quarta-feira, 13 de abril de 2011

DIVERSÃO ... NAS CULTURAS URBANAS (3)

DIVERSÃO, RECREAÇÃO, LUDICIDADE, E ÓCIO NAS  CULTURAS  URBANAS (3)

"Apressado come cru"
(ditado popular brasileiro)

Vicente Deocleciano Moreira

E vidente que os games não são apenas uma realidade urbana; espaços não urbanos são, mais, dominados por este moderno tipo de jogo; também não são, necessariamente, uma atividade praticada sob  a 'noite eterna' e dentro do aconchego e na condição de  apêndice dos shopping centers. Games  são também diversões domésticas no 'caldeirão' cultural doméstico, onde essa sofisticada  diversão  chegou ao ponto de abrigar a (hoje) velha batalha entre videogames e jogos de computador. No jornal Folha de São Paulo de hoje ( 13 de abril de 2011, p. F10), um artigo esclarecedor de Andté Conti, que transcrevemos na íntegra.  


Do escritório para a sala


Andrté Conti

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Os consoles prosperam e atraem produtoras ligadas ao
 mundo dos PCs, que vivem momento de carestia



Na semana passada, o site Maximum PC reacendeu uma 
velha polêmica: estariam os videogames matando os jogos
 de computador? Todo mundo sabe que a função principal 
de um computador é rodar jogos, e foi nesse ambiente
 privilegiado que a indústria vicejou. Durante anos, os PCs 
estiveram à frente em termos de tecnologia, gráficos, 
número de lançamentos, tudo.


De uns tempos pra cá, a situação mudou. Os PCs 
continuam à frente em tecnologia --qualquer computador 
bem montado deixa esses consoles de última geração
 no chinelo. Mas o cenário é desolador: lançamentos
 esparsos, jogos problemáticos e cada vez menos 
motivos para investir numa máquina possante. Enquanto
 os consoles prosperam, atraindo produtoras tradicionalmente 
ligadas ao mundo dos PCs, os computadores 
vivem um momento de carestia. 

Parte disso, segundo o Maximum PC, é culpa dos 
próprios avanços de hardware. Se uma geração de 
consoles demora cerca de cinco anos para se 
renovar, os computadores galopam quase mês a mês. 
Com as produtoras voltadas aos consoles, ninguém
 quer investir rios de dinheiro para extrair o 
máximo dos PCs de uns poucos privilegiados
 Mas ainda existe um mercado grande, e a solução
 que as produtoras encontraram foi levar os jogos 
de videogame aos PCs, em adaptações sempre
 tardias e fatalmente mal-ajambradas.

Ou seja, o sujeito compra um prédio inteiro, mas 
seus jogos exigem apenas o quartinho nos fundos 
da garagem, que ninguém usa há três anos. 
E ainda é obrigado a lidar com um sistema 
 antipirataria draconiano e hostil, bugs extremos
 e configurações esotéricas. O que no console você
 faz com um botão ("Ligar"), o PC tem potencial de
 converter numa noite de pesquisas, suor e, basicamente,
 trabalho.

Claro que isso sempre foi parte da graça. 
Um verdadeiro jogador não tem medo de chaves 
de fenda, fóruns de internet e adolescentes 
sabichões e insolentes. Encara com galhardia
 a tarefa por vezes desumana de intermediar o 
diálogo entre a máquina e o software.
 E vê com bons olhos uma discussão sobre as 
melhores placas de vídeo. É, enfim, o síndico 
feliz de um computador em bom funcionamento.

Não que eu seja um xiita dos PCs, longe disso.
 Gosto dos consoles na mesma
 medida, mas sinto falta de colocar o
 velho desktop à prova e de jogos que 
levem em conta que
 um computador tem teclado e mouse e
 explorem isso, em vez de adaptar um 
controle de videogame. 
O computador permite uma série de 
gêneros que não existem nos consoles, 
justo por ser bem 
mais flexível. E ninguém passa a noite
 ajustando o fluxo de ar das ventoinhas 
para jogar Paciência.

Os jogos de PC não vão morrer. Enquanto 
houver ao menos uma pessoa nos servidores de 
World of Warcraft (hoje são 12 milhões), 
as produtoras continuarão apostando neles. 
Quem segue fiel ganha público cativo, basta ver 
o sucesso de Starcraft 2 ou Civilization V,
 jogos voltados estritamente aos PCs. Mas
 nenhuma das fabricantes de consoles parece 
interessada em dar início a uma nova geração; 
se tudo que os computadores tiverem a oferecer
 forem os gráficos arrojados, mais e mais gente
 vai migrar do escritório para a sala.

chorume.org


@andreconti

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