sábado, 21 de agosto de 2010

MATINÉES CINÉFILAS - CRÔNICA DOMINICAL

CRÔNICA DOMINICAL DE 21 DE AGOSTO DE 2010

DOMINGO À TARDE, DIA DE MATINÉE NOS CINEMAS DO CENTRO ,


Não quero mais
Essas tardes mornais, normais
Não quero mais
Video-tapes, mormaço, março, abril
Eu quero pulgas mil na geral
Eu quero a geral
Eu quero ouvir gargalhada geral
Quero um lugar para mim, pra você
Na matiné do cinema Olympia
Tom Mix, Buck Jones
Tela e palco
Sorvetes e vedetes
Socos e coladas
Pernas e gatilhos
Atilhos e gargalhada geral
Do meio-dia até o amanhecer
Na matiné do cinema Olympia


(Caetano Veloso – “Cinema Olympia”)

Sou do tempo em que os domingos à tarde eram reservados para ir ao cinema. Sim, claro, no centro da cidade de Salvador; ou de algum bairro da capital baiana … como o Cine Roma, no bairro do mesmo nome, península de Itapagipe. No Cine Roma, vestido com a camisa (então)da moda, a “camisa volta ao mundo” (penso que a primeira a ser confeccionada com tecido sintético) assisti os primeiros shows (anos 60, século XX) de Raulzito e seus Panteras – o depois famoso e saudoso Raul Seixas.

Nessa época (anos 60, 70), lembro da rivalidade Cidade Alta X Cidade Baixa em Salvador. Essa rivalidade tinha várias caras. Uma delas, entre o Teatro Vila Velha (Cidade Alta) e o Cine Roma (Cidade Baixa). No Vila Velha, o público e os artistas (hoje famosos internacionalmente) ... aplaudindo e cantando MPB e músicas de protesto político; e, também, lançando as primeiras sementes do Tropicalismo e da Bossa Nova. Dos salões do Vila Velha e debruçados sobre a baía de Todos os Santos chamavam de "americanizados" e de "alienados" as pessoas e os cantores de Rock e de Jovem Guarda que lotavam o Cine Roma nas tardes dominicais; jovens "americanizados" e "alienados" que aplaudiam Valdir Serrão, o animador de programas de auditório da recém-nascida TV Itapuã, e Raulzito e os Panteras (depois conhecido como Raul Seixas).

Fosse onde fosse, Cidade Alta ou Cidade Baixa, dia de ir ao cinema era somente domingo à tarde; não tinha vez para outro dia e horário. Quando alguém dizia “fui (ou vou) a uma matinée” … não precisava perguntar o dia e a hora; pra bom entendedor só podia ser domingo à tarde.

Ainda não exisitiiam os shopping centeres (nem Iguatemi, nem Piedade, Center Lapa ...) com seus cinemas e suas vizinhas e cúmplices praças de alimentação. As “praças de alimentação” ficavam dentro do próprio salão de espera dos cinemas; ali mesmo, os balcões vendiam pipocas, doces, refrigerantes … com os quais podíamos entrar na sala de projeção. A sala de espera do Cine Tupi, na Baixa dos Sapateiros, era considerada uma das mais bonitas, pasmem!, da América do Sul.

Os cinemas do centro ficavam em prédios autónomos, soberbos em sua independência de qualquer equipamento de apoio. Como se estivéssemos ante o Tejo no poema de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa, quem estava ao pé destes prédios estava só ao pé destes prédios cinemáticos; não necessariamente cinematográficois. Alguma pessoa podia estar até à espera de alguém - e sequer entrar no cinema - mas o que importava era que o encontro era marcado defronte do cinema, domingo à tarde.

Hoje, ao menos em Salvador, infelizmente não existe um só cinema de rua. Todos estão nos shopping centers de Salvador – cidade que,depois de São Paulo, talvez abrigue a maior quantidade destes ‘templos de consumo’ em todo o Brasil.

Nestes nosos dias de ira e de medo, quem está ao pé dos cinemas de shopping ninguém sabe se está só ao pé do cinema ou se está também ao pé (e à cadeira e mesa) da praça de alimentação. É preciso ver o cinéfilo entrar no cinema para sabermos que está indo, realmente, ao cinema. E olhe lá!

