quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIDADES INOVADORAS (CICI) 2010 - CURITIBA - PR


CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIDADES INOVADORAS (CICI) 2010

Amig@s:

Permitam-me dedicar a postagem de hoje, 24 de fevereiro, quarta-feira, à divulgação de um evento - CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIDADES INOVADORAS (CICI) 2010, a ser realizado de 10 a 13 de março deste ano, em Curitiba-Paraná – Brasil.

Apesar de tratar de uma microfísica, mais que importante, do universo do pensar as cidades brasileiras e mundiais, não estou seguro de que, neste ano, vá acontecer (ao menos no Brasil) um evento de igual peso e altura. Confiram, por favor:

*****

De 10 a 13 de março, Curitiba sediará a CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIDADES INOVADORAS (CICI) 2010, (http://cidadesinovadoras.org.br) promovida pelo Sistema Fiep. Comparecerão mais de 80 especialistas, nacionais e estrangeiros, de 60 cidades em todo o mundo e representantes de mais de 50 cidades de todos os continentes que debaterão caminhos para a realização de cidades mais inovadoras, próspera e humanizadas.

Esta Conferência dará ao mundo mostra significativa do peso e da altura do pensamento brasileiro e mundial sobre as cidades.

Local – sede da Fiep – Jardim Botânico – Curitiba – Paraná - Brasil

Neste evento Curitiba começará a construir o Projeto Curitiba 2030.

A CIC 2010 é promovida pelas Prefeituras de Curitiba (Brasil), Lyon (França), Bengaluru (India) e Austin (Estados Unidos), com apoio institucional da ONU.

Público Alvo – empresários, gestores públicos, pesquisadores e estudantes interessados em inovação urbana.O evento está dividido em quatro grandes temas:

1 – Reflorescimento das cidades
2 – A reinvenção dos governos a partir das cidades
3 - A Governana do desenvolvimento nas cidades.
4 – Cidade rede e redes de cidades

Paralelamente, serão realizados os seguintes eventos integrados:

1 – Iº Encontro Internacional de Cidades de Médio Porte

2 – 2º Encontro de Governos Locais da Índia, Brasil e África do Sul

3 – Lançamento do Projeto: Curitiba cidade inovadora 2030.
Se a tendência do crescimento urbano observado hoje continuar até 2025, 70% da população mundial será urbana, por isso, a importância de se pensar o futuro das cidades hoje.

10 DE MARÇO: O REFLORESCIMENTO DAS CIDADES
Como poderíamos definir cidade inovadora? Cidade que valoriza e promove a articulação dos atores locais; cidade que desenvolve os conceitos de urbanismo junto aos seus cidadãos; cidade que potencializa os recursos endógenos do território?

07:30
Credenciamento

09:00 - 11:00
Abertura OficialPalestrantes: Rodrigo da Rocha Loures, Beto Richa, Jean Michel Daclin, Jonas Rabinovitch, Lee Leffingwell , Marhktar Diop

11:00 - 13:00
Mesa: O Reflorescimento das Cidades Palestrantes: Augusto de Franco, Carol Coletta
Painel 1 - Os Atores Locais e o Reflorescimento das Cidades (Diálogo CIFAL - Parte I) Palestrantes: Gustavo Fanaya
Painel 2 - A Gestão de Inovação nas Empresas como Chave para o Desenvolvimento Palestrantes: Wolney Betiol, Ronald Dauscha
15:00 Painel 3 - O Papel da Universidade na Inovação Palestrantes: Aguinaldo dos Santos, Luiz Marcio Spinosa, Gabriela Cardozo Ferreira
Painel 4 - Experiências de Inovações Sociais e Tecnológicas em um novo ambiente mundial Palestrantes: Prefeitura de Bengaluru, Beto Richa


13:00 - 17:00
1º Encontro Internacional de Cidades de Médio Porte - Parte I Palestrantes: Ana Carla Fonseca, Cezar Schirmer, Ron Littlefield

15:00 - 17:00
Painel 5 - Construções Sustentáveis: Programa PoliCS e as cidades de Belo Horizonte e Montevidéu Palestrantes: Laura de Macedo, Márcio Lacerda, Ricardo Ehrlich
Painel 6 - Colégio SESI e a Experiência da Educação para Transformação da Sociedade Palestrante: Lilian Luitzaur

17:00 - 19:00
Cidades não são Problemas, Cidades são SoluçõesPalestrante: Jaimer Lerner



11 DE MARÇO: A REINVENÇÃO DO GOVERNO A PARTIR DAS CIDADES
Quando se fala de cidades inovadoras, deve-se fazer referência, principalmente, às cidades como redes de múltiplas comunidades aninhadas no tecido urbano ou aos governos locais, às prefeituras e às outras instituições estatais que querem representá-las ou comandá-las?
08:00 - 11:00
Conferência Internacional de Redes Sociais Palestrantes: Augusto de Franco

09:00 - 11:00
Mesa Abertura II - A Reinveição dos Governos a partir das Cidades Palestrantes: Clay Shirky, Jordi Borji

