sábado, 20 de abril de 2013

MUITAS SECAS E POUCAS CHUVAS AQUI E ALI

Neste momento, centenas de ccidades e áreas rurais da região Nordeste (Brasil), estão amargando os dissabores da seca ... a mais cruel entre dois séculos.

Algumas pancadas de chuva porém, já começam a se anunciar em algumas cidades e em raríssimos espaços rurais.


Hoje, como todo o sábado, é dia de feira em muitas cidades nordestinas. E - triste/trágica ironia! - se a chuva é bemvinda como um bênção no campo  .. nas cidades ela atrapalha a feira

segunda-feira, 15 de abril de 2013

FCCV - A FORÇA DO BRAÇO AUSENTE

FCCV

Forum Comunitário
de Combate à Violência


Leitura de fatos violentos
publicados
pela midia

Ano 13, n. 4, 12/04/2013

Salvador - Bahia Brasil 



A FORÇA DO BRAÇO AUSENTE

De quem é a rua? Alguém pode responder a essa pergunta, assim: é de todo e qualquer cidadão! Outra pessoa pode complementar: é um espaço público! Mas, outro vai rebater: a rua é dos automóveis! Um terceiro pode contra-atacar: a rua é de quem pode mais!

Dividida entre potentes e impotentes, da rua tem sido retirada a abrangência, a ideia de espaço válido para todos. As calçadas, que devem ser lembradas como espaço que compõe as vias públicas e servem aos pedestres, têm funcionado como áreas para estacionamento e, muitas vezes, são lugares ocupados por ambulantes. A figura do pedestre é sucumbida às nesgas que separam bancas, carros e objetos não identificados que surgem no trânsito. E assim, cada vez mais andar a pé pelas nossas cidades é correr riscos.
O primeiro e quase infalível risco é de ser desrespeitado por todos os que portam capacidade motora superior à humana. Depois deste risco certeiro, a pessoa está exposta a toda sorte de “fatalidades” que vão da alta velocidade, passam pelas ultrapassagens em sinais vermelhos e pelas “roubadinhas” dos carros dirigidos na contramão. Muitas vezes, ao lado destas práticas ilegais, os condutores dos veículos falam ao celular e guiam em estado de embriaguez.
Se as coisas são assim, podemos constatar que rua não é de todos, embora necessitemos dela para viver em território urbano. Ela parece pertencer à grande velocidade e, vez  por outra, dá carona a um carro lento, a uma irresponsável bicicleta que decide levar a sério a faixa de ciclista.
Em plena madrugada de 10 de março de 2013, o jovem limpador de vidros, Davi Santos Souza pedala a sua bicicleta em direção ao seu trabalho e é atropelado por um carro na famosa Avenida Paulista. O motorista, Alex  Kozloff Siwek, estudante de psicologia, continua a viagem e quando chega ao destino descobre ter transportado um dos braços de Davi. Surpreendido, Alex vai a um córrego na Avenida Ricardo Jafet e joga o braço na água. Enquanto isso, Davi é socorrido por transeuntes que testemunharam o acidente. A equipe médica do hospital precisa do braço que fora decepado para reimplantá-lo. E é aí, neste ponto, que a história assume peculiaridade. Davi não é um atropelado qualquer, ele é aquele teve o braço “usurpado” por seu atropelador. É identificado midiaticamente pela imagem da falta de uma parte sua que fora subtraída como coisa imprestável, um bagulho que pode criar problema a quem o porta.
O desfalque do braço deu ao caso uma potencialidade a mais em comparação com os atropelados que mantêm seus membros, ainda que destroçados, reunidos sobre o asfalto. No rumor das ruas, nos papos cotidianos já foi incorporada a referência: vocês já viram o caso do braço do rapaz?
Separado do corpo, o braço se torna uma alavanca que faz movimentar a mídia e a opinião pública. A sensibilidade alcança o nível de força coletiva em forma de indignação. O braço ausente denuncia mais que a velocidade que deitou a bicicleta e Davi. Trata-se de uma falta que retira créditos do motorista do carro e os transfere ao ciclista atropelado, tornando nítidas as posições de vítima e de agressor. Perdido no córrego, o braço opera uma distinção crucial na percepção moral do acidente.