Domingo à tarde - todos e todas ao cinema. E isso era tão sagrado como a missa ou o culto na manhã desse mesmo dia da semana. Os cinemas localizados na Baixa dos Sapateiros (Jandaia – o meu preferido, Pax …) e o Cine Liceu na Praça da Sé, exibiam dois filmes (um deles de bang bang), eram duas sessões por um ingresso mais baixo (a metade) do que os (então) recém inaugurados e (então) modernos Cine Bahia, na Rua Carlos Gomes e Polytheama (ambos no centro) que exibiam apenas um filme … geralmente filme cult como dizemos hoje (2010).

"Marcelino Pão e Vinho", filme religioso católico, foi o primeiro que eu assistí. "Um homem, uma mulher" foi meu primeiro cult. O cinema?: Cine Bahia é claro!

Quando os cinemas de rua de Salvador já começavam a amargar a decadência e a morte (anos 70, 80), encontrei esse mesmo clima de matiné dominical ainda nos cinemas do centrão de São Paulo. Avenida São João, Ipiranga e vizinhanças. Jovens ... seus tênis caros e suas domingueiras de grife ao circular, entrando e saindo dos cinemas ...

A força da grana pode até estar erguendo e destruindo coisas belas em São Paulo e no Mundo. Mas muito da São Paulo da primeira metade do século passado, dos anos 60, 70 está preservado em plenas avenidas hipermodernas, centros financeiros internacionais

O comércio antigo de São Paulo - que chegou e se estabeleceu antes do Minhocão, dos shopping e do Metrô - ainda sobrevive. E vai mnuito bem, obrigado!

- O "Salão (barbearia) Phidias, Rua 24 de maio, nº 77, desde 1965, atendeu Jânio Quadros e os homens da família Safra.

- O "Posto Parker", 1951, que vendeu canetas-tinteiro ao ex-governador Carvalho Pinto.

- "Chapelaria Plas", desde 1954, Rua Augusta, 724. Começa a ser procurada pelo público jovem.

- "Botequim do Hugo", Rua Pedrosa Alvarenga, 1.014, sepre cheio desde 1927.


A cultura e o clima de matiné aos domingos ainda sobrevive em São Paulo em seus cinemas do centro. O centro de Salvador domingo à tarde, é uma cidade morta. E perigosa.

Amofinou-se a força da grana que ergueu tantas coisas belas: o prédio do Cine Jandaia e os casarões do bairro da Saúde são dois entre mil exemplos de abandono, em Salvador. É todo um passado recente que acabou como chegaram ao fim as moedas de ouro e a fortuna do filho pródigo da Bíblia.

Triste Bahia





Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!


Gregório de Mattos, o “boca do inferno”, poeta baiano (1623-1696)

O METRO DO ... (3 - FINAL) - SALVADOR

O METRO DO METRÔ(3 - FINAL) - SALVADOR
Metrô de Salvador: Jaime Lerner está coberto e recoberto de razão. Simples assim.



"Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon
Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem
Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão
Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar
Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons
Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral
Amém."

(Raul Seixas – “O trem das 7 ”)


Vicente Deocleciano Moreira


Reportagem publicada no jornal baiano "A Tarde" ("Trens em trilhos só depois de testes extras", 16 de agosto de 2010, p. A4) oferece as seguintes informações:

1 - As obras do Metrô de Salvador (Bahia - Brasil) começaram em dezembro de 1999. E, em dezembro de 2010, 11 anos depois de iniciadas as obras, as composições ainda não estarão à disposição do público.

2 - A previsão inicial (1999) era que o Metrô cobrisse os apenas 12 quilômetros entre as estações de Pirajá (semi-subúerbio) e da Lapa (centro antigo), dentro de 40 meses e um orçamento de 325 milhôes de reais. Antes do início das obras, ou seja, em outubro de 1998, o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia apurado indícios de superfaturamento na ordem de 110 milhões (em valores atualizados/2010). O TCU decidiu pela retenção cautelar dos pagamentos ao consórcio construtor.