11:00 - 13:00
Painel 7 - Experiências notáveis de Inovações em Planejamento Urbano, Gestão de Políticas e Programas Inovadoras Palestrantes: Luis Jimenez Herrero , Jean Michel Daclin, Peter Bishop
Painel 8 - Em busca de uma arquitetura sustentável para o planeta Palestrantes: Mitsuru Senda

13:00 - 15:00
Painel 9 - Encontro de Twitteiros Culturais do Brasil Palestrantes: Fernanda Musardo, José Luiz Goldfarb, Júlia Ramalho Pinto, Ricardo Costa
Conferência Internacional de Redes Sociais - The Power of Organization without OrganizationPalestrante: Clay Shirky

14:00 - 18:00
Treinamento CIFAL: Construindo processos deGestão e Transparência: Caso Campo Largo - Paraná Palestrante: Glewerson Caron

15:00 - 17:00
Conferência Internacional de Cidades Inovadoras - Sistemas Sócios Educativos: Comunidades de Aprendizagem em Rede - Arranjos Educativos Locais Palestrantes: Augusto de Franco, José Pacheco, José Fares, Luis Fernando Guggenberger
1o Encontro Internacional de Cidades de Médio Porte - Parte IIPalestrantes: Cézar Busato, Ron Littlefield, Hélio Santos, Silvio Barros
Painel 10 - SEBRAE

17:00 - 19:00
Depoimento: Criatividade, Coragem e Inovação para o Desenvolvimento de Austin, TexasPalestrante: Will Wynn
Conferência Internacional de Redes Sociais - Início do Simpósio da Escola-de-redes



12 DE MARÇO: A GOVERNANÇA DO DESENVOLVIMENTO NAS CIDADES
Cidades que produzirem uma parte considerável dos recursos que consomem, ficarão menos vulneráveis às crises de escassez que provavelmente sobrevirão nas próximas décadas. Isso é válido em todos os campos da atividade humana e da vida social, inclusive no campo econômico, energético e ambiental.

08:00 - 11:00
Conferência Internacional de Redes Sociais - Introdução à Análise de Redes SociaisPalestrante: Clara Alvarez

09:00 - 11:00
Mesa de Abertura III - A Governança no Desenvolvimento das CidadesPalestrantes: Jonas Rabinovitch, Jennifer Sara, José Fogaça

09:00 - 12:00
Reunião da União Estadual dos Vereadores do Paraná - Uvepar

11:00 - 12:00
Painel 11 - Células de Inovação: Tecendo Conexões Palestrantes: Cacau Guarnieri, Rodrigo Lara Mesquita

11:00 - 13:00
Painel 12 - Experiências para o desenvolvimento de Cidades e Empresas: Perspectivas públicas e privadas de Jacksonville, Orlando, Lahr Palestrantes: Dan Quiggle , J. Brock McClane,, Wolfgang, G. Müller
Painel 13 - Projeto Bogotá como Vamos e Rede Social Brasileira por Cidades Justas e SustentáveisPalestrantes: Ernesto Costés, Maurício Broinizi Pereira

12:00 - 14:00
Painel 14 - Cidades e Indicadores: trabalhando com ferramentas inovadoras Palestrantes: Luciana Brenner, Alby Duarte Rocha

13:00 - 15:00
Conferência Internacional de Redes Sociais - Redes Sociais e EmergênciaPalestrante: Steven Johnson

14:00 - 18:00
Treinamento CIFAL: Indicadores de Desenvolvimento Local e Sistemas de DevInfo Palestrantes: Luciana Brenner, Alby Duarte Rocha

13:00 - 15:00
Painel 15 - Experiências de Inovações para a sustentabilidadePalestrantes: Marc Weiss, Jeff Olson, Oscar Diaz, Oded Grajew
Painel 16 - Rede de Cidadaninia e Soliariedade - Agenda de Desenvolvimento dos Objetivos do MilênioPalestrantes: Irema Flor, João Carlos Oliveira, Ana Elizabeth de Almeida, Maria Aparecida Zago Udenal

13:00 - 17:00
Painel 17 - Desafios e Inovações Requeridas Pelas Cidades Modernas: Mudanças Climáticas e Mobilidade Urbana Palestrantes: Alexandre d'Avignon, Wagner Costa Ribeiro

17:00 - 18:00
Evento de Premiação das Mostra Inova - Edição Cidades Inovadoras

17:00 - 19:00
Painel 18 - Experiências para o Desenvolvimento Urbano e Empresarial nas Cidades de Barcelona e Paris Palestrantes: Josep Roig, Patrick Crocquet

17:00 - 18:00
Painel 19 - A Bola Está com o Brasil: Construindo uma Copa do Mundo Sustentável Palestrantes: Laura Valente de Macedo

17:00 - 19:00
Conferência Internacional de Redes Sociais - Continuação do Simpósio da Escola-de-Redes

19:00 - 21:00
Conferência Terceira Noite - A Cidade como Rede e a Sustentabilidade das Cidades Palestrante: Pierre Lévy



13 DE MARÇO: CIDADE REDE E REDE DE CIDADES
Cidades inovadoras numa sociedade em rede serão necessariamente cidades redes de comunidades? Se comunidades se formam a partir de identidades e identidades são programas que rodam em redes sociais, quais programas podem favorecer a emergência das cidades como protagonistas do desenvolvimento?

