sábado, 4 de dezembro de 2010

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (5 - FINAL)

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (5 - FINAL)



Vicente Deocleciano Moreira

_____________________________________________________________

Além de visceralmente nua ... tudo exposto ... toda a fauna noturna exposta ... a cidade de Ed Motta é noturna e sangra atravessada pela voz merlot-suave-forte de Ella Fitzgerald cantando a sua própria “A night in Tunisia": (Tunis, تونس,à noite)


The moon is the same moon above you
Aglow with it's cool evening light
But shining at night, in tunisia
Never does it shine so bright

The stars are aglow in the heavens
But only the wise understand
That shining at night in tunisia
They guide you through the desert sand

Words fail, to tell a tale
Too exotic to be told
Each night's a deeper night
In a world, ages old

The cares of the day seem to vanish
The ending of day brings release
Each wonderful night in tunisia
Where the nights are filled with peace

Each wonderful night in tunisia


___________________________________________________________________________


Está sempre à noite a cidade de Ed Motta; não como um planeta vazio, mas uma floresta de sombras vivas onde personagens movidos pelos plurais inter-esses (mil "S")estão ali na acidez de uma solidão que só a noite urbana pode tecer.

O caminhar solo sob as luzes, como só o que pode restar, e o estar sempre provando que se está vivo advertem que a noite não é criança, é uma ameaça; a esta hora exatamente lugar de criança é a cama embalada por Morfeu; longe de berços pueris, Eros faz a fama e deita na cama na noite urbana de Ed Motta.


Fauno enlouquecido, a noite enfeita de desejos jantares e comidas no geral e nos varejos particulares. E, como uma epidemia sem controle, a noite de Ed Motta dissemina cheiros de amor e de sexo - inhacas! - e resfolega sob escombros de poesias concretas derretidas. E amanhã (se houver amanhã), a manhã não redimirá a noite de ontem. Noite total, nudez total, perdição total. Luzes apenas no início do túnel.

Sem que tenha sequer começado, está sempre chegando ao fim sob a ameaça do amanhecer; é apenas reconhecer que a noite é para profissionais, deles ela emana e em seu nome é exercida; é reconhecer, também, que não tarda chegar as trevas do dia e de seu poder certeiro de morte e de patologias trazidas pela solaridade da normalidade. Encarar o dia de frente? Jamais - no outono do Rio ou em Paris a palavra jamais é a mesmo. Ora a pronúncia ... façam-me um uiskei s'il vous plaît. Lá da França Pascal nos protege de nossa fotofobia: "O sol e a morte não devem ser encarados de frente"

Felizmente tudo é falso: latidos de cães e gemidos de amantes num açougue invadido pelo cheiro da fraqueza da carne úmida de caibros, câimbras e vales carnais e reflorestados que carecem de rios caudalosos(para viver; não importa que sejam sazonais. É viver o agora da noite na ágora do desejo.


Duas da manhã
Não fiz nada até agora,
Vou sair fora
Mais um dia se passou
E eu não posso parar
Essa é a hora
Vou caminhar na cidade
Vou ver o luar
Rompendo a madrugada
Sentindo o que a noite, tem pra me dar
Essa vida é tão igual
Tanta gente a vagar
Pro mesmo lugar
Já não vejo mais sentido,
Aonde essa estrada vai me levar


(“Baixo Rio” – Ed Motta)

Morcegos e corujas, uni-vos! pois a noite está lançada!

Vicente

RSVP.

DELINQUÊNCIA E PRIVAÇÃO

Contardo Calligaris

["Folha de São Paulo", São Paulo (SP), Brasil, 2 de dezembro de 2010, p. E12]


--------------------------------------------------------------------------------
Quem se sente culpado não age -no máximo, ele espera que suas vítimas se vinguem

--------------------------------------------------------------------------------


UMA CENA emblemática da desfeita (temporária ou não) do tráfico carioca foi a visão de um punhado de traficantes armados, correndo e tropeçando, fugindo da Vila Cruzeiro em direção ao Morro do Alemão.

Um amigo comentou que esses restos esfarrapados de um exército na debandada lhe davam pena. "Pena?", estranhei. O amigo respondeu que ele conhece as crueldades das quais os traficantes são capazes, mas, acrescentou, "no fundo, eles são as verdadeiras vítimas". "Vítimas de quê?", perguntei. "Da miséria, da exclusão, da pobreza material e moral", ele respondeu, com condescendência.