3 - Em novembro de 2008, chegam os três primeiros trens, compostos de quatro vagões cada; em janeiro de 2009, outros três com doze vagões.

4 - Em novembro de 2009, um ano depois da intervenção do TCU, o Ministério Público Federal "ingressa com ação penal contra membros do Consórcio Metrosal, responsável pelas obras, por fraude na licitação. O processo está parado na 17ª Vara Criminal Federal de Salvador, por causa de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
Em abril deste ano, a Assembleia Legislativa instala a CPI do Matrô
"
(jornal "A Tarde", Salvador, 16 de agosto de 2010, p. A4)


Menos pelo "avanço" das obras e bem mais por exigência de realização de testes iniciais apresentada pela Mitsui & Co (indústria japonesa que vendeu as composições ao governo estadual), o primeiro vagão (44 toneladas) foi colocado sobre trilho, ontem (20 de agosto de 2010, às 11:45h), na estação Acesso Norte situada a vários quilômetros da estação de Pirajá cujo trecho suspenso até a estação Acesso Norte está do mnesmo jeito que em 199/2000: intocada e ociosa.

Inoperantes, os trens estavam depositados há um ano e nove meses num armazem do Centro Industrial de Aratu (Região Metropolitana de Salvador). O transporte foi e precisa ser feito à noite para não agravar o problemático trânsito de Salvador, um vagão por vez em cada carreta. Empresa da cidade do Recife (Pernambuco - Brasil) disponibilizou três carretas específicas para esse tipo de transporte, a 1,5 milhão de reais.

Os testes, todos os vagões sobre os trilhos, durarão seis meses. De modo que somente em abril de 2011, os baianos poderão utilizar o Metrô (quase todo trecho a céu aberto.

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Vamos voltar a São Paulo? Sim? Então vamos ler só o título de uma reportagem publicada pela Folha de São Paulo de anteontem (quinta, 19 de agosto/2010):

"Tempo de viagem e lotação só melhoram em 2011"


""... ainda não houve melhora no atendimento dos passageiros em decorrência das novas composições ferroviárias' compradas nos últimos anos.

O motivo é que isso só será possível após a modernização do controle da distância, velocidade e frenagem dos trens, chamada de "sinalização" E QUE DEVE SER CONCLUÍDA EM MARÇO DE 2011"
[GRIFO NOSSO].

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Metrô de Salvador: Jaime Lerner está coberto e recoberto de razão. Simples assim.

Calligaris- O domínio do trivial

Contardo Calligaris- O domínio do trivial


Hoje, cada vez mais, mesmo quando parecemos discordar, pensamos todos as mesmas trivialidades

Aos vinte anos, leitor de Gramsci, eu entendia que o poder das classes dominantes se exercia de duas maneiras.
Havia a exploração econômica, com repressão eventualmente brutal das reivindicações dos trabalhadores (sem contar as guerras imperialistas).

E havia a outra face do domínio: o controle das idéias e das mentes, oculto e insidioso. Esse era o terreno de luta dos intelectuais: podíamos colaborar com a classe dominante ou, então, fazer o quê? Sermos porta-vozes de uma nova classe?

Não éramos totalmente ingênuos. Reconhecíamos os horrores do dito "socialismo real" e percebíamos que ele substituíra uma classe dominante por outra. A ditadura do proletariado não tinha por que ser melhor do que a ditadura da burguesia; talvez, aliás, ela fosse pior. Nosso sonho era outro: uma sociedade sem classes.
Pois bem, um espectador apressado poderia pensar que, enfim, realizamos a famosa sociedade sem classes -ao menos em parte.

Claro, desigualdades e exploração continuam; no entanto, é difícil distinguir a cultura da classe dominante das outras que lhe seriam opostas, porque, no fundo, mesmo quando parecemos discordar, pensamos todos igual.

Acabo de ler "L'Egemonia Sottoculturale", de Massimiliano Panarari (Einaudi, 2010). O autor, um intelectual de minha geração, faz uma crítica hilária da "subcultura da fofoca", que seria, segundo ele, a cultura dominante na Itália de hoje. Infelizmente, é difícil entender os exemplos no texto de Panarari sem ter sido espectador da televisão aberta italiana durante um bom tempo (e para isso é necessário dar prova de um certo heroismo). Mas o que Panarari diz não se aplica só ao caso da Itália.