08:00 - 11:00
2o Encontro Internacional de Governos Locais de Índia, África do Sul e Brasil - Parte I Palestrante: George Mathew, Suresh Kumar, lara Alvarez, K.C. Shivaramakhrisna, Gbadebi - Asegun Samson Babarinde, .K.abarinde, .Xolile George, Rama Naidu, Cezar Schimer, Cesar Busato, Dan Sayre, Beto Richa, José Fogaça
2o Encontro Internacional de Governos Locais de Índia, África do Sul e Brasil - Parte II** mesmo horário e local, dia 14

09:00 - 11:00
Mesa de Abertura IV - A Cidade Rede e a Rede de CidadePalestrantes: Nancy Kete, Marc Giget, Lee Leffingwell

11:00 - 13:00
Painel 20 - Sessão Preparatória para a Conferência ICONS: Prosperidade Climática, Indicadores de Sustentabilidade, Informações e o Desenvolvimento LocalPalestrantes: Hazel Henderson (porvideoconferência), Ladislau Dowbor, Thais Corralr, Luciana Brenner
Painel 22 - Painel BID

11:00 - 12:00
Painel 21 - Rede Românticos Conspiradores. Parte I
** Rede Românticos Conspiradores. Parte II. Dia 14. 9:00 - 11:00

12:00 - 14:00
Painel 23 - Os Atores Locais e a Dissiminação do Conhecimento na Cidade Rede: Diálogo CIFAL - Parte II Palestrante: Gustava Fanaya
Painel 24 - Rumo ao México 2010: Workshop sobre a COP 15 Palestrante: Laura Macedo Valente

13:00 - 15:00
Painel 25 - Inovações para o Transporte Sustentável: Perspectivas de Clinton Foundation, Lyon, IPPUC, e CTS-Brasil para o Brasil e o MundoPalestrantes: Clever Almeida, Luis Antonio Lindau, Adalberto Maluf, Bernard Rivalta
Conferência Internacional de Redes Sociais - O Futuro da Investigação de Redes SociaisPalestrantes: Pierre Lévy

14:00 - 18:00
Treinamento CIFAL: Cidade em Rede, mobilização de Atores Locais Palestrantes: Luciana Brenner, Alby Duarte Rocha

15:00 - 16:00
Encerramento Oficial - Formação de um Núcleo Inicial da Rede de Cidades Inovadoras Palestrantes: Rodrigo Loures, Augusto Franco


PREFEITOS CONVIDADOS PARA A CICI 2010

Alonso Salazar Jaramillo
Medellín, Colômbia

Barbara Moore
Greenville City, Libéria

Beto Richa
Curitiba, Brasil

Buddy Dyer
Orlando, EUA

Cézar Schirmer
Santa Maria, Brasil

Hélio Santos
Campinas, São Paulo

João Carlos de Oliveira
Apucarana, Paraná

John Peyton
Jacksonville, EUA

José Fogaça
Porto Alegre, Brasil

Julio Cesar Mungi Nunez
Monobamba, Peru

Iremar Flor
Pilões, Paraíba

Márcio Lacerda
Belo Horizonte, Brasil

Maurício Macri
Buenos Aires, Argentina

Ricardo Ehrilch
Montevidéu, Uruguai

Silvio Barros
Maringá, Brasil

Wolfgang G. Müller
Lahr, Alemanha

Obs: Foi confirmada a presença do Prefeito de Paris.

Mais informações sobre a Conferência: http://cidadesinovadoras.org.br

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

COMENTÁRIO DO BLOG SOBRE COMENTÁRIO DE ZORAYA

COMENTÁRIO DE ZORAYA:

Acessei. Parabens Professor, pela informatividade do Blog... atualidade e principalmente pela valorização do gênero feminino.Sem falar, que há tempos não vejo circular esta belissima música:[..] Não há um porto seguro, futuro também não háMas faz tanta diferença quando ela dança, dança[...]Lindaa.

COMENTÁRIO DO BLOG:

Zoraya:

Cidades são mulheres. Nada de novo pois Calvino (“As Cidades Invisíveis”), por exemplo, batiza com nomes femininos suas cidades imaginárias. Mesmo aquelas que têm nomes ‘masculinos’ (São Leopoldo, São Paulo, Rio de Janeiro ...) são mulheres. Quem haverá de negar o prazer de caminhar pelas ruas e praças de uma cidade cuidada com belos adereços. Pontes, viadutos, túneis ... tudo é belo. Mas há beleza singular numa pequena praça (dois bancos apenas), duas árvores ainda jovens, grama nova ... flores possíveis, construída no lugar onde, antes, as pessoas jogavam lixo de modo impróprio e nocivo.