Meu amigo não é bronco: ele sabe que nem a miséria nem a exclusão são suficientes para produzir um delinquente. Justamente, os fugitivos da Vila Cruzeiro eram um punhado: o crime, no morro, é a escolha de pouquíssimos.

Ainda assim, meu amigo acredita que as durezas são, no mínimo, uma causa coadjuvante da delinquência. Quando e como surgiu essa ideia?

Não sei dizer, mas um marco é a carta endereçada ao British Medical Journal, no fim de 1939, por J. Bowlby, D.W. Winnicott e E. Miller; ela é reproduzida no começo de "Privação e Delinquência" (Martins Fontes), que reúne os extraordinários textos de Winnicott sobre o tema. A carta foi escrita enquanto, na Inglaterra, as crianças citadinas eram evacuadas para lares rurais, na intenção de protegê-las dos bombardeios. Os autores assinalam que, para crianças entre 2 e 5 anos, a separação prolongada de seus lares é "um importante fator externo na causação de delinquência" futura.

Entre as crianças evacuadas estavam os protagonistas de "As Crônicas de Nárnia" (livros e filmes), e as crônicas talvez ofereçam um prognóstico complementar ao da carta que citei.

Pelas crônicas, as crianças que forem privadas de um lar não se tornarão necessariamente más e transgressoras: elas tentarão conferir a suas vidas uma dimensão "heroica", do jeito que der -como se, na falta de um lar onde ser tranquilamente quaisquer, elas precisassem transformar suas vidas em epopeias. Com isso, algumas lutarão ao lado do leão Aslam, uma delas trairá Nárnia e, mais perto de nós, algumas inventarão sua própria épica grotesca brandindo armas do alto de um morro carioca.

Seja como for, aceito a ideia de Bowlby e Winnicott de que a privação de amor e de cuidados maternos pode ser uma das causas da delinquência. Mas essa constatação inicial engendrou uma versão "ampliada" pela qual, em geral, uma infância sofrida explicaria a delinquência do adulto.

O elo é que uma frustração trivial, imposta a uma criança, pode funcionar como uma privação afetiva: se não tenho o tênis que quero é porque a mãe (indigna) não me ama. Portanto, quem sofre pela falta de um tênis está sendo, de fato, privado de amor (e tem mais chances de se tornar delinquente).

Ora, para que serve essa ideia de que as frustrações produziriam delinquência? Pois bem, essa ideia nos permite, por exemplo, explicar a existência do mal: a delinquência existe porque frustramos cruelmente um monte de crianças. Ou seja, a nossa culpa organiza e torna inteligível o mundo.

Será que com isso nossa ação será mais fácil? Afinal, se o mundo é iníquo por culpa nossa, não deveria ser simples mudá-lo? Infelizmente, não é assim que a culpa funciona: quem se sente culpado não age -no máximo, ele espera que suas vítimas se vinguem. Conclusão: podemos idealizar a delinquência como justa revanche dos que nós, egoístas, privamos de tênis e de amor.

Meu amigo diria: por que não? A revanche não seria um bom jeito de fazer justiça? Seria, mas a espera da revanche dos privados e dos frustrados nunca passa de uma atitude retórica para amenizar a culpa, que, de novo, não leva a ação alguma, só a lamúrias em prol, como dizia meu amigo, das "verdadeiras vítimas" (as falsas, "obviamente", seriam as que sofrem com a violência delinquente).

Agora, uma boa notícia: ao longo do fim de semana, exceção feita pela observação de meu amigo, não escutei nenhum ato de contrição. É uma boa notícia, porque isto aprendi ao longo de minha clínica: só é possível agir e mudar (um pouco) o mundo com a condição de se liberar da culpa e da falsa compreensão que ela produz.

Talvez, desta vez, sem as ladainhas da culpa, algo mude no Rio de Janeiro.

