugares de acaso e de encontro, onde se pode sentir de maneira fugidia a possibilidade mantida da aventura, o sentido de que só se tem que "deixar acontecer"?

O embarque deu-se sem problemas. Os passageiros cujo cartão de embarque tinha a letra Z foram convidados a se apresentar por último e ele assistiu, divertindo-se ligeiramente, aos leves e inúteis empurrões dos X e Y na saída da passarela de embarque.

Aguardando a decolagem e a distribuição dos jornais, folheou a revista da companhia aérea e imaginou acompanhando com o dedo, o possível itinerário da viagem: Heraklon, Larnaca, Beirute, Dharan, Dubai, Bombaim, Bangcoc - mais de 9 mil quilômetros num piscar de olhos e alguns nomes dos quais se ouve falar de tempos em tempos na atualidade.

Lançou um olhar na tarifa de bordo livre de impostos (duty-free price list), verificou que aceitavam cartões de crédito nos vôos de longo curso, leu com satisfação as vantagens que apresentava a classe "executiva", da qual a generosidade inteligente de sua firma o fazia gozar ("No Charles de Gaulle 2 e em Nova York, salões Le Club permitem que você relaxe, telefone, mande um fax ou use um minitel" ...Além de uma recepção personalizada e de atenção constante, o novo assento Espaço 2000, que equipa os vôos de longo curso, foi concebido mais amplo, com encosto e apoio para a cabeça reguláveis em separado ..."). Concedeu um pouco de atenção ao quadro de comando digital de seu assento Espaço 2000, depois mergulhou novamente nos anúncios da revista, admirando o perfil aerodinâmico de alguns trens, algumas fotos dos grandes hotéis de uma cadeia internacional, apresentados de maneira meio pomposa como "os lugares da civilização" (La Mammounia, em Marrakesh, "que foi palácio antes de ser palace"; o Metrópole de Bruxelas, "onde os esplendores do século XIUX permaneceram bem vivos"). Depois, caiu num anúncio de um carro que tinha o mesmo nome que sua poltrona, Ranault Espace: "Um dia, a anecessidade de espaço se faz sentir ... Isto nos pega de surpresa. Depois, não nos larga mais. O irressistível desejo de ter um espaço para si. Um espaço móvel que nos leve para longe. Teríamos tudo à mão e não nos faltaria nada ..." Como no avião, em suma. "O espaço já está em você ... Nunca se esteve tão em terra quanto no Espaço", concluia agradavelmente o anúncio.

Eles já estavam decolando. Folheou mais rapidamente o resto da revista, concedendo alguns segundos a uma rtigo sobre "O hipopótamo, senhor do rio" que começava por uma evocação da África "berço das lendas" e "continente da magia e dos sortilégios", deu uma olhada numa reportagem sobre Bolonha ("Em toda parte pode-se ficar apaixonado, mas em Bolonha fica-se apaixonado pela cidade"). Um anúncio em inglês de um videomovie japonês reteve por um instante a sua atenção ("Vivid colors, vibrant sound and non-stop action. Make them yours forever") pelo brilho de suas cores. Um refr~]ao de Trenet vinha-lhe com freqüência à mente desde que, no meio da tarde, ele o ouvira no rádio, na estrada, e disse para si mesmo que sua alusão à "photo, vieille photo de ma jeunesse" logo não faria mais sentido para as gerações futuras. As cores do presente para sempre: a câmera congeladora. Um anúncio do cartão Visa acabou de tranqüilizá-lo ("Aceito em Dubai e onde quer que você viaje ... Viaje com confiança com seu cartão Visa").

Lançou um olhar distraído a algumas resenhas de livros e deteve-se, por um instante, por interesse profissional, naquela que resumia uma obra intitulada Euromarketing: "A homogeneização das necessidades e dos comportamentos de consumo faz parte das fortes tendências que caracterizam o novo ambiente internacional da empresa ... Com base no exame da incidência do fenômeno de globalização sobre a empresa européia, sobre a validade e o conteúdo de um euromarketing e sobre as evoluções previsíveis do ambiente do marketing internacional, inúmeras questões são debatidas." A resenha evocava, para terminar, "as condições propícias ao desenvolvimento de um mix o mais estandardizado possível" e "a arquitetura de uma comunicação européia".

Meio pensativo, Pierre Dupont guardou a revista. O aviso "Fasten seat belt"
estava aceso. Ajustou seus fones de ouvido, sintonizou o canal 5 e deixou-se invadior pelo adágio do concerto nº 1 em dó maior de Joseph Haydin. Durante algumas horas (o tempo de sobrevoar o Mediterrâneo, o mar da Arábia e o golfo de Bengala), ele estaria, enfim, só.
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* O minitel é um serviço de microcomputador acoplado ao telefone que permite o acesso a fontes de informações oficiais e particulares de todo tipo (N.T.)