Mundo afora, é cada vez mais difícil dizer algo que não faça parte de um senso comum que é feito de referências, ideias e, sobretudo, maneiras de pensar compartilhadas graças ao uso generalizado da mesma mídia.

Nesse quadro, pensar criticamente é árduo. Quem deseja convencer seus leitores ou espectadores de que ele pensa fora da trivialidade dominante tende a parecer-se com aquelas crianças que, de vez em quando, gritam "xixi e cocô" e, com isso, gabam-se de ter quebrado um grande tabú.

Nesse sentido, nos EUA, são cada vez mais populares radialistas, apresentadores e jornalistas supostamente "conservadores", que devem seu sucesso a uma vulgaridade e a uma truculência que parecem satisfazer a espera de todos por um pensamento novo, diferente. Um exemplo: um dos aspectos do senso comum é um respeito forçado das regras do politicamente correto.

Diante disso, os ditos comentadores não inventam visões mais complexas e produtivas da diversidade social, mas, para criar a ilusão de que eles pensariam fora do senso comum, permitem-se, de vez em quando, dizer ou gritar "negro" ou "viado". Sua "ousadia" é tão inovadora quanto a das crianças do "xixi e cocô".

No Brasil, o debate eleitoral em curso poderia também servir para mostrar que nosso senso comum compartilhado é, no caso, uma espécie de razoabilidade, resignada a evitar temas excessivamente conflitivos (o aborto, por exemplo) e a aceitar alianças duvidosas e supostamente "necessárias".

Como chegamos a essa perda de contraste na vida pública e cultural?

Segundo Panarari, a burguesia ganhou a luta pela hegemonia jogando a carta do prazer: "Na década do hedonismo reaganiano, todos se convenceram, de repente, que estava na hora de divertir-se. Palavra de ordem: "Queremos folgar" e, por favor, evite-se empestar a existência, de qualquer maneira que seja, com política, cultura, economia e todas essas "coisas" assimiláveis a preocupações e aborrecimentos". Conclusão: a subcultura hedonista da fofoca é o novo ópio do povo.

Concordo (um pouco) com essa visão apocalíptica da cultura dominante. Mas discordo da ideia de que a subcultura da fofoca seja a invenção vitoriosa de uma classe específica.

Ela é, ao meu ver, uma consequência dos nossos tempos, pela razão que segue. Quando a midia é de massa, não há mais diferença entre manipuladores e manipulados, pois os próprios manipuladores, expostos à mídia, são manipulados por suas produções. Ou seja, progressivamente, todo o mundo pensa as mesmas trivialidades.

É o feitiço que enfeitiça o feiticeiro.

Da Folha de São Paulo, 19 de agosto de 2010
Postado por Elianne Diz às 9:38 AM BLOG ORIENTE-SE

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Roberta Sá na Folha de São Paulo - critica

Roberta Sá na Folha de São Paulo - critica ao CD em tributo a Roque Ferreira

Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010 23:07:42

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Critica - O samba de roda dançou em disco que se pretende um tributo a Roque Ferreira
Folha de S. Paulo - 18/8/2010 - Por Luiz Fernando Vianna


É admirável que uma cantora de sucesso crescente opte, em seu quarto CD solo, por um projeto conceitual que deverá deixá-la menos presente em rádios e em programas de televisão. Mas a opção de Roberta Sá é bem discutível.

Encantada com a obra de Roque Ferreira e desejosa de trabalhar com os músicos do Trio Madeira Brasil -também encantados com as composições do baiano de 63 anos-, Roberta trilhou um caminho de notória beleza, mas que também é uma traição ao autor reverenciado.

Grosso modo, Roque está hoje para o samba de roda do Recôncavo baiano como Martinho da Vila esteve para o partido alto nos anos 1960. Ele consegue sintetizar nas suas criações elementos de uma longa tradição cultural e melódica.