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (4)

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (4)

St. Christopher's Last Stand

Ed Motta

Composição: Ed Motta/Robert Gallagher

Saint Christopher
He's lost and shaking
He didn't know
The neighbourhood ends
Their walking
In the streets
Is that your dog
With my name
In my name
Is that rain
Goodnight
Even more rain
Goodnight
Zofo plays
Broken world
And clouds will laugh
With broken voices
To play just once
With not one reason
So slowly hear it walk
Can't hold it still
We're waiting
In our names
Is that rain
It's here
The last song came
Good night
Zofo plays
Broken world


*****


The Caretaker

Composição: Ed Motta / Robert Gallagher

Help me build moon
This evening
Night will be here
Too soon
If there's no moon
In the sky well
Angels won't see
No light
Hit the ground
And soon
There's angels
Crashing down
Around the town
My job
Is to make sure
They don't
Heavens caretaker
I'm sweeping up
Another night
Don't let them
Be complaining
Say now
I didn't see
Go let'em know
I'm starting build
That moon
Make that light
Shine it out
But there's one way
To make moon melody
It's true
A silver spoon
And kiss or two
I'll buy a kiss now
Don't be scared
This night
Will chose you
Heard your voice
Knew it was
The new you in me
I need to know
Steal your soul
Don't be scared
I'm just
Heavens caretaker
Sweeping up the night
Help me build moon
This evening
Time it won't let us be
Don't ask
For no understanding
They don't know
You won't know
I don't know
Your you in me
Makes the moon melody
Come true
If you just
Sell your kiss
It starts
The caretaker
Trying to light
Another night

*****

The Man From The Oldest Building

Composição Ed Motta

If I could love
The music in the air
If I could go
Just dancing everywhere
If I was the one
Who fights to live
With never care

And in green parks
I'd run until I'm light
And in pictures
I'd be the best upright
And in every street
Someone was there
To hold me tight

But I never go
(I don't even try to)
Where the others go
(I don't even cry for)
And the taste I find
No one else will find

No one is there
When I climb the stairs
And no one ever
Is watching my movies
The movies I live in
No one on the sidewalk
The side that I step on
Nobody will order
My sweet pies
And so
For this helluva drink
I'm alone
With me, me

And I go home
To meet my newest chair
And I whistle
Like something's in the air
Then the elevator doors unfold
And there was you

All around you
Is smelling something new
All about you
Is shining into view
When I turned the lights
And shut the door
Then there was you

See my furniture
(Try my dusty pillows)
See my window view
(That's a bat who dances)
These are my old stamps
I collect these things

But I forgot
To introduce myself
I'm just the guy
From the oldest of buildings
The emptiest party
The strangest of clothing
The top of the listings
Of no matches ever
But still burning deep
To be tempted to learn so
Oh, please won't you sit


O homem da mais antiga construção

Se eu pudesse amar
A música no ar
Se eu pudesse ir
Somente dançando em todo lugar
Se eu fosse um
Que luta para viver
Sem se importar

E em parques verdes
Eu correria até iluminar
E em quadros
Eu seria a melhor pintura
E em toda rua
Teria alguém
Para me abraçar forte

Mas eu nunca vou
(Eu nem mesmo tento)
Onde os outros vão
(Eu nem mesmo choro por)
E o gosto que eu encontro
Ninguém mais irá encontrar

Ninguém está lá
Quando eu subo as escadas
E ninguém mesmo está assistindo aos meus filmes
O filme em que vivo
Ninguém na calçada
O lado que eu piso
Ninguém vai pisar
Minhas doces tortas
E então
Para esse drink helluva
Eu estou só
Comigo, comigo

E eu vou pra casa
Para encontrar minha nova cadeira
E eu assobio
Como se algo estivesse no ar
Logo a porta do elevador abre
E lá estava você

Tudo ao seu redor
Cheira como algo novo
Tudo sobre você
Está brilhando dentro de uma visão
Quando eu acendi a luz
E fechei a porta
Lá estava você

Veja minha mobília
(Experimente meus travesseiros empoeirados)
Veja a visão pela janela
(Que tem um morcego que dança)
Essas são meus velhos selos
E eu coleciono essas coisas

Mas eu esqueci
De me apresentar
Eu só sou o homem
Da mais antiga construção
Da festa mais vazia
O mais estranho das roupas
O topo das listagens
Que nunca se iguala
Mas ainda queimando profundamente
Para estar apto a aprender
Oh, por favor, não que sentar-se?

Hoje é dia de Santa Bárbara - Êparrei iansã!

Salvador - Bahia - Brasil

Hoje é dia de Santa Bárbara - Êparrei iansã!


