quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

ROUPA NOVA PARA O BATISMO RELIGIOSO

No Cristianismo (Catolicismos, Protestantismos ...), crianças ou mesmo adultos vestem uma roupa nova (branca de preferência) para a cerimônia do batismo. Mas não é somente sobre esse tipo de roupa que estamos a refletir.  É, com maior foco, sobre uma veste, uma roupa, chamada linguagem na sua particularidade do nome (chamado próprio) das pessoas. Digo, de cada pessoa. Se João (nome fictício) vai ser batizado na Igreja Católica por exemplo, ele já chega à pia batismal com uma roupa (o nome próprio) com que ele é vestido antes mesmo de nascer. Porém uma vestimenta nova   lhe é sobreposta -  a de cristão/católico – que ele irá usar/justificar no Crisma, no Matrimônio ... pelo resto da vida e para além da morte.

 O próprio cardeal/bispo quando é escolhido papa, pelos seus pares, ele é vestido não só com os paramentos papais (dos sapatos, meias ... à  mitra), mas também com uma roupa nova: o nome papal: João XXIII ... Bento XVI ... Francisco; claro que na identidade civil e no cartão de crédito constará o nome civil (roupa anterior) desse religioso.

No Islã, a cerimônia ‘batismal’ difere – como era de se esperar – das vigentes nas   religiões ocidentais. A criança muçulmana nasce na presença do pai, da mãe, ou de ambos.  Menino ou menina, o pai (ou na ausência deste a mãe) toma a criança aos seus braços, e falando-lhe numa orelha convida-o (a) pelo nome para a prece. E na outra orelha conclama-o(a) para a palavra de testemunho  de Álah único, inimitável e indivisível. Antes da primeira amamentação, o pai (ou a mãe se este não está presente) fricciona algo adocicado no “céu da boca” (no palato) do bebê. Ao cumprir esse ritual, do ponto de vista antropológico há sim uma nova veste sobre o   corpo do(a) recém   nascido(a): a ETERNA FIDELIDADE  a Álah, para além da vida, para além da morte.
 Não existe na religião mulçumana o fenômeno da conversão. Pois   todo(as), em qualquer lugar do Mundo,  já nascem sob as graças de Álah ... e a ele, desde então, lhe tem que ser  FIEL.


Os INFIÉIS   -  ou seja,   aquele(as) que são batizados em qualquer outra religião – se desejarem tornar-se muçulmano(a) terão que fazer a Reversão: voltar ao amparo de Álah onde nasceram e  de onde jamais deveriam ter saído ou ter sido afastado. Ao fazer a Reversão, o(a) neófito(a) muda o nome (roupa) anterior para um nome (vestimenta simbólica) próprio de configuração linguística e significado religioso árabes. Sob o ponto de vista antropológico este novo nome é sua nova roupa. Cassius Clay, famoso e premiado boxeador   norte americano, teve seu nome mudado para Mohamed Ali ao se  Reverter para a religião muçulmana.  

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