Cidades são uma invenção humana cheia de enigmas, de tessituras e leituras faltosas e de eternos porfazeres. Na própria Bíblia, o vazio criado pela constatação do enigma e do eterno inacabado das cidades impeliu os humanos a construir a Torre de Babel. O final dessa aventura todos sabemos. Mas penso que, olhando Babel de longe, vale a experiência de constatar que John Donne, poeta inglês (1572-1631), (“Elegia indo para o leito”) tinha razão:
“Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher [E A CIDADE] se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe ... “

Gosto muito de furtar o poema Elegia: indo para o leito, de John Donne quando tento, com previsível insucesso, compreender a paixão de alguém (nativo/a ou não) por uma cidade.
Aliás, Caetano Veloso fez uma adaptação e uma bela melodia deste poema, sob o título de Elegia.
Eis o poema de Donne na íntegra:
Elegia: indo para o leito

Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derramaDe ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias saiÉ um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens.
Tu, meu anjo, és como o Céu De Maomé.
E se no branco têm contigoSemelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra a vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total!
Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) semVestes.
As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflamaIlude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

Abraços, Até amanhã
Vicente


EVENTOS ESPECIAIS DO BLOG PARA 2010



No Brasil, o ano começa em março. A rigor, março vem depois do Carnaval, das férias escolares, do que ainda resta de verão oficial e oficioso cá no hemisfério em que vivemos.
Dois mil e dez não será diferente, pois. Entretanto, a ansiedade do nosso Blog não vai nos permitir aguardar que março chegue; ou que abril, com suas chuvas mil, venha nos surpreender.
Eis algumas comemorações de 2010, nas quais nosso Blog achou por bem estar lá, inscrito:

► 95 ANOS DE HANSEN BAHIA (1915, Hamburgo-Alemanha – 1978, São Félix-Bahia-Brasil), artista xilogravurista alemão-baiano; muitas de suas gravuras expõe, nos momentos delicados de seus personagens, a intimidade e a extimidade de uma cidade ao modo de uma fita de Moebius (Topologia): está dentro (intimidade), mas está fora (extimidade) no ato da torção para a colagem das pontas. HOJE, ÀS 19 HORAS ... TOD@S AO ICBA - SALVADOR.
► 100 ANOS DE NOEL ROSA - (1910, Rio de Janeiro-Brasil – 1937, Rio de Janeiro), compositor brasileiro; São 192 letras de sua autoria (e coautoria) como, p. ex. “Conversa de Botequim”:
“Seu garçom faça o favor de me trazer depressaUma boa média que não seja requentadaUm pão bem quente com manteiga à beçaUm guardanapo e um copo d'água bem geladaFeche a porta da direita com muito cuidadoQue eu não estou disposto a ficar exposto ao solVá perguntar ao seu freguês do ladoQual foi o resultado do futebol” ...

► 100 NOS DO CINEMA BAIANO (outubro de 1910 – outubro de 2010) – “A grande feira” , 1961, direção de Roberto Pires, e tantos outros filmes emblemáticos.
► 50 ANOS DA MORTE DE ALBERT CAMUS (1913, Mondovi-Argélia – 1960, Villeblevin-França), escritor francês de origem argelina, Nobel de Literatura de 1957. Autor de livros como “O Estrangeiro” (1942), “A Peste” (1947), e outros ...

► E nós com (tudo) isso?
► Nós vamos arregaçar as mangas e minerar a cidade nesses solos cultos.

'CIDADES INVISÍVEIS" ENSAIO (PARTE FINAL)

Com um estilo arejado e uma grande capacidade de traduzir seus pensamentos e imaginação em composições breves, concisas, mas densas, ele cria conexões invisíveis e multiplica as imagens sem destituí-las de seu significado, ao contrário, essa multiplicação opera uma riqueza de significados que deixa sempre traços na memória do leitor. Ao aventurar-se pela obra de Calvino busca-se perceber as características de sua escrita, bem como descobrir os fios que constroem seu discurso e fazem que suas invenções literárias se imponham mais pela sugestão que pela real carga significativa do verbo.