A triste história conquistou notoriedade maior que os acidentes de trânsito regularmente observados nas vias urbanas e estradas do País. Esta intensidade por parte da atenção midiática evidencia que a alta produção de acidentes dentro de padrões habituais consolidou-se como ocorrências básicas, afeitas a estatísticas e a notas miúdas nos meios de comunicação de massa. E assim, placidamente, como as águas dos rios, passam feridos e mortos às margens da mídia. Cabe, então, recordar que o comportamento do condutor ao atropelar Davi está dentro do modelo padrão. Talvez a embriaguez basilar não lhe tenha permitido desvencilhar-se do “objeto estranho” na zona de aproximação do corpo. Quem sabe ele estivesse fugindo, procedimento já clássico nestes episódios, e, na pressa, não pode devolver o braço ao corpo. E foi assim que a sua irresponsabilidade tornou-se visível. Espera-se que o motorista não pense que o seu “único erro” tenha sido um braço lançado às águas.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

POESIA.NET - A LIÇÃO DE PENÉLOPE

«E a poesia mais rica / é um sinal de menos.» (Drummond) *   ••• | •••   «A poesia verdadeira é a mais fingida.» (Shakespeare) **

Edna St. Vincent Millay
Edna St. Vincent Millay
 
Caros,


Já faz alguns anos que eu pensava em trazer para o poesia.net o trabalho da poeta americana Edna St. Vincent Millay (1892-1950). No entanto, a ideia não se concretizava. Um dos motivos para isso era — e ainda é — a escassa disponibilidade de poemas da autora traduzidos para o português.

Este boletim começou a tomar forma quando reuni dois textos de Edna Millay traduzidos, um por Carlos Drummond de Andrade e o outro por Paulo Mendes Campos. Saí à cata de outras versões e não obtive êxito. Depois, lembrei-me de que eu mesmo havia feito tentativas de traduzir alguns poemas dela. Revisei esses exercícios e passei a ter a matéria-prima para o boletim.
                      •o•      
Poeta e dramaturga, Edna St. Vincent Millay nasceu no Maine e foi a primeira mulher nos Estados Unidos a receber o Prêmio Pulitzer de poesia. Conhecida por sua obra literária, ela também ganhou notoriedade pelo estilo de vida anticonvencional e boêmio, além de suas diversas relações amorosas. Seu segundo nome não é de família. Trata-se de uma homenagem ao St. Vincent Hospital, em Nova York, que salvara a vida de um tio dela, pouco antes do nascimento da poeta.

Com duas irmãs mais novas, Edna foi criada pela mãe que, embora pobre, tinha apurado gosto pelos clássicos e lia para as filhas autores como Shakespeare e John Milton. Estudiosa de línguas e literatura, Edna publicou seu primeiro livro, Renascence and Other Poems, em 1917. Nesse ano, mudou-se para Nova York e passou a escrever peças de teatro. Com o pseudônimo de Nancy Boyd, também publicou contos.  Em 1920, saiu A Few Figs from Thistles, volume de poemas que conquistou muita atenção, devido às referências à sexualidade feminina — um escândalo para a época — e aos pontos de vista feministas. O Prêmio Pulitzer veio em 1923, por seu quarto livro de poesia, The Harp Weaver. 

Edna Millay, que era abertamente bissexual, casou-se em 1923 com o holandês Eugen Voissevain (1880-1949), empresário que se autoproclamava feminista. Foram viver numa mansão rural. Voissevain passou a atuar como administrador da carreira literária da esposa, organizando leituras e palestras para ela. Conforme relato da própria Edna, o casal vivia como se fossem dois solteiros, num “casamento aberto”. Ficaram juntos até a morte dele, em 1949. Ela morreria um ano depois.