Memória e difusão de Santa Bárbara são garantidas com livro inédito do IPAC

Com 78 páginas, 24 fotos e mapas, livro conta os 300 anos de história da Festa de Santa Bárbara, com artigos inéditos sobre a santa católica, a deusa yorubá Oyá e a devoção que atrai milhares de pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo, para a manifestação que acontece no Centro Histórico de Salvador todos os dias 4 de dezembro

Tornada oficialmente bem público imaterial da cultura baiana através de decreto do governador Jaques Wagner em dezembro de 2008, a Festa de Santa Bárbara – que acontece no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador – ganha neste sábado, dia 4 (dezembro, 2010), mais um produto para preservar a sua memória e difusão em escolas, colégios, bibliotecas, faculdades e universidades, e outras instituições culturais.



Trata-se do livro “Festa de Santa Bárbara”, quinta edição da série Cadernos do IPAC, que de 2007 a 2010 já publicou livros sobre Pano da Costa, Festa da Boa Morte, Carnaval de Maragojipe e Desfile dos Afoxés, este último lançado ontem (30) no Palácio da Aclamação. A iniciativa é do Instituto do Patrimônio do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) da secretaria estadual de Cultura (SecultBA).


Segundo o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, a publicação dos dados e informações produzidas pelas equipes técnicas multidisciplinares do Instituto é uma obrigação regimental. “Temos que tornar público o conhecimento científico produzido na instituição e um deles é o dossiê de pesquisas que fundamentam os registros dos patrimônios imateriais da Bahia, como a Festa da Boa Morte”, ressalta Mendonça.


O gestor estadual destaca que os livros serão distribuídos para bibliotecas de todo o estado através da Fundação Pedro Calmon – parceira das edições Cadernos do IPAC – e trabalhados pelos sistemas públicos de ensino estadual e municipais. Para Mendonça, o patrimônio intangível, como as festas e celebrações de um povo, só resistem ao tempo e sobrevivem, como a Festa de Santa Bárbara sobreviveu por três séculos, graças ao desejo de uma comunidade de repassar aquela herança para as gerações futuras.


”Ao fornecer a chancela de bem cultural imaterial, o Estado passa a ser partícipe desse processo de resistência ao tempo e por isso o IPAC apóia financeiramente a festa e faz produtos como o livro”, diz Mendonça. Através do IPAC/SecultBA o governo estadual promove a montagem de palco no largo do Pelourinho, sistema de som, decoração de andores, palco e barracas de comerciantes, camisas e grupo de cântico, além de carurus de algumas associações, como a do Mercado de Santa Bárbara. “O apoio é vital para a Irmandade e a comunidade que participa da festa”, afirma o Prior da Irmandade dos Homens Pretos, Júlio César Soares, entidade organizadora do festejo.


HISTÓRIA – A Festa de Santa Bárbara remonta ao ano de 1639, quando o casal Francisco Pereira e Andressa Araújo construiu capela devocional no comércio às margens da Baía de Todos os Santos, em Salvador. Desde então a festividade, transferida para o Pelourinho, tornou-se não somente fonte de fé para católicos como também para adeptos da religiosidade de matrizes africanas, que chegam de diversos estados brasileiros e até de fora do Brasil para participar da festa e procissão em Salvador. A programação (ANEXA) inclui tríduo de celebrações eucarísticas que começou hoje (01.12) e termina na sexta-feira (03) na Igreja da Ordem 3ª do Carmo – já que a igreja Rosário dos Pretos está em obras de restauração pelo IPAC com investimento de R$ 2,3 milhões do Ministério do Turismo e Governo da Bahia.


No sábado, dia 4, às 5h30, ocorre salva de fogos de artifício na alvorada e às 8h00 começa a missa celebrada em palco montado no Largo do Pelourinho. Ao término da missa será lançado o livro. Depois é iniciada a procissão que percorre a Rua Gregório de Mattos, seguindo pelo Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Praça Municipal, Ladeira da Praça, Praça dos Veteranos – quando a procissão Adentra o Corpo de Bombeiros – passando pela Baixa dos Sapateiros até o Mercado de Santa Bárbara. Mais informações na Irmandade do Rosário dos Pretos, através do Tel. (71) 3241-5781.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (3)

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (3)