Quais são os valores literários que podemos descortinar nesse seu escrito? Estarão presentes as cinco lições americanas que ele nos oferece: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade e multiplicidade?Ítalo Calvino mostra como é possível "construir" diferentes cidades (e que no fundo é uma, apenas) conforme se privilegiem determinados aspectos. Assim, ele "constrói" cidades totalmente diferentes a partir do olhar que recai sobre o traçado das ruas, as torres, a música, o encanamento, a memória, os mortos, entre vários outros aspectos.Percebe-se portanto que a cidade só existe enquanto relação entre os diferentes grupos que interagem em um dado sistema produtivo. Cada grupo, com seu modo ver o mundo ou com interesses voltados para aspectos específicos pode construir e reconstruir a cidade criativamente, a partir de elementos selecionados no amplo leque de opções disponíveis na cultura de uma dada sociedade.Dentro das chamadas Cidades invisíveis podemos destacar vários aspectos relativos à construção da memória e sua função cotidiana, que não se restringe a um simples artifício à lembrança ou aspecto revelado aproximando-se muitas vezes do material - da presença do tempo na vida das pessoas. Se o tempo é por si mesmo intangível, a memória seria o ponto de conexão e expressão daquele na vida do homem. Ao pensar então nesse tempo, principalmente o tempo passado, é que surgem as reflexões sobre como se projetar nele uma realidade determinada, os desejos e as frustrações, pois essas projeções fogem da realidade, dando a ela um caráter quase ficcional, artifício de memória, inclusive por tocar, em diversos momentos, aquilo que é irreal.Ao buscar uma possível percepção sobre a ordem discursiva presente nas relações entre as narrativas empreendidas por Marco Pólo e Kublai, nota-se a distinção dos lugares que esses personagens ocupam em relação ao emissor e ao receptor. Para além da mera e explícita apresentação de Marco Pólo como viajante e Kublai como Imperador dos tártaros, essa relação evidencia uma lógica que, ao fim e ao cabo, nos traz elementos para problematizar a necessidade de construção de uma memória ou de um forjamento desta.Com o desenvolver das viagens e das construções dos relatos, Marco Pólo constrói um lugar de destaque em relação aos outros viajantes, chegando até mesmo a narrar suas experiências em primeira pessoa, ao relatá-las ao Imperador, demonstrando certa proximidade e intimidade com a figura real.Kublain Khan olha para seu imenso território e parece não conseguir vê-lo em toda a sua extensão. O objetivo desses relatórios seria tentar compreender as posses e os limites do Imperador, bem como os detalhes que não pudessem ser observados no momento das ocupações. A idéia de tempo parece ser projetada pelo autor, nessas passagens, na medida em que o território é a própria vida de um indivíduo e que suas acumulações materiais (a conquista em si dessas cidades) transformam-se em fatos, e as acumulações desses fatos tornam-se posteriormente eventos perdidos no passado.

Mas o resgate, o relatório, pretende objetivamente restabelecer essa ligação, e é a partir de então que a memória é utilizada, ou melhor, forjada, inicialmente buscando uma imagem fiel daquilo que é o passado.O erro dessa busca incessante por uma determinada verdade é que faz com que Khan perceba que seu império é recheado de problemas e falhas, um esfacelo sem fim e sem forma se transformando na própria realidade. É o desespero causado pelas tentativas ininterruptas de recuperação do passado almejadas pela História, do ponto de vista do senso comum. As narrativas fantásticas, o olhar detalhista e a percepção mínima dos eventos também conferem a Marco Pólo o lugar de viajante preferido, o principal relator de eventos. Nesse momento, o personagem veneziano passa da condição de mero viajante para um possível lugar de arquivista.Ao final de As cidades invisíveis, Marco Polo discorre sobre as possibilidades da cidade perfeita, que poderá estar aflorando dispersa, fragmentada em algum lugar, e não como uma realidade pronta e totalizante. O que importa, diz ele, é procurar essa terra prometida visitada pela imaginação mas ainda não conhecida ou fundada.

Não é possível, contudo, traçar a rota nos mapas para chegar até ela. A reação de Kublai Khan, o interlocutor do viajante veneziano, frente a essa impossibilidade, é dar a última palavra, quando ressalta nos seus mapas “as ameaçadoras cidades que surgem nos pesadelos e nas maldições” e conclui: “É tudo inútil, se o último porto pode ser a cidade infernal, que está no fundo e que nos suga num vórtice cada vez mais estreito”. O imperador, assim, corrói as esperanças na utopia, quando a percebe subtraída, enquanto certeza, de seu horizonte de expectativas. À palavra que autoritariamente decreta e absolutiza, Marco Polo opõe, no entanto, um outro discurso que relativiza e contra-argumenta: “O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos”. Perfeição e inferno são, assim, termos em tensão, que não se anulam na visão das cidades contemporâneas. Parece que Italo Calvino aponta, com suas alegorias, para o esgotamento da cena moderna, para o ultrapassamento dos valores utópicos em que a modernidade se fundamentava.As cidades invisíveis de Ítalo Calvino são metáforas das nossas construções mentais e paralelamente, da incessante busca humana por significados. As cidades são construções feitas a partir da nossa memória que lhes dá valor e significado. A memória é o pilar dessas construções, edificações e estão interconectadas e vinculadas em nossos espaços geométricos através de ruas, cantos, esquinas (simbólicas) da nossa intrínseca mente e do nosso inconsciente, elas são misteriosas e inefáveis. Como poderia então ser descrita para alguém a cidade de Zaíra? Se ela só adquire significado, ou seja, se ela só toma forma, a partir daquilo que lhe atribuímos? Através das nossas lembranças, vínculos, identificações.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"AS CIDADES INVISÍVEIS" - ENSAIO - CONTINUAÇÃO