Dona de beleza extraordinária, Edna St. Vincent Millay era uma pessoa engajada em causas políticas e sociais. Feminista, pacifista, simpatizante comunista. Em 1927, juntou-se a um grupo de intelectuais que pediam a absolvição de dois anarquistas acusados da morte de dois policiais em Massachusetts. Era o conhecido caso Sacco e Vanzetti. Os dois foram condenados e executados, e Millay acabou presa. Durante a Segunda Guerra Mundial, a poeta destacou-se como militante pacifista, levantando a voz contra o fascismo espanhol e o nazismo alemão.
                      •o•
Passemos à pequena amostra de poemas de Edna Millay apresentada neste boletim. Amor e morte são dois temas caros à poeta. Dos cinco poemas aqui apresentados, somente dois não fazem referência direta a esses temas. O soneto “O amor não é tudo”, na versão de Paulo Mendes Campos, trata das peripécias do relacionamento amoroso.

Em “Canto Fúnebre sem Música”, vertido para o português por Carlos Drummond de Andrade,  ela declara sua inconformidade com a morte de pessoas queridas. “É assim, assim há de ser, pois assim tem sido desde tempos imemoriais”, diz o texto, que termina com um brado de revolta: “Eu sei. Porém não estou de acordo. E não me conformo”.

No poema “Um Gesto Antigo”, a autora recorre ao casal Ulisses e Penélope, personagens da Odisseia, de Homero. Como se sabe, por vinte anos Penélope esperou o retorno do marido, que saiu para lutar na guerra de Tróia. Não havia notícias dele, nem se sabia se estava vivo ou morto. Por causa disso, o pai de Penélope propôs que a filha se casasse novamente.

No entanto, fiel a Ulisses, ela disse que só se casaria quando terminasse de tecer um sudário para o sogro. Pretendentes faziam fila à porta de sua casa. Mas, como não desejava casar-se, ela usava de um ardil: tecia durante o dia e, à noite, desfazia tudo às escondidas, de modo que o trabalho nunca terminava. No texto, Edna Millay faz referência a esse estratagema. Trata-se na verdade de um poema feminista, que zomba discretamente do pressuposto de que homem não chora. E mostra que o bravo guerreiro Ulisses também aprendeu lições com a tecedeira Penélope.

A quadra “Primeiro Figo” corresponde ao primeiro poema do livro A Few Figs from Thistles (Alguns figos dos abrolhos). Esse título faz referência a um trecho bíblico do Novo Testamento, que pergunta: “Colhem-se, porventura, uvas de espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mateus, 7:16). Contrariando a lógica do evangelista, Edna conseguiu a proeza de colher figos poéticos de outra planta que não a figueira.

O último texto mostra a faceta política de Edna St. Vincent Millay, sua defesa do pacifismo e, ao mesmo tempo, a ideia de resistir às tiranias, que ela sabiamente associa à Morte. O poema “Conscientious Objector”, aqui traduzido como “Objeção de Consciência”, veio a público em 1934. “Conscientious objector” é a pessoa que se recusa a prestar o serviço militar, alegando razões como liberdade de pensamento ou religião.

A pessoa que fala no poema contrapõe-se radicalmente a fazer qualquer tipo de acordo com a Morte. Esta aparece personificada, com inicial maiúscula, na figura de um cavaleiro. Sim, um homem. Para nós a indesejada gentes é mulher, mas na tradição anglo-germânica a morte é representada por uma figura masculina: Mr. Death em inglês, Herr Tod em alemão. Curiosamente, as referências à necessidade de proteger pessoas perseguidas são como um pressentimento do que realmente viria a acontecer, anos depois, na Europa conflagrada, durante a resistência ao nazi-fascismo.
Um abraço, e até a próxima,


                    
                      •o•

Poeta não é
escritor?
Leio por aí, com aflitiva repetição — nos jornais e revistas, na internet e em escritos acadêmicos —, a expressão “o poeta e escritor Fulano”. Pergunto aos sensíveis e argutos leitores deste boletim: poeta não é escritor?

Se fosse “poeta e jornalista”, perfeito; ou então “poeta e dramaturgo”, “poeta e compositor”, “poeta e administrador de empresas”. Ou mesmo, como era o caso do pernambucano Joaquim Cardozo, “poeta e engenheiro calculista de concreto”.

Creio que os únicos exemplos de poetas-não-escritores eram os praticantes do poema processo (movimento derivado da poesia concreta), que produziam peças com desenhos, fotos e símbolos não-verbais. Mas duvido que os repetidores da expressão “poeta e escritor” tenham em mente qualquer alusão ao poema processo.