Se não tem o mesmo sucesso de Martinho, já foi bem gravado por vários intérpretes, sendo Maria Bethânia a sua mais perfeita porta-voz. Os arranjos do excelente trio transformaram as melodias a ponto de mal se reconhecer nelas o DNA do samba de roda. A percussão é discretíssima. Exemplos típicos do gênero, como "Chita Fina" e "Marejada", tornam-se canções, praticamente.

Com andamento lento, "Água Doce" e "Festejo" perdem muito de seu poder de enlevar e alegrar. Já "Cocada" desembocou para o lado do maxixe. São casos diferentes do de "Água da Minha Sede", em que a linha buscada é adequada à voz de Roberta e se diferencia da versão de Zeca Pagodinho.

E o samba de roda resiste em "A Mão do Amor" e em parte de "Xirê". Roberta tem todo o direito de fazer o que quiser com a obra escolhida e o faz com o seu talento de sempre.

Mas também é legítimo estranhar que a obra de Roque tenha perdido sua força original.

QUANDO O CANTO É REZA

ARTISTAS Roberta Sá e Trio Madeira Brasil
GRAVADORA MP,B
QUANTO R$ 25, em média
AVALIAÇÃO regular

O METRO URBANO ... (2) - SÃO PAULO

O METRO URBANO DO METRÔ (2) - SÃO PAULO


Coisas que a gente se esquece de dizer
Frases que o vento vem as vezes me lembrar
Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar
Você pega o trem azul, o Sol na cabeça
O Sol pega o trem azul, você na cabeça
Um sol na cabeça

Coisas que a gente se esquece de dizer
Coisas que o vento vem as vezes me lembrar
Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar

Você pega o trem azul, o Sol na cabeça
O Sol pega o trem azul, você na cabeça
Um sol na cabeça


(Lô Borges/Ronaldo Bastos - "O Trem Azul")



Vicente Deocleciano Moreira


O jornal Folha de São Paulo do último domingo (15/agosto/2010) abriu sua primeira página com manchete destacada: "DEZ OBRAS VIÁRIAS RECEBEM MAIS VERBAS QUE O METRÔ". O texto que se segue denuncia a contradição entre o discurso oficial e as obras realizadas na década pelo PT (Partido dos Trabalhadores)e pelo PSDB (Partido Social Democracia Brasileira):

"O discurso hegemônico de que expandir o metrô é a solução para desafogar o trânsito da região metropolitana não corresponde ao que foi feito nesta década por governos de várias esferas, do PT ou do PSDB.

Levantamento da Folha revela que as dez principais obras viárias da Crtande SP na última década consumiram R$ 13,5 bilhões. Ao metrô, no período de 200 até meados de 2011, foram destinados R$ 12 bilhões, informa Alencar Izidoro
"


Além de todos os problemas, o Metrô, por força de seu charme, poder de sedução e quasímodo de modernidade, carrega sobre os ombros o discurso oficial, mas sem comprovação prática, de que ele é importante para resolução dos problemas de mobilidade, tráfego e transporte de massa.

Se somarmos os reais aplicados nas Linhas 5 -lilás (trecho Capão Redondo-Largo Treze) e 2 - verde (estações Chácara Klabin e Imigrantes, Alto do Ipiranga e Sacomã - já entregues e mais Tamanduateí e Vila Prudente com previsão de serem entregues ao público ainda em 2010) e mais na Linha 4 - amarela (estações Faria Lima e Paulista já entregues, Butantã e Pinheiros previstas para este ano, e Luz e República para 2011) teremos o montante de 12 bilhões de reais.

Agora, se somarmos os reias aplicados em dez obras públicas (túneis e trecho Sul do rodoanel) totalizaremos 13,7 bilhões de reais. Só o rodoanel consumiu metade desse montante, segundo a Folha de S. Paulo, de 16 de agosto deste ano. Nessa mesma edição a Folha em seu editorial ("Trilho e asfalto", p. A2) defende a expansão do Metrô:

"Sem interromper gastos necessários com o transporte rodoviário - sobretudo em soluções coletivas, como corredores de ônibus - , é preciso expandir o dispêndio com trilhos, estações e trens nos próximos anos.

Torná-lo proporcionalmente maior que os investimentos em novas avenidas e viadutos deveria ser um objetivo a ser perseguido pelo poder público".



