domingo, 18 de julho de 2010

CHÃO (2) ... HERÁCLITOS DAS PEDRAS URBANAS

CHÃO (2)HERÁCLITOS DAS PEDRAS URBANAS


Vicente Deocleciano Moreira

Abriamos as alas desta nove série de postagens com dois mestres sala da Música Popular Brasileira (MPB), Chico Buarque e Francis Hime, e sua obra d'arte intitulada VAI PASSAR.
Nada mais heraclitiano que esse título. O filósofo grego Heráclito (540 - 470 antes de Cristo ) nos alertou que "sobre os que mergulham passam diferentes águas". Em outras palavras, 'ninguém mergulha duas vezes nas mesmas água de um mesmo rio'.


Queremos refletir e discutir sobre os calçamentos ("cabeça de nêgo", paralelepípedos, pedras portuguesas, lajotas ...) e os trilhos (ainda que sem uso urbano atual) de bondes e trens dos centros antigos das cidades; mais particularmente, sobre coo estes equipamentos são guardiães da memória dos acontecimentos (festas, funerais, desfiles cívicos, fatos cotidianos ...) que marcam a história de uma cidade.

O VAI PASSAR aponta para um futuro (mais póximo,menos próximo) em que, mais uma vez e celebrando o "mito do eterno retorno", passará o desfile carnavalesco, burlesco por excelência, e seus napoleões retintos (negros fantasiados com o uniforme do francês Napoleão Bonaparte), barões famintos, ou seja, pessoas que, durante todo o ano, sacrificaram a comida, a alimentação sua e da família para, enfim, comprar a fantasia de barão. E experimentar a glória, apoteose. a felicidade ("Ai que vida boa, ô lerê, ai que vida boa, ô lará") de sair numa escola de samba (Rio de Janeiro) ou num bloco de frevo (Recife), por exemplo.

Em VAI PASSAR, os paralelepípedos deixam a condição de seres brutos para, entes vivos, exalarem sua almas de memória:

Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais



Todos os foliões passarão seus pés e carros aleg´ricos sobre o calçaento da velha cidade. E a cada passagem, cada pedra não será mais a mesma que fora antes. Tudo muda, as pedras mudam a cda pisada que sobre elas desferimos.

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