Por que não dizer, com mais acerto e informação, “poeta e romancista”, “poeta e contista”, “poeta e ficcionista”, “poeta e ensaísta”?

Para mim, a tautologia “poeta e escritor” só não é pior que o também repetido lugar-comum-com-cacofonia “isso não é tarefa fácil”.



                      •o•


 
A lição de Penélope
Edna St. Vincent Millay


Edna St. Vincent Millay em 1914
Edna St. Vincent Millay em 1914, aos 22 anos

O AMOR NÃO É TUDO

O amor não é tudo: nem carne nem
bebida, nem é sono, lar da gente,
nem a tábua lançada para quem
se afunda e volta e afunda novamente.

O amor não pode encher o pulmão forte,
pôr osso no lugar, tratar humores,
embora tantos dêem a mão à morte
(enquanto o digo) só por desamores.

Bem pode ser, na hora mais doída,
ou da minha franqueza arrependida,
buscando alívio à dor, seja capaz

de vender teu amor por minha paz
ou trocar-te a lembrança pelo pão.
Bem pode ser que o faça. Acho que não.

          Tradução: Paulo Mendes Campos

LOVE IS NOT ALL

Love is not all: it is not meat nor drink
Nor slumber nor a roof against the rain;
Nor yet a floating spar to men that sink
And rise and sink and rise and sink again;
Love can not fill the thickened lung with breath,
Nor clean the blood, nor set the fractured bone;
Yet many a man is making friends with death
Even as I speak, for lack of love alone.
It well may be that in a difficult hour,
Pinned down by pain and moaning for release,
Or nagged by want past resolution's power,
I might be driven to sell your love for peace,
Or trade the memory of this night for food.
It well may be. I do not think I would.

Ruth Chase - Edna St. Vincent MillayRuth Chase, Edna St. Vincent Millay, carvão e café sobre papel

CANTO FÚNEBRE SEM MÚSICA
Não me conformo em ver baixarem à terra dura os corações amorosos,
É assim, assim há de ser, pois assim tem sido desde tempos imemoriais:
Partem para a treva os sábios e os encantadores. Coroados
de louros e de lírios, partem; porém não me conformo com isso.

Amantes, pensadores, misturados com a terra!
Unificados com a triste, indistinta poeira.
Um fragmento do que sentíeis, do que sabíeis,
uma fórmula, uma frase resta — porém o melhor se perdeu.

As réplicas vivas, rápidas, o olhar sincero, o riso, o amor
foram-se embora. Foram-se para alimento das rosas. Elegante, ondulosa
é a flor. Perfumada é a flor. Eu sei. Porém não estou de acordo.
Mais preciosa era a luz em vossos olhos do que todas as rosas do mundo.

Vão baixando, baixando, baixando à escuridão do túmulo
suavemente, os belos, os carinhosos, os bons.
Tranquilamente baixam os espirituosos, os engraçados, os valorosos.
Eu sei. Porém não estou de acordo. E não me conformo.
          Tradução: Carlos Drummond de Andrade


DIRGE WITHOUT MUSIC
I am not resigned to the shutting away of loving hearts in the hard ground.
So it is, and so it will be, for so it has been, time out of mind:
Into the darkness they go, the wise and the lovely. Crowned
With lilies and with laurel they go; but I am not resigned.

Lovers and thinkers, into the earth with you.
Be one with the dull, the indiscriminate dust.
A fragment of what you felt, of what you knew,
A formula, a phrase remains, — but the best is lost.

The answers quick and keen, the honest look, the laughter, the love,
They are gone. They are gone to feed the roses. Elegant and curled
Is the blossom. Fragrant is the blossom. I know. But I do not approve.
More precious was the light in your eyes than all the roses in the world.

Down, down, down into the darkness of the grave
Gently they go, the beautiful, the tender, the kind;
Quietly they go, the intelligent, the witty, the brave.
I know. But I do not approve. And I am not resigned.

Francesco Primaticcio - Odisseu e Penélope
Francesco Primaticcio, italiano, Odisseu e Penélope (1563)

UM GESTO ANTIGO
Pensei, enquanto secava os olhos na ponta do avental:
Penélope também fez isto.
E mais de uma vez: não podes seguir tecendo o dia inteiro
e desfazendo tudo durante a noite.
Os braços se cansam, e a nuca se enrijece.
E a manhã se aproxima, quando pensas que nunca haverá luz,
e teu marido partiu, faz anos, não sabes para onde.
De repente, explodes em lágrimas;
não há outra coisa a fazer.

E pensei, enquanto secava os olhos na ponta do avental:
este é um gesto remoto, autêntico, antigo,
na melhor tradição clássica, grega.
Ulisses também fez isto.
Mas apenas como um gesto — um gesto que indicava
à platéia, que ele estava muito comovido para falar.
Aprendeu com Penélope...
Penélope, que realmente chorava.


          Tradução: Carlos Machado



AN ANCIENT GESTURE


I thought, as I wiped my eyes on the corner of my apron:
Penelope did this too.
And more than once: you can’t keep weaving all day
And undoing it all through the night;
Your arms get tired, and the back of your neck gets tight;
And along towards morning, when you think it will never be light,
And your husband has been gone, and you don't know where, for years.
Suddenly you burst into tears;
There is simply nothing else to do.

And I thought, as I wiped my eyes on the corner of my apron:
This is an ancient gesture, authentic, antique,
In the very best tradition, classic, Greek;
Ulysses did this too.
But only as a gesture, — a gesture which implied
To the assembled throng that he was much too moved to speak.
He learned it from Penelope...
Penelope, who really cried.

 
SteepletopA casa de Edna St. Vincent Millay: hoje é um museu

PRIMEIRO FIGO

Minha vela queima nos dois lados
e não vai durar a noite inteira.
Mas ah, meus amigos, oh meus inimigos —
que luz adorável ela dá!

          Tradução: Carlos Machado

FIRST FIG
My candle burns at both ends;
It will not last the night;
But ah, my foes, and oh, my friends —
It gives a lovely light!


OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA
Eu morrerei, mas
isso é tudo que farei pela Morte.
Eu a ouço tirando o cavalo da baia;
escuto as pisadas no chão do celeiro.
Ela tem pressa; tem negócios em Cuba,
negócios nos Bálcãs, muitos chamados a fazer nesta manhã.
Mas eu não vou segurar a rédea
enquanto ela ajusta as correias.
Ela que monte sozinha:
não lhe darei apoio na subida.

Embora ela fustigue meus ombros com o chicote,
não vou dizer para onde a raposa fugiu.
Com seu casco em meu peito, não vou contar onde
o garoto negro está escondido no pântano.
Eu morrerei, mas isso é tudo que farei pela Morte.
Não estou em sua folha de pagamentos.

Não contarei a ela o paradeiro de meus amigos,
nem o de meus inimigos.
Ainda que me prometa muito,
não darei o endereço de ninguém.
Acaso sou um espião na terra dos vivos
para entregar pessoas à Morte?
Irmão, a senha e os planos de nossa cidade
estão seguros comigo. Jamais, por minha culpa, você será derrotado.
          Tradução: Carlos Machado



CONSCIENTIOUS OBJECTOR
I shall die, but
that is all that I shall do for Death.
I hear him leading his horse out of the stall;
I hear the clatter on the barn-floor.
He is in haste; he has business in Cuba,
business in the Balkans, many calls to make this morning.
But I will not hold the bridle
while he clinches the girth.
And he may mount by himself:
I will not give him a leg up.

Though he flick my shoulders with his whip,
I will not tell him which way the fox ran.
With his hoof on my breast, I will not tell him where
the black boy hides in the swamp.
I shall die, but that is all that I shall do for Death;
I am not on his pay-roll.

I will not tell him the whereabout of my friends
nor of my enemies either.
Though he promise me much,
I will not map him the route to any man's door.
Am I a spy in the land of the living,
that I should deliver men to Death?
Brother, the password and the plans of our city
are safe with me; never through me shall you be overcome.


 
poesia.netwww.algumapoesia.com.br
Carlos Machado, 2013



•  "O Amor não é Tudo"
   Tradução: Paulo Mendes Campos 
• 
"Canto Fúnebre sem Música"
   Tradução: Carlos Drummond de Andrade
    in Carlos Drummond de Andrade, Poesia Traduzida
   
Cosac Naify, São Paulo, 2011
•  "Um Gesto Antigo", "Primeiro Figo", "Objeção de Consciência"
    Tradução: Carlos Machado
______________
* Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), "Poema-Orelha",
  in A Vida Passada a Limpo, 1958
** William Shakespeare (1554-1616),
  in Como Gostais, Ato III, Cena III
______________
- Imagem 1: Foto: Arnold Genthe
- Imagem 2: Ruth Chase, Edna St. Vincent Millay
- Imagem 3: Francesco Primaticcio, Odisseu e Penélope (1563)

- Imagem 4: Daniel Case, Wikimedia Commons

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domingo, 31 de março de 2013

NOSSO BLOGUE VISTO NO BRASIL E NO MUNDO

NOSSO BLOGUE VISTO NO BRASIL
E NO MUNDO

SEMANA DE 24/03/2013 20:00h
A 31/03/2013 19:00h


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sábado, 30 de março de 2013

VILA VERDE - PORTUGAL - MERCADO DE PÁSCOA ATÉ AMANHÃ

fonte - "Correio do Minho, Portugal, 30 de março de  2013
Mercado da Páscoa até amanhã em Vila Verde
autor
O centro de Vila Verde está agora ainda mais colorido com doces típicos desta altura de Páscoa, onde não falta o pão-de-ló e o folar e uma grande variedade de produtos de artesanato desde os tradicionais Lenços de Namorados, a trabalhos em madeira, tapeçaria, cortiça, entre outros, e de produtos agrícolas locais, como as compotas e os licores. O município inaugurou, ontem, oficialmente o Primeiro Mercado de Páscoa na Praça da República, onde vai estar até amanhã.

“Este Mercado da Páscoa é uma oportunidade para os nossos produtores escoarem os seus produtos e, por outro lado, os consumidores têm também aqui a possibilidade de adquirir uma prendinha simbólica para oferecer a alguém especial nesta Páscoa ou mesmo comprar um novo adereço para enfeitar a casa para receber o compasso pascal”, referiu Júlia Rodrigues,
 
vereadora da Cultura, que ontem visitou também o certame.
 

No total são 47 os expositores que exibem nos vários stands os seus produtos, animando o centro da vila nesta altura que é também de festa. 

Esta foi uma iniciativa que partiu dos próprios expositores que regularmente participam nas feiras de artesanato que o Município de Vila Verde promove mensalmente. “O município achou que era uma boa ideia, até porque já promovemos também uma feira do género na época do Natal, e decidiu apoiar os arte- sãos e produtores”, sublinhou a vereadora.
 
“Esta é uma mostra daquilo que de melhor se faz no concelho e fora do concelho, aproximando o produtor do consumidor”.

“A Páscoa em Vila Verde
 
é vivida de forma muito intensa”

“A Páscoa em Vila Verde é vivida de uma forma muito intensa, com a saída da Cruz bem cedo para visitar todos os lares. Os vilaverdenses aproveitam para visitar todos os seus familiares e amigos durante este ritual”, garantiu Júlia Rodrigues.
 

A vereadora destaca a recolha da Cruz como um dos momentos mais solenes e comoventes, em que todas as pessoas se juntam para cantar, em uníssono, o cântico de aleluia.
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sexta-feira, 29 de março de 2013

SALVADOR HOJE 464 ANOS - SUGESTÕES À PREFEITURA

SALVADOR (BAHIA - BRASIL) - HOJE 464 ANOS



SUGESTÕES Á PREFEITURA





Salvador é uma quase São Luiz (capital do Maranhão/Brasil) de tão quasilha  que é, vale dizer, de cercada, pelas águas do mar,  em quase 100% de seu território urbano. Isso já o dissemos, em várias ocasiões neste Blogue CIDADE.

Ontem, o jornal local  “A Tarde” divulgou, em primeira página, que a Prefeitura irá implodir instalações  do shopping AEROCLUBE localