domingo, 6 de dezembro de 2015

SE O SUJEITO LÍRICO AGNÓSTICO DE GIL QUISER FALAR COM DEUS ...

SE O SUJEITO LÍRICO AGNÓSTICO DE GIL QUISER FALAR COM DEUS ...

https://www.youtube.com/watch?v=qcbDHsWgEOA


{Tenho que caminhar pela estrada que no fim não vai dar em nada. Nada do que eu pensava encontrar ...}


Na avenida mais importantes da mais importante cidade do mais importante país, dois numerosos e conflituosos grupos trocam xingamentos, ódios e desamabilidades.


O outro, ateu, prega e doutrina defendendo que Deus não  existe.

Da varanda do terceiro andar, em pé e sorvendo uma xícara de café brasileiro de exportação, está o agnóstico.

Vários crentes, de lá de baixo, se dirigem a ele e o convidam: "vem pra rua!"

Diversos ateus, de lá de baixo, se dirigem a ele e o convidam: "vem pra rua!" 

Indiferente aos gentis  convites e sorridente,  o agnóstico cumprimenta a todos, sem distinção de grupo, crença ou ateísmo, e  elevando sua xícara de café e grita: "saúde!" ... mas permanece onde está ...  agora sentado à sua cadeira preferida.

Para o agnóstico, é inútil e ocioso o debate: Deus existe X Deus não existe, porque se Deus existir é impossível que Ele fale com o fiel tanto é impossível que este com ele fale mesmo através da oração, da prece, ritos, etc. Se Deus não existir ... Num caso e n'outro, de todo o  modo Ele não falará para que não caia no esgoto comum a todo ser humano: falta/desejo, imperfeição, linguagem e, et pour cause,  impossibilidade de ser, fazer, conhecer e de dizer tudo ... apesar da "sede de viver tudo ..." (Milton Nascimento). Se Ele falar deixará de ser Ele, onipotente, onipresente, onisciente, sábio, perfeito, infalível e outras virtudes (?) que preenchem as fantasias do mamífero falante.
Se Ele falar, reflete o agnóstico, sua fala se transfigurará em que idioma: coreano ?, inglês? árabe? ... qual será o Seu olhar, gestos ... culturalmente chancelados por um (e zilhões ) desses idiomas?

[".. se Deus não existisse tudo seria permitido" (Dostoievski - "Os irmãos Karamazov)

"... se Deus não existisse seria preciso inventá-lo" (Voltaire)]


Na composição "Se eu quiser falar com Deus" de Gilberto Gil, o sujeito lírico tem que fazer tanta coisa (ouçam a música, senhore(a)s ...!) se ele desejar falar com Deus que se torna impossível ele com Ele falar e Ele falar com ele. Falar é dialogar.

João diz a Maria: "Quero falar com você!" .Ela levanta o nariz, dá-lhes as costas e sai. Claro que houve diálogo; ela lhe espondeu.

Humanos só não falam com quem não fala: gato, cachorro, papagaio. Ah!, um ditado popular: "Quem fala demais dá bom dia a cavalo"

Tenho que caminhar pela estrada que no fim não vai dar em nada. Nada do que eu pensava encontrar ...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

ITAPAGIPE NÃO EXISTE. ITAPAGIPE EXISTE (SALVADOR - BA - BRASIL)

ITAPAGIPE NÃO EXISTE. ITAPAGIPE EXISTE

... e nunca, por assim dizer, existiu. Em tempos d'antanho, chegar a Itapagipe era bastante difícil, fosse a cavalo,  charrete ou a carro-de-bois. Mais fácil, talvez, a pé. A embrionária  península era dominada por mangues e arrebentações nem sempre calmas. Tanto quanto o que chamamos de Comércio foi, a exemplo de  Itapagipe  o resultado - bem sucedido até o momento - de insistentes aterros ao mar. 

Basta dizer que, no hoje chamado Comércio,  o mar quebrava na atual  Rua Guindaste dos Padres, ao pé da encosta, da falha geológica. 

O mar quando  quebrava naquela, hoje extinta, praia ...  era bonito.

Os padres jesuítas, através de guindastes, subiam e desciam mercadorias trazidas pelos barcos, puxando e soltando guindastes desde o Colégio (depois Faculdade de Medicina) situado no largo (escola a céu aberto de catequese de índios) depois chamado Terreiro de Jesus.

O mar batia na parte baixa do "adro" do prédio da Associação Comercial da Bahia e seu belo barroco inglês.