Fora da Lei


Composição: Ed Motta/Rita Lee

Cidade nua
Noite neon
Gata de rua faz ron-ron ao luar
Saio da cama
Pulo a janela
Ninguém como ela, ao luar
Mia, arranha o céu
Mia, lua de mel ao léu, well
Dois gatos pingados fora da lei
Ela é a rainha, eu o rei
Farra no telhado fora da lei
Tudo bem
Sobe desce muros fora da lei
Ela sai por onde entrei
Gritos e sussurros fora da lei
--(instrumental e vocal)
Cidade nua
Faz serenata
Beijo na boca, vira-lata, de lixo
Amor de bicho
Paixão maluca
Cama de gato
Kama Sutra ao luar
Mia, arranha o céu
Mia, lua de mel ao léu, well
Dois gatos pingados fora da lei
Ela é a rainha eu o rei
Farra no telhado fora da lei
Tudo bem
Sobe desce muros fora da lei
Ela sai por onde entrei
Gritos e sussurros fora da lei
--(instrumental)
Mia, arranha o céu
Mia, lua de mel ao léu, well
Dois gatos pingados fora da lei
Ela é a rainha, eu o rei
Farra no telhado fora da lei
Tudo bem
Sobe desce muros fora da lei
Ela sai por onde entrei
Gritos e sussurros fora da lei
--(instrumental e vocal)


*****

Na rua


Composição: Ed Motta

CORO
Mais uma vez
A noite cai
JOVEM
Na rua,rua,rua,rua...
PROSTITUTA 1
Que me quer?
Você?
Quem me vê
Quem me carrega
CORO
Mais uma vez
é tudo igual!
CARTOMANTE
A escada,a escada
a escada,a escada...
PROSTITUTA 2
Vem comigo,vem
Faz de mim
A sua sala e o seu quintal
PROSTITUTA 1
Comigo a luz é sempre acesa

PROSTITUTA 2
Comigo é só no breu
JUNTAS
Perto da cama
Um copo e o chão
PROSTITUTA 1
O resto é amor
CORO
Ou não é?...

*****

Outono no Rio

Composição: Ed Motta e Ronaldo Bastos

Me dê a mão
Vai amanhecer
Juntos pela madrugada
Luz, contra-luz
Sobre os Dois Irmãos
Pra mim
Há um lugar para ser feliz
Além de abril em Paris
Outono, outono no Rio
No seu olhar
Já se fez manhã
Vamos logo a Guanabara
Vai se fechar
Vou levar você
Pra mim

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (2)

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (2)

Baixo Rio

Ed Motta

Duas da manhã
Não fiz nada até agora,
Vou sair fora
Mais um dia se passou
E eu não posso parar
Essa é a hora
Vou caminhar na cidade
Vou ver o luar
Rompendo a madrugada
Sentindo o que a noite, tem pra me dar
Essa vida é tão igual
Tanta gente a vagar
Pro mesmo lugar
Já não vejo mais sentido,
Aonde essa estrada vai me levar


***


Body

Composição: Ed Motta / Bombom

Durmo o dia todo
Eu perco a manhã
Vivo pela noite
Ouço o que eles ouvem
Saio pela a noite
Com ela ou não
Ando pela rua
Ouço o que eles dizem
Vivo a minha vida
Agora sou feliz
Essa é a vida
Que eu sempre quis pra mim
Pago um preço alto
A noite é assim
Sonhos,fantasias
Sua vida está no fim
Sexo,drogas e rock'n'roll
Será que a sua vida
Não tem valor?
Se amar é viver e viver é amar

Não deixe pra viver depois
Se eu não quero sofrer
Eu só quero viver
Me cuido pra curtir depois


***


Caminhos

Ed Motta

Composição: Fran Bouerés e Ed Motta

Ever, ever, ever...
E andando nas ruas
entre becos, esquinas e guetos
S?so em cacos
que cortam a minha alma
E o sangue que cai n???meu
n???
(N???meu, n???meu...)
E o sangue que cai n???meu
n??? baby.
(N???meu, n???meu...)
Andando ??entre trilhas, pistas e rastros
S?lo obst?los
que esbarram na minha vida
E o suor que cai n???meu
n???
(N???meu, n???meu...)
E o suor que cai n???meu
n??? baby.
(N???meu, n???meu...)
Caminhar eu quero
sentindo as chegadas
andando por a?
E o sangue que cai n???meu
n???
(N???meu, n???meu...)
E o sangue que cai n???meu
n??? baby.
(N???meu, n???meu...)



***


Daqui pro Meier

Ed Motta

Composição: Ed Motta e Chico Amaral

Ainda tenho que andar bem
Do Leblon ao Catete
Daqui pro Méier
Ninguém
Imagina a cidade
que se vê do meu táxi
Há que se estar aqui
Porque a gente conhece
o retrato da espécie
quantas semanas também...
Se eu contasse as memórias
Tinha belas estórias,
Ouço dizer
Sinal um casal do sul
ao museu
Final do canal errei
Me lembrei
Te vi no jornal
Gostei do jogo
E agora quem vai admitir
Sei que os bancos não vão
Absurdos
Curdos, ooh
Ainda tenho que andar bem
Do Leblon ao Catete
Daqui pro Méier
Ninguém
Imagina a cidade
Que se vê do meu táxi
Há que se estar aqui
Hoje eu quero jantar bem
e o rádio me chama
Daqui pro Méier
Não dá
Tem o bar do uruguaio
Feijão preto com paio
Mais tarde eu saio, amor
Túnel um casal do sul
Ao museu
Final do canal dobrei
E errei
Te vi no jornal
Gostei da música
E agora quem eles vão
Demitir
Sei que é dificil explicar
Absortos
Tortos

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (1)

A CIDADE NUA E NOTURNA DE ED MOTTA (1)


Iniciamos esta postagem com A Biografia e o Depoimento Autobiográfico do cantos e compositor carioca Ed Motta.

De amanhã, quinta-feira, em diante postaremos suas letras cujo tema central é a cidade. A última postagem, no domingo (5 de dezembro/2010, será ocupada por uma breve análise dessas letras.


Ed Motta é autor de obras primas da MPB interpretadas por diversos cantores. Rita Lee, cantando "Caso Sério" (de autoria de Ed Motta):

Eu
Fico pensando em nós dois
Cada um na sua
Perdidos na cidade nua
Empapuçados de amor
Numa noite de verão
Ai! Que coisa boa
À meia-luz, à sós, à tôa...

Você e eu somos um
Caso Sério
Ao som de um bolero
Dose dupla
Românticos de Cuba
Libre!
Misto-quente
Sanduíche de gente....



***

"Samurai", interpretada por Djavan:

Ai...
Quanto querer
Cabe em meu coração ...
***

Ou "Bijuterias", interpretada por João Bosco e tema musical de novela de TV, tendo como protagonista o ator Francisco Cuoco.

Em setembro
Se Vênus me ajudar
Virá alguém
Eu sou de Virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem
Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir
Urgente ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos ...



***

Biografia

Eduardo Motta é um cantor, compositor, multiinstrumentista, arranjador e produtor nascido em 1971, no Rio de Janeiro. Utilizando a mistura entre ritmos como funk, soul, jazz e bossa nova, Ed Motta marca presença com um som diferenciado.

Sobrinho de Tim Maia, cresceu rodeado de músicos, e teve como grandes influências o funk e o soul. Na década de 80, fez sua primeira apresentação musical com a banda Kabbalah, que fazia cover de bandas famosas como Deep Purple e Black Sabbath.

Nesta época, em parceria com o guitarrista Comprido, criou a banda Conexão Japeri. O primeiro disco foi lançado em 1988, do qual saíram os dois grandes hits “Manuel” e “Vamos Dançar”, tornando o cantor conhecido nacionalmente.

Iniciando a carreira solo, em 1990, grava “Um Contrato com Deus”, que não repercutiu em grande sucesso. O segundo disco, “Entre e Ouça”, apesar de não conquistar o público brasileiro, garantiu ao cantor uma turnê internacional.

Quase uma década depois, o disco “Manual Prático para Festas, Bailes e Afins, Vol. 1” chegou até o público, e proporcionou a Ed Motta seu primeiro disco de ouro. Em 2001 realizou um projeto pessoal: lançou o disco instrumental “Dwitza”, palavra inventada pelo próprio cantor.

Um dos discos mais representativos da carreira de Motta foi “Poptical”. O álbum, que também foi o primeiro pela gravadora Trama, tornou-o ainda mais conhecido no exterior e possibilitou ao cantor uma grande turnê pelo Japão.

Em 2008, Ed Motta inova lançando um disco totalmente em inglês chamado “Chapter 9”. Além de ser lançado nas versões CD e LP, foi o primeiro trabalho do cantor a ser disponilizado gratuitamente no site da gravadora.

Fonte Muita Música

***

Depoimento

Nasci na Tijuca, Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1971, filho de Antonio Carlos e Luzia e irmão de Regina. Minha mãe diz que quando pequeno eu não gostava das músicas dirigidas para crianças e que que um dos meus hits era “You Are The Sunshine Of My Life” de Stevie Wonder (professor Stevie desde cedo ali…). Com uns 7 anos me apaixonei pela disco music que tocava o dia inteiro no rádio e na vitrola de minha irmã. Participamos de concursos de dança e tudo, meu sonho era assistir os “Embalos de Sábado À Noite” mas era menor de idade.


A partir daí começou uma sadia mania de colecionar discos com todos os cuidados que estes requerem. Até que em 82/83 descubro o rock e suas revistas, enciclopédias, discos importados e toda aquela parafernália de colecionador. Me transformo num pesquisador profundo do assunto, de Scooty Moore à Jimmy Page, renegando meu passado disco/soul/funk, atitude típica do público deste tipo de música, vira uma religião, camisetas, bottons e todas essas bobagens (aliás esse negócio de pesquisar eu pulei senão vira uma autobiografia gigantesca. Mas sempre tive umas manias que levava muito a sério tipo peixes, sabia tudo do assunto: nomes científicos, montagem de aquários, etc.)

Logo após o "descobrimento do rock", fui convidado pelo meu vizinho Marquinhos a ser o vocalista de sua banda de hard rock, "Kabbalah" ("hard" e não "heavy", guitarras "Gibson" e não "Jackson"). Me lembro que logo depois só queria saber de blues/rock... E saí da banda para tentar fazer este som. Até que eu descobri o disco "Blow by Blow", de Jeff Beck, que me deu um tapa na cara e uma retomada ao universo da musica negra que eu havia abandonado por uns tempos na época.
Escrevi em fanzine sobre musica negra, fui dublê de DJ e organizei, junto com minha amiga Lisiane, uma semana sobre soul e funk no MIS (Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro).

Um pouco depois, conheci o "Comprido" (Luiz Fernando, guitarrista do Conexão Japeri) e começamos o embrião do Conexão Japeri com diversas "jams" em estúdios na Tijuca e Grajaú. O primeiro nome foi Expresso Realengo, depois virou Conexão Japeri. Este período foi bastante agradável, apesar de nunca ter me adaptado à "democracia de uma banda". Sempre quis trabalhar minhas idéias.
Agora pulo para o polêmico "Entre e Ouça", em que queríamos algo como Steely Dan, mas o orçamento era de um artista underground jamaicano. Mas saiu. As músicas aqui não eram para dançar, mas para pensar.

Nunca descartei a possibilidade de fazer um disco sem letras. Era uma questão de honra.
Apesar de ser brasileiro, se a questão é ritmo eu e uma grande parte da minha geração fomos expostos muito mais ao pop norte-americano e inglês inicialmente. Aí pensei: posso fazer uma coisa popular de nível, sofisticação, cuidado, etc, mas que remetesse a minha irônica "raiz" inicial : o soul/funk norte-americano. Então iniciei a idéia de "Manual Prático Para Festas, Bailes e Afins Vol.I" . Foi com prazer saudosista que realizei este disco. A todo momento me lembrava do "Conexão" e "Contrato Com Deus". "Manual Prático...vol 1", é um disco que tem o sabor da simplicidade dos meus primeiros trabalhos, mas com uma capacidade técnica e de composição maiores. Assim espero eu...
Entre o "Manual", que tive o prazer de receber meu primeiro disco de ouro, e o "As Segundas Intenções", muita água rolou, desde um, duas trilhas premiadas, "Ninó" e "Uma Janela Para o Cinema", a um show inesquecível com Roy Ayers no Central Park em NY.

Depois disso veio o "Dwitza". A idéia desse disco surgiu quando eu pensei e me questionei no que poderia lucrar na negociação do contrato. Outros artistas pensam em dinheiro, coisas materiais - "ah, vou comprar um apartamento", por aí vai. Eu não. Eu queria gravar um disco especial, queria ter o mesmo tratamento que dão aos meus discos pop, mas que fosse instrumental. Gosto de dizer que é um disco instrumental. Tem jazz no meio, bastante, mas também referências de música para cinema, canções de musicais da Broadway, e música brasileira também. Queria que Dwitza tivesse um pouquinho de cada coisa que eu ouço, e mesmo assim nem consegui colocar tudo no disco.

Atualmente, acabei de gravar meu mais recente trabalho; “Poptical”, eu mesmo produzi e ele conta com letras de Seu Jorge, Adriana Calcanhotto, Daniel Carlomagno, Bluey (líder do grupo inglês Incognito) e outros convidados.
Ed Motta
Biografia enviada por ryden em 20/3/2009