sexta-feira, 5 de setembro de 2014

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CICLOVIAS, "BECO SEM SAÍDA" DA MOBILIDADE URBANA (1)

CICLOVIAS, "BECO SEM SAÍDA" DA MOBILIDADE URBANA (1)


Europeus, espantai-vos!!!



Longe, bem longe e cada vez mais longe das cidades européias ... no Brasil cidades e capitais de diversos tamanhos e de maior ou menor importância automóveis, vendedores  ambulantes  comerciantes, transeuntes ... e tudo o mais ... estão invadindo  as ciclovias.

É uma agressão sem tamanho contra aqueles e aquelas, heróis e heroínas deste Brasil de início de século que AINDA insistem em ir ao trabalho, escola ou ao lazer montados em suas bicicletas ... quando poderiam estar montados em seus confortáveis automóveis particulares, em ônibus os lentos, quebrado, sujos, inseguros e cheios; desconfortáveis  e inseguros ou em  vagões  superlotados ... paraísos de bolinadores, estupradores, ladrões e assaltantes.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SOSIGENES COSTA - POESIA.NET - S PAULO- BRASIL

Número 317 - Ano 12
São Paulo, quarta-feira, 3 de setembro de 2014
poesia.net header

«Circunda-te de rosas, ama, bebe / 
E cala. O mais é nada.»
 (Ricardo Reis
Fernando Pessoa

Cinco sonetos pavônicos



Sosígenes Costa 
Sosígenes Costa



Beatriz Milhazes - Chiclete com Banana

O PRIMEIRO SONETO PAVÔNICO

Foge a tarde entre o bando de gazelas.
A noite agora vem do precipício.
Sóis poentes, douradas aquarelas!
Mirabolantes fogos de artifício!

Maravilhado assisto das janelas.
Os coqueiros, pavões de um rei fictício,
abrem as caudas verdes e amarelas,
ante da tarde o rútilo suplício.

Cai uma chuva de oiro sobre os cravos.
O grifo sai do mar com a lua cheia
e as pombas choram pelos pombos bravos.

Um suspiro de amor do peito arranco.
A luz desmaia. E o céu todo se arreia
Em vez de estrela de narciso branco.

(1923)

pavão azul-verde


TORNOU-ME O PÔR DO SOL UM NOBRE ENTRE OS RAPAZES

Queima sândalo e incenso o poente amarelo,
perfumando a vereda, encantando o caminho.
Anda a tristeza ao longe a tocar violoncelo.
A saudade no ocaso é uma rosa de espinho.

Tudo é doce e esplendente e mais triste e mais belo
e tem ares de sonho e cercou-se de arminho.
Encanto! E eis que já sou o dono de um castelo
de coral com portões de pedra cor de vinho.

Entre os tanques dos reis, o meu tanque é profundo.
Entre os ases da flora, os meus lírios lilases.
Meus pavões cor-de-rosa, os únicos do mundo.

E assim sou castelão e a vida fez-se oásis
pelo simples poder, ó pôr do sol fecundo,
pelo simples poder das sugestões que trazes.

(1924)


pavão branco


SONETO AO ANJO

Por tua causa o meu jardim fechou-se
às mulheres que vinham buscar lírios,
quando o poente cor-de-rosa e doce
punha pavões nos capitéis assírios.

Teu beijo como um pássaro me trouxe
o mais azul de todos os delírios.
Por tua causa o meu jardim fechou-se
às mulheres que vinham buscar lírios.

Só tu agora colhes azaleia
e os cintilantes cachos da azureia,
mágica flor que em meu jardim nasceu.

Só tu verás os lírios cor da aurora.
Meu pavão dormirá contigo agora
e o meu jardim dourado agora é teu.

(1930)
pavão vermelho


PAVÃO VERMELHO

Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.

Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.

É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.

Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.