Pelo menos até os anos setenta, século XX, moradores de .Itapagipe se referiam à Cidade Alta como a cidade - como se Itapagipe não fora também Salvador.  "Quando você vai à cidade?". "Você só compra isso na cidade ... lá  ... nas Duas Américas" (Rua Chile)

Quantas vezes, caro leitor, você foi  a Itapagipe neste agoniante e agonizante ano de 2015? 

Precisa ir ... antes que se cumpra a profecia popular segundo a qual ... "um dia o mar da baía de Todos os Santos, zangado e vingativo, retomará tudo o que foi dele ... e isso inclui Itapagipe e o bairro do Comércio ..."

Nos noticiários matutinos da TV, apresentadore(a)s  mostram como amanheceu Salvador hoje. E então aparecem cenas dos bairros da Pituba e Itaigara. "Vamos agora mostrar o trânsito hoje cedo na cidade"... aparecem cenas aéreas da Avenida Paralela. Eventualmente e quando o trânsito já começa o dia travado, nervoso, engarrafado (e aborrecendo meia cidade) , ainda mostram a Avenida Jequitaia ... e assim mesmo nem chegam aos Mares ... onde Itapagipe começa.

A Avenida Fernandes da Cunha (Itapagipe) exibiu (anos 50-60/ século passado) o primeiro prédio de 10 andares da capital baiana e de toda a Bahia: o Edifício Colón. Era atração digamos turística. Gente de toda a cidade e de todas as cidades iam ver pra crer e pra questionar se aquela coisa enorme não iria desabar.

A verticalização de Itapagipe parou "ahí  y entonces" - homenageio a valorosa presença espanhola em Salvador. Mas isso não nos autoriza a pensar e a divulgar que lá não transitam ônibus e automóveis.

Itapagipe existe sim!

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO. UM MOSQUITO DECIDE O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO. UM MOSQUITO DECIDE O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO ...

,,, ATÉ QUANDO UMA MULHER DEVE ENGRAVIDAR OU NÃO ...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

NESSE MOMENTO ESTOU LONGE DA FINLÂNDIA ...

NESSE MOMENTO ESTOU LONGE DA FINLÂNDIA, MAS POSSO OUVIR AS GARGALHADAS DE VÁRIOS HOMENS E MULHERES A BEBER NUM BAR. É QUE ACABARAM DE CONTAR UMA PIADA: A FINLÂNDIA ACABA DE CRIAR UM DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA A NEVE

I SEMINÁRIO DA LIGA DE MEDICINA COMPL E INTEGRATIVA - FEIRA - BAHIA

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

LA BOHÈME - CHARLES AZNAVOUR . NOSTALGIA SIM. E DAÍ?

LA BOHÈME - CHARLES AZNAVOUR 

 NOSTALGIA SIM. E DAÍ?

(NOST = RETORNO + ALGIA (DOR)

https://www.youtube.com/watch?v=bJ4tWu3Cm28

La Bohème

Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans
Ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là
Accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres
Et si l'humble garni
Qui nous servait de nid
Ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine
Et toi qui posais nue

La bohème, la bohème
Ça voulait dire on est heureux
La bohème, la bohème
Nous ne mangions qu'un jour sur deux

Dans les cafés voisins
Nous étions quelques-uns
Qui attendions la gloire
Et bien que miséreux
Avec le ventre creux
Nous ne cessions d'y croire
Et quand quelque bistro
Contre un bon repas chaud
Nous prenait une toile
Nous récitions des vers
Groupés autour du poêle
En oubliant l'hiver

La bohème, la bohème
Ça voulait dire tu es jolie
La bohème, la bohème
Et nous avions tous du génie

Souvent il m'arrivait
Devant mon chevalet
De passer des nuits blanches
Retouchant le dessin
De la ligne d'un sein
Du galbe d'une hanche
Et ce n'est qu'au matin
Qu'on s'assayait enfin
Devant un café-crème
Epuisés mais ravis
Fallait-il que l'on s'aime
Et qu'on aime la vie

La bohème, la bohème
Ça voulait dire on a vingt ans
La bohème, la bohème
Et nous vivions de l'air du temps

Quand au hasard des jours
Je m'en vais faire un tour
A mon ancienne adresse
Je ne reconnais plus
Ni les murs, ni les rues
Qui ont vu ma jeunesse
En haut d'un escalier
Je cherche l'atelier
Dont plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts

La bohème, la bohème
On était jeunes, on était fous
La bohème, la bohème
Ça ne veut plus rien dire du tout
La Bohème 

(Tradução)

Eu lhes falo de um tempo
Que os menores de vinte anos
Não podem saber
Montmartre naquele tempo
Colocava seus lilás
Até sob nossas janelas
E se o humilde quarto mobiliado
Que nos serviu de ninho
Não tinha um boa cara
Foi lá que a gente se conheceu
Eu que chorava miséria
E você que posava nua

A boêmia, a boêmia,
Isso queria dizer: a gente é feliz
A boêmia, a boêmia,
Nós só comíamos um dia em dois

Nos cafés vizinhos
Nós éramos alguns
Que esperávamos a glória
E apesar da miséria
Com o estômago oco
Nós não deixamos de crer na glória
E quando, em alguma taverna
Com uma boa comida quente
Nós pegávamos uma tela
Nós recitávamos versos
Juntos ao redor do aquecedor
Esquecendo do inverno

A boêmia, a boêmia
Isso queria dizer: você é bonita
A boêmia, a boêmia
E nós tínhamos idéas geniais

Freqüentemente me acontecia
Diante do meu cavalete
Passar noites brancas
Retocando o desenho
Da linha de um seio
Da curva de um quadril
E isto só pela manhã
A gente se sentava finalmente
Antes de um café com creme
Esgotados mas deliciados
Era preciso que a gente se amasse
E que amasse a vida

A boêmia, a boêmia
Isso queria dizer: a gente tem vinte anos
A boêmia, a boêmia
E nós vivíamos do ar do tempo

Qualquer dia desses
Eu farei um passeio
Ao meu antigo endereço
Eu não o reconheço mais
Nem as paredes, nem as ruas
Que viram minha juventude
E do alto de um escadaria
Eu procuro o atelier
Que não existe mais
Em sua nova decoração
Montmartre parece triste
E os lilás morreram

A boêmia, a bêemia
A gente era jovem, a gente era louco
A boêmia, a boêmia
Isso não quer dizer absolutamente nada

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

ARISTÓFANES, O VENCEDOR DO SIMPÓSIO SOBRE O AMOR

ARISTÓFANES, O VENCEDOR DO SIMPÓSIO SOBRE O AMOR

O Simpósio ou O Banquete escrito por Platão no ano 380 antes de Cristo é uma espécie de crônica sobre um evento festivo, vinhos e comidas com fatura, em que parte da intelligentsia de então se reuniu para discutir sobre o amor, em caráter competitivo. Presentes, dentre outros, o poeta Agatão, anfitrião, Pausânias, Fedro, o médico Eriximaco, Sócrates, o comediógrafo Aristófanes e a sacerdotisa Diotima.   

Entre canecas de vinho e bocados de comida levados à boca discutiram, debateram sobre o amor. Aristófanes foi o  autor da tese vencedora que assim resumimos:

Um ser não apenas divino mas também perfeito. De tão perfeito e auto suficiente, reunia num só corpo, no seu próprio corpo, os atributos  genitais masculinos e femininos. Resolveu gerar  uma criatura à sua imagem e semelhança que, evidentemente, apresentava genitálias masculinas e femininas. A criatura empoderou-se a tal ponto que começou a despertar o ciúme e, logo, a ira do seu criador.

Impiedoso, o ser divino cortou a criatura ao meio e separou as duas genitálias  até então indivisível no corpo de seu descendente. Separou e distanciou cada uma das partes em lugares remotos e inacessíveis  a ponto de uma delas jamais poder encontrar a outra. Cada um dos segmentos, dominado pelo desespero e pela profunda falta do outro, passou a manter relações sexuais com o solo ... porém jamais voltariam a se encontrar, a se reunir num só corpo;

O amor seria essa impossibilidade de cada um de nós encontrar a outra parte perdida para sempre, a cara metade. Ninguém completa ninguém; há sempre algo que falta no(a) outro(a). Por mais perfeito ou outro do nosso amor, um defeito não mais o torna tão perfeito assim. Fulano é um marido perfeito,  mas ...

Finalizaríamos com Djavan ("Faltando um pedaço"): "No coração de quem ama fica faltando um pedaço!

E Caetano Veloso ("O Quereres"):

"Onde queres revólver sou coqueiro
Onde queres dinheiro sou paixão
(...)
E onde pisas no chão, minha alma salta
(...)
E onde queres romântico, burguês
(...)
Onde queres Leblon sou Pernambuco
(...)
E onde queres cowboy, eu sou chinês ...