A defesa do Metrô, pela Folha, parece colidir, frontalmente, com as teses centrais defendidas por Jaime Lerner (ver entrevista postada por este Blog). Porém, quando estamos tratando da maior cidade do Brasil (e a sexta maior do Mundo) e quando já se viajou ao menos uma vez no Metrô de São Paulo, há pelo menos três motivos que formulam execeções à "regra" sugerida por Lerner. Primeiramente, apesar das inúmeras e cotidianas queixas da população usuária, os serviços rodoviários urbanos (ônibus) não são dos piores do Brasil, proporcionalmente ao tamanho de sua população (19.223.897 habitantes). Cidades brasileiras menores são pessimamente servidas de ônibus. Por outro lado, algum visitante que viaje no Metrô paulista talvez tenha maior visibilidade, que um morador/trabalhador da cidade, para enxergar na tipologia social de muitos usuários deste transporte uma clara (embora ainda lenta) propensão de trocar o automóvel pelo Metrô ... isto numa cidade por unde transita, diariamente, um quarto de toda a frota brasileira de veículos particulares.

Por fim, São Paulo assenta uma média de 3 quilômetros de trilhos novos por ano. Por exemplo, no ano 2000, o Metrô tinha 48 km; a previsão para 2011 é nada menos que 78 km. Impensável parar essa expansão; resta o desafio de aplicar a "vara", o metro sobre o Metrô, a exemplo do aperfeiçoamento tecnológico e logístico do serviço. Ontem mesmo, quinta-feira (19 de agosto), uma pane elétrica no fornecimento de energia elétrica parou uma parte da linha 7- rubí da CPTM, das 7:50 às 16:05h; das quase oito horas de paralisação, as duas horas iniciais prejudicaram 25 mil pessoas.



Evidentemente que, como ocorre nas grandes capitais mundiais (Tóquio, Londres ...), há problemas cercando o Metrô paulista. Fiquemos apenas com um deles, selecionado pela sua atualidade de dias, horas. Moradores de Higienópolis (classe média-alta, bairro elegante) estão reunidos numa associação para se manifestarem contra a construção de uma estação no local; estão sendo chamados de "metrofóbicos" pela imprensa. Gracejos à parte, o fato é que sae, de um lado, mais linhas meia estações tendem a servir melhor trabalhadores, prestadores de serviço, estudantes, donas de casa ... a coletividade, enfim, uma estação não é bem aceita pelos moradores de Higienópolis, uma minoria particular. A reação tem precedentes em outros bairros da capital paulista. Esses moradores insatisfeitos e 'desapontados' nem todos se locom ovem exclusivamente através de transpporte particulatr. O fato é que acreditam que uma estação compromete, reduz, a valorização de imóveis vizinhos ao equipamento pelo comércio popular que ele induz e atrai.


(Amanhã, sábado, o final desta série de postagem sobre o Metrô, com notícias sobre o Metrô de Salvador - Bahia)

USP - 2º SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO DE LICENCIATURAS EM CIÊNCIAS NATURAIS

2º SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO DE LICENCIATURAS EM CIÊNCIAS NATURAIS

1º ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE CIÊNCIAS NATURAIS (ENECINA)

3º SEMANA DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS NATURAIS



LOCAL: Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP) - no Anfiteatro Azul

DATA: 13, 14 e 15 de outubro de 2010.



CONTATO: Escola de Artes, Ciências e Humanidades – EACH

Av. Arlindo Bettio, 1000 – Ermelino Matarrazo – São Paulo

http://www.each.usp.br

http://enecinaeach.webnode.com.pt

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Milton Nascimento - Próximo evento

Próximos eventos de Milton Nascimento

Sábado 11 de setembro de 2010

II Festival Música do Mundo no Centro de Eventos Wagner Tiso

Mallu Magalhães, Gilberto Gil, Milton Nascimento, 14 Bis, Jorge Vercillo, Pablo Milanes, Wagner Tiso, Celso Blues Boy

Centro de Eventos Wagner Tiso
Três Pontas, Minas Gerais - Brasil


(Fonte - Blog de Milton Nascimento)