AS CIDADES INVISÍVEIS - ÍTALO CALVINO
ENSAIO (continuação)
créditos - PasselWeb



Philippe Daros escreve sobre a o procedimento de escritura de Calvino como sendo uma "estratégia do olhar". E é essa estratégia que propicia ao leitor descortinar cada nó proposto, cada mundo microscópico oculto, necessário aos que buscam a percepção desse mundo que se forma nos interstícios, fora do alcance dos olhos comuns que só conseguem enxergar a aparência, o que está na superfície das coisas.Cidades invisíveis e inesgotáveis como Fílide, cujos trajetos são arquitetados entre lugares suspensos no vazio, verdadeiros fragmentos, são metáforas para se pensar a construção de narrativas hipertextuais que apresentam diversos pontos de entrada, cujas partes proliferam-se sem que nunca consigamos ter ao alcance de nossos olhos tudo o que ela contém.
Em As cidades invisíveis as narrativas são agrupadas em blocos: as cidades e a memória, as cidades e o desejo, as cidades e os símbolos, as cidades delgadas, as cidades e as trocas, as cidades e os olhos, as cidades e o nome, as cidades e os mortos, as cidades e o céu, as cidades contínuas, as cidades ocultas. Esse agrupamento nos faz pensar que há um fio condutor entre as narrativas, apesar de que elas são independentes, de poderem ser deslocadas dentro da obra sem prejuízo da compreensão.Seu livro se organiza como um tratado de filosofia. Marco Polo, o viajante, o nômade, comenta de forma inaugural as trilhas percorridas. Uma voz que brame um canto diferente, anunciando um cosmo vário, mas geralmente despercebido por aqueles que se deixam contagiar somente pelo que o olhar capta. E como as cidades não encontram seus espelhos no mundo real, elas se desenvolvem segundo uma linha rizomática e evolucionária, dentro de um contexto utópico. Essas multiplicidades são a própria realidade, e não supõem nenhuma unidade, não entram em nenhuma totalidade e tampouco remetem a um sujeito.
A percepção que Ítalo Calvino desperta através do simbólico, da descrição construída por Marco Polo é a dos devires, das diferenças que levam à criação através da imaginação mas também ao pensar. As descrições não seguem um tratado racional. Como num delírio, a lógica é rompida pelo discurso fantástico que extrapola a rede de significações e representações dos signos renovando e subvertendo os fatos reais, abandonando a consciência e explorando o inconsciente, os tempos e espaços livres.Seus comentários constituem um adeus à imutabilidade, aos conhecimentos do mundo cristalizados e é uma entrada no domínio da desterritorialização dos sentidos, apontando cidades com formações paradoxais mas coexistentes. Com isso, torna a narrativa um organismo vivo, que se multiplica, e nessa multiplicação ela se dilui para se compor novamente diferentemente, mas com o mesmo intuito, a criação de mundos suplementares, formando uma floresta labiríntica, sem a preocupação de deixar rastros de sua existência.O que existe de comum entre cidades como Pentesiléia, Cecília, Trude, Leônia? Elas são cidades contínuas, mas esvaecidas no planalto, escondidas, que podem ser aqui ou lá, do outro lado ou em volta, cujo centro está em todos os lugares. Nelas você nunca chega, mas sempre está, mesmo sempre seguindo em linha reta, pois os espaços se misturam estando elas em todos os lugares. Por isso não possuem muralhas que a protegem ou delimitam seu espaço. Você nunca sabe se está dentro ou fora, se passou por elas sem perceber. Não tem começo nem fim, você simplesmente está nas malhas da cidade. Para compreendê-las é necessário deixar-se levar pelo movimento sem querer subjugá-las à ordem normal. As cidades são exemplos do fluir da vida onde tudo muda incessantemente.
Esse percurso que o leitor segue, pulando de cidade em cidade, encontrando espaços rarefeitos que formam uma geometria caótica com as imagens que surgem e se impõem diante do seu olhar perfurante, faz parte da estética literária que trata a obra como uma grande rede, ou ainda como obra aberta e obra em movimento. Um livro fasciculado em blocos que podem ser atomizados sem prejuízo de sua totalidade. As entradas podem se dar em qualquer capítulo, pois são histórias fragmentadas, e cada uma apresenta uma realidade suplementar a si própria e não a outra. Como não há nenhum caminho que conduz às vilas, suas ligações se fazem ao imaginar, num fluir permanente. O movimento da obra dá-se principalmente com o emprego de símbolos que indicam esse fluir permanente e contribuem para a imersão nas percepções sensoriais: o céu, o rio, a chama que arde.Para participar dessa estética, Calvino não abandona a leitura tida pela cultura ocidental como linear, nem tampouco insiste na construção de um romance que priorize a quebra das regras fixas. Ele investe no potencial inventivo e criativo das palavras, explorando mundos atrás de espelhos, construindo universos alternativos, um modelo mágico cujas visões caleidoscópicas e fugitivas edificam sua arte de contar.