(1937-1959)

pavão azul 


PAVÃO AZUL

No jardim do castelo desse bruxo
d'asas d'ouro e olhos verdes de dragão,
tú és à beira de um lilás repuxo
um grande lírio de ouro e de açafrão.

Transformado em pavão por esse bruxo,
vivo te amando em tardes de verão,
dentre as rosas e os pássaros de luxo
do jardim desse bruxo castelão.

Tenho medo que um dia o jardineiro...
Mas nunca, estou bem certo, do canteiro
há de colher-te, ó minha flor taful.

Porque ele sabe que em manhã serena,
não suportando a ausência da açucena,
há de morrer esse pavão azul.

(s/ data)
000

Caros,

O poeta baiano Sosígenes Costa (1901-1968) já apareceu aqui noboletim n. 79, dez anos atrás. Retorna agora, trazido pela riquezade cores e sonoridades de seus “sonetos pavônicos”.


Nascido em Belmonte, cidade litorânea do sul da Bahia,  Sosígenes fez lá os primeiros estudos e mais tarde tornou-se professor primário. Em 1926, o poeta se transfere para Ilhéus, a capital do cacau, onde passou a maior parte de sua vida. Lá, trabalhou como telegrafista dos Correios e secretário da Associação Comercial.

Discreto, avesso à autopromoção e à convivência nos meios literários, Sosígenes nunca reuniu seus poemas em livro. Somente em 1959, já aposentado e morando no Rio de Janeiro (cidade onde viria a morrer em 1968), cedeu à insistência de amigos e consentiu na publicação de sua Obra Poética.

Essa mesma obra ganharia uma segunda edição em 1978, revista e ampliada pelo poeta paulista José Paulo Paes. Além de reunir a obra do poeta belmontino, Paes escreveu um conhecido ensaio interpretativo chamado Pavão, Parlenda, Paraíso – Uma Descrição da Poesia de Sosígenes Costa, em 1977. Tornou-se assim um dos principais responsáveis pela divulgação da poesia de Sosígenes entre as gerações mais recentes.

Por fim, o Conselho Estadual de Cultura da Bahia publicou em 2001 uma edição comemorativa do centenário de nascimento do poeta, com o nome de Poesia Completa. Nessa nova edição, além dos textos organizados por José Paulo Paes, aparece o poema longo “Iararana”, uma peça ao estilo do modernismo de 1922, que de alguma forma lembra Cobra Norato, de Raul Bopp, e Macunaíma, de Mário de Andrade.


OOO

Devo confessar que roubei do poeta Florisvaldo Mattos (1932), outro baiano da região cacaueira, a ideia de  retornar à obra de Sosígenes Costa pelo atalho das cores e plumas dos sonetos pavônicos. Não, não adianta procurar a palavra no dicionário: ela é criação do próprio Sosígenes e refere-se obviamente ao pavão, essa luxuriante ave ornamental. Há poucas semanas, Florisvaldo reuniu e enviou a amigos os quatro primeiros sonetos ao lado. A eles juntei mais um, o “Pavão Azul”.

•o•



Nos sonetos pavônicos revelam-se traços fundamentais da obra de Sosígenes. Neles estão, por exemplo, a extraordinária criatividade do poeta, sempre às voltas com sons, cores e aromas ― característica que trai as influências parnasiano-simbolistas sempre presentes em seus versos.

A todo momento, a poesia de Sosígenes Costa apela aos sentidos do leitor. As metáforas constituem também um chamado à imaginação. Os pavões, por exemplo, são mutantes. Mudam de cor e de situação e assumem as formas mais inusitadas. Um tem chifre (“pavão pomposo e de chavelho” – “Pavão Vermelho”). Este pertence ao narrador, que diz: “Pavões lilases possuí outrora”. Outras aves são coqueiros e pertencem a um rei fictício (“O Primeiro Soneto Pavônico”). Outra mudança: os pavões (quase escrevo “clarões”) ora são da alvorada, ora do ocaso.

Se o poeta era pessoalmente arredio e reservado (consta que aceitou ser membro da academia de letras de Ilhéus, mas quase nunca a frequentou), revela ao contrário a mesma exuberância das plumas de pavão quando se trata de dar corda à imaginação.

Inventa animais: pavões azuis, vermelhos, verde-amarelos e até cor-de-rosa (“os únicos do mundo” — “Tornou-me o pôr do sol um nobre...”). Inventa reinos, castelos, nobrezas. E esbanja na floricultura: somente nestes cinco sonetos, há cravos, narcisos, rosas, lírios, azaleias, azureias (palavra que não encontrei nos dicionários que tenho nem na internet), lilases e açucenas.

No último soneto dos cinco aqui transcritos, o pavão azul não pertence ao narrador: é o próprio narrador, que foi transformado em pavão por um bruxo. Vivendo nos jardins do castelo desse mago, a ave morre de amores por “um grande lírio de ouro e de açafrão”. E sabe que morrerá se um dia lhe tirarem a açucena amada. Curioso o conhecimento de Sosígenes. Aqui, parece ter havido uma transformação de lírio para açucena. Não: lírio e açucena são a mesma flor.

Outro aspecto importante: os textos saltam, sem a menor cerimônia, do plano visual para o auditivo. Ou, quando não saltam, sugerem ao leitor que o faça. O pavão vermelho é “uma festa de púrpura” e “a cor vermelha chega a ser sonora”. Que som terá essa cor? Pode-se imaginar. Antes, no mesmo soneto, o texto diz que o pavão vermelho — que, aliás, é a alegria — “vem pousar como um sol em meu joelho / quando é estridente em meu quintal a aurora”. Mais uma vez, a aurora, que é tipicamente cor, transmuta-se em som agudo e penetrante.

Por mais que esses textos não possam ser enquadrados, pura e simplesmente, na fôrma parnasiana ou nos procedimentos simbolistas, não há dúvida de que esses pavões mutantes, com suas cores e olores, têm raiz no simbolismo.

Também é certo que algumas palavras ou expressões ficaram velhas na poesia de Sosígenes Costa. No “Pavão Azul”, por exemplo, encontram-se coisas como “bruxos d’asas d’ouro”, algo estranho a olhos e ouvidos atuais. Também é antiga a “flor taful” (alegre, festiva), palavra que já representou um lugar-comum preciosista, uma rima quase obrigatória para azul.

Uma última observação. O título “Tornou-me o pôr do sol um nobre entre os rapazes” aparentemente não tem muito a ver com o soneto, único dos cinco escrito em versos alexandrinos. Mas, observando bem, título e poema ligam-se pelo pôr do sol. E então, no segundo quarteto, ocorre mais uma transformação. O narrador, graças ao poder de sugestão do crepúsculo, transmuta-se no dono de um castelo — que, supõe-se, é o rapaz do título. Note-se que o título é também um verso alexandrino e contém a última rima do soneto (oásis, trazes). É possível imaginar que o poeta pretendia usar o verso-título no corpo do soneto (mais especificamente, no fim), porém a evolução do texto tomou outro rumo. Ele então decidiu manter como título o alexandrino descartado. Grande Sosígenes.


Um abraço, e até a próxima,


Carlos Machado



Sosígenes Costa

•  In Poesia Completa
    Conselho Estadual de Cultura da Bahia
    Salvador, 2001

______________
* Fernando Pessoa, "Ode 358", in Odes de Ricardo Reis


                    
                      •o•






 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SALVADOR - AMBULÂNCIA TOMADA DE ASSALTO QDO ATENDIA

Metro1 no dia 03 de Set de 2014 às 11:40 em Cidade
Veículo da Vitalmed é roubado na manhã desta quarta no bairro de Itapuã
Foto: Divulgação
Um veículo Pálio, de cor azul marinho, placa OWK-7542, da empresa Vitalmed, foi roubado na manhã desta quarta-feira (3), por volta das 9h30, na Rua do Paraíso, em frente a Embasa, no bairro de Itapuã. O carro é plotado com a logo da empresa. 


O veículo foi roubado durante atendimento realizado pela Vitalmed a um associado. O médico se encontrava dentro da residência e o motorista permaneceu dentro do veículo, quando foi tomado de assalto por um homem armado.

Qualquer informação entrar em contato com a Polícia Militar e com o Disque Denúncia através do (71) 3235-0000.

SALVADOR - VEREADORES APROVAM ELEVAÇÃO DE DECIBEIS

SALVADOR - BAHIA - BRASIL

VEREADORES APROVAM ELEVAÇÃO DE DECIBEIS

fonte - jornal A Tarde, Salvador, 3 de setembro de 2014, p. A4


Nove vereadores de Salvador, componentes da Comissão do Carnaval, querem elevar para 110 decibéis(dB) o volume máximo de som dos atuais 70 dB das 7 às 22h. E, ainda, propõem as chamadas 'áreas de exclusão': estadio de futebol da Fonte Nova, Pelourinho, Parque de Exposições e trecho da orla marítima do bairro do Rio Vermelho entre a praia da Paciência e a praça Colombo. Querem, também, a liberação dos 110 dB em toda a cidade 35 dias antes e 10 dias depois do Carnaval e 15 dias antes e 10 dias depois do São João.

O projeto  antes de seguiu para veto ou aprovação do prefeito da capital da Bahia, ja estava, r inúmeras críticas:

"Salvador vai ser a primeira cidade do mundo a legalizar a poluição sonora. A Câmara está querendo que a população de Salvador fique surda" (Dr. Otávio Marambaia - diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia na Bahia)

"Não vamos fazer o mausoléu do silêncio. Nop São João, por exemplo, grupos de samba junino foram proibidos de desfilar por conta do barulho. Salvador deve se permitir continuar sendo a cidade da alegria" (vereador Henrique Carballal - presidente da Comissão do Carnaval)

Aguarda-se, agora, a posição do prefeito.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Á CIDADE COM CARINHO - LISBOA - "UM HOMEM NA CIDADE"



Um Homem na Cidade
Repertório
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: José Luís Tinoco


Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.

Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo o cio,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota que derrota
todo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem.

Flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem

****

Carlos do Carmo canta

https://www.youtube.com/watch?v=v7x9LhCYJo4

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Á CIDADE COM CARINHO - LISBOA - O FADO DA SAUDADE

O FADO DA SAUDADE

Carlos do Carmo

Nasce o dia na cidade, me encanta 
Na minha velha Lisboa, de outra vida 
com um  de saudade, na garganta 
Escuto um fado se entoa, à despedida
E com um nó de saudade, na garganta
Escuto um fado se entoa, à despedida

Foi nas tabernas de Alfama , hora em triste 
Nasceu esta canção, o seu lamento 
Na memória dos vão, tal como o vento 
O olhar de quem se ama e não dados 
Na memória dos vão, tal como o vento 
O olhar de quem se ama e não dados

Quando brilha una chama antiga, sentimento ou 
Oiço este mar ressoa, enquanto canta 
E da Bica à Madragoa, num momento 
Volta sempre esta ansiedad, da partida 
Nasce o dia na cidade, me encanta
Na minha velha Lisboa, de outra vida

Quem vive  passado, sem motivo 
Fica preso a un destino, o invada 
Mas na fado deste almasiempre vivo 
Crece un canto cristalino, sem idade 
Mas na fado deste alma, siempre vivo
Crece un canto cristalino, sem idade

É por isso imagino, em liberdade 
Uma gaivota que voa, renascida 
E já nada me magoa, ou desencanta 
NAS ruas desta cidade, amanhecida 
Mas com um nó de saudade, na garganta
Escuto um fado se entoa, à despedida

Amália Rodrigues canta

https://www.youtube.com/watch?v=uPq3oW8_vCI