As cidade invisíveis trabalha com mundos imagináveis que apontam, por sua vez através da meditação, mundos reais; uma estratégia cognitiva do autor na exploração, através das percepções sensoriais, dos espaços invisíveis.São histórias que deflagram um pensar incessante, verdadeiros micro-mundos ficcionais inseridos numa estrutura maior, cuja organização individual é problematizada, numa fortificação perfeita das partes e do todo. Leônia, por exemplo, num gesto absurdo remove os restos de sua existência todos os dias, jogando fora coisas para que dêem lugar às novas. Nada fica detido, tudo é substituído incessantemente. Assim ela refaz a si própria ininterruptamente, sempre vestida do novo, na constância de sua inconstância. Mas o passado é conservado através do lixo. Este é a sua memória. Existem portanto duas Leônias: uma que sempre acorda nova e a outra que se veste de seu lixo. Quanto mais Leônia se despe das suas recordações enterrando o velho mais fortifica a Leônia que se nutre do passado. A memória está guardada nos objetos que representam no dia seguinte o passado. Uma narrativa que aparece entrelaçada com outras, parábolas que oferecem passagens labiríticas entre o real e o imaginário, sem que possamos, como na fita de moebius, distinguir entre o fora e o dentro, o direito e o seu anverso. Essa estratégia é, segundo Darós, resultado da combinação de um olhar irônico com um olhar mágico que Calvino desfecha à sua criação.Dando preferência a figuras como o rébus, Calvino constrói narrativas descritivas de cidades que se entrelaçam, encadeiam-se não pelos traços comuns que revelam, mas pelos que dissimulam, num processo de continuidade e descontinuidade. São as cidades ocultas que desdobram-se, que apresentam sua dupla imagem, desafinam, mostrando muitas vezes o seu contrário, como Berenice.
Há uma Berenice injusta e uma dos justos, oculta e ainda uma outra Berenice que é o resultado da fermentação dos rancores e rivalidades nascidos da certeza dos cidadãos da segunda Berenice serem justos. É a materialização de sentimentos onde o mal campeia, um inventário das coisas ruins que existem, invocando a imagem da coisa dentro da outra, nos mostrando como o todo pode se fragmentar em diversas variantes.Apesar de estarmos habituados a separar os domínios, essa imagem da coisa dentro da outra se repete em várias cidades. Algo concretizado no meio de algo móvel e em constante devir nas cidades invisíveis. Sempre trabalhamos com um duplo conteúdo: a vida e a morte, o lado positivo e negativo, o claro e o escuro revelando as duas faces da mesma moeda, invocando momentos de plenitude mas paralelamente de conflito. Esse é o sentido que impregna todas as cidades. Marósia dos bandos de ratos, que num piscar de olhos, como que por acaso, num murmurar ou num gesto lépido desaparece e dá lugar a uma Marósia diferente, cristalina, a cidade se transfigura num espaço das andorinhas. Raíssa, cidade infeliz. Mas há a esperança em perfurar a barreira, encontrar-lhe uma fenda, de modo que a cada segundo a cidade infeliz contém uma cidade feliz que nem mesmo sabe que existe.Essas são imagens que se desdobram sugerindo nesse ir e vir como a vida está envolta num imenso paradoxo e o contrário pode emergir do seu contrário. Sugestão de algo que surge do fundo, pois a natureza tem um lado repulsivo e misterioso. Como elas trazem no seu bojo tanto o germe da prosperidade como o da destruição, a contradição se faz presente a todo momento. O narrador Marco Polo instaura um processo de incertezas, porque tudo é e não é. Assim, tudo é portador de um princípio positivo, mas admitindo-se sempre a existência de um princípio negativo que pode a qualquer momento aflorar.Como historietas avulsas a qualquer enredo, elas vão se somando e tecendo paulatinamente um fio que atravessa todo o romance da primeira a última página: a fluidez de um mundo que se constitui através da audição, do odor, do paladar e de um olhar que não é o ver, mas o emergir na coisa, o mirar rosiano. Cada cidade porta uma revelação, mundos utópicos que são somente descortinados quando deitamos nosso olhar sobre ínfimos detalhes, à cata das ambigüidades. A descrição espacial da cidade envolvida nessa esfera de ambigüidade é representativa da condição humana, das oscilações pelas quais o homem passa.Marco Polo prossegue investigando as coisas, explorador das profundidades ocultas nos confins do império de Kublai Khan. Ele segue fazendo indagações, efetuando revelações, tentando atravessar as aparências, passando de um labirinto a outro, de uma margem a outra, à descoberta desse outro mundo desmesurado, compondo e desvelando enigmas. Com a descoberta de cidades móveis, evanescentes e variáveis, inseridas numa ordem própria, numa ordem recôndita, onde as coisas não têm formato muito definido, Ítalo Calvino nos inicia numa árdua aprendizagem da utilização de um olhar mágico que mina nossas certezas e nos encaminha para viagens descontínuas no espaço e no tempo, jornadas livres do controle, desertos significativos.
(Continua na próxima postagem)

BOLG COMENTE COMENTÁRIO DE VALDOMIRO

Eis o comentário com que Valdomiro honrou nosso Blog:

Vicente,

Que seu blog é instigante, isso ele é. A primeira
coisa que me ocorreu foi uma frase de Walter Benjamin,
cito de memória: "Só há uma maneira de conhecer uma
cidade, que é se perder nela". Muita gente já fugiu das
cidades, há quem não aguente cidade nenhuma, há quem
ache uma maravilha viver numa cidade grande, e agora me
ocorre que, em toda megalópole, há coisas de outra megalópole.
Em Salvador, por exemplo, há trechos de rua que me lembram
Londres ou a atmosfera de Londres; as calçadas da av. Rio
Branco, no Rio, têm alguma coisa das calçadas da Quinta
Avenida, em Nova York. Você pode se perder em Milão,
achando que está em Milão, mas na verdade está em S. Paulo.
Bem, cidade, ou cidades, eis um assunto plural que deve
comportar milhares de temas. Uma cidade é um câncer. Está aí uma frase provocativa. Osman Lins, em Avalovara (romance), criou uma cidade que
é como um tapete voador: ela se desloca, anda no ar. Será que
uma cidade (grande) é como uma boneca russa, isto é, dentro dela
há várias cidades e cada uma, por sua vez, tem dentro de si uma cidade?
Não estou falando de bairros, nem de regiões administrativas, de distritos.
O que seria uma cidade como Feira de Santana se literalmente todos os seus
habitantes se evaporassem, ficasse ela sem vivalma, e você descobrisse
isso e nela estivesse, o que faria?

Abraço,

Valdomiro


Comentário do Blog:
Valdomiro fala, citando Benjamim, sobre o perder-se numa cidade como condição única de conhecê-la. De fato; mas penso que esse conhecimento é possível quando não existe a perda da subjetividade (o flâneur) para o, por assim dizer, perdido – o qual ‘segura a onda’ de sua própria subjetividade e faz do episódio uma lição. Perder-se [numa cidade] é diferente e mais proveitoso do que estar nela perdido.
Karl Heinz Hansen – o nosso xilogravurista alemão-baiano Hansen Bahia - nasceu em 19 de abril de 1915 em Hamburgo, Alemanha (Esse Blog vai divulgar a exposição comemorativa dos seus 95 anos), foi soldado na Segunda Guerra, morou em São Paulo, Etiópia, Bahia e veio morrer, em 1978, na cidade de São Félix, recôncavo baiano. O que faz uma pessoa deixar sua cidade, sua ‘aldeia’ (Caeiro-Pessoa) para, depois de andar meio mundo, morrer tão distante?
Há casos – não sei se foi o exemplo de Hansen – de pessoas que se sentem exiladas (um tanto dépaysé) em seu próprio país, em sua própria cidade. Drummond confessou em carta a Bandeira que gostaria de ter nascido em ... Paris. Rimbaud era um dépaysé. Esse “não aguentar” pode ser mesmo o estado de espírito de pessoas para quem não há (mais) lugar neste mundo.
A analogia com a boneca russa quando falamos de diferentes cidades grandes pode ser usada também para compreendermos as 55 cidades invisíveis de Ítalo Calvino. É possível que todas sejam apenas uma e que cada uma se encaixe na outra para formar essa uma, única.

Se Feira de Santana ficasse vazia de seus moradores ... Isto me fez lembrar um artigo que li sobre como ficariam as cidades caso uma epidemia ou uma bomba matasse apenas humanos.
Sem funcionários das prefeituras para cortar o ‘mato’ e podar as árvores, a floresta cobriria (e engoliria) a cidade ... E então, depois de algum tempo nenhum vestígio de cidade sobreviveria no mar verde da floresta; os gatinhos e cãezinhos de madames (e os vira latas) se transformariam ou se recuperariam em animais ferozes; afinal, lhes faltaria a domesticação e a ração diárias.
Acho que essa ficção não tão distante, talvez, de virar realidade tem a ver com a tese da Natureza como ente inimigo do ser humano (e vice versa).
Hoje, o estar numa rua de uma cidade nos transporta a outra cidade. Quais cidades? Todas as cidades. A globalização brinca de boneca russa com todas as cidades. Mas ainda há lugar para teimosos e resistentes macondos.

Um abraço,

Vicente

EXPOSIÇÃO HANSEN BAHIA ABERTURA AMANHÃ

AGENDA



HANSEN BAHIA – 95 ANOS – 1915 – 1978
EXPOSIÇÃO
ICBA – GOETHE INSTITUT
AVENIDA SETE DE SETEMBRO, 1809 – CORREDOR DA VITÓRIA
SALVADOR – BAHIA - BRASIL

ABERTURA – AMANHÃ, DIA 23, 19 H
VISITAÇÃO – 24 DE FEVREIRO A 3 DE ABRIL DE 2010
SEGUNDAS ÀS SEXTAS – 9 – 18h
SÁBADOS – 9 – 13H
AGENDA



HANSEN BAHIA – 95 ANOS – 1915 – 1978
EXPOSIÇÃO
ICBA – GOETHE INSTITUT
AVENIDA SETE DE SETEMBRO, 1809 – CORREDOR DA VITÓRIA
SALVADOR – BAHIA - BRASIL

ABERTURA – AMANHÃ, DIA 23, 19 H
VISITAÇÃO – 24 DE FEVREIRO A 3 DE ABRIL DE 2010
SEGUNDAS ÀS SEXTAS – 9 – 18h
SÁBADOS – 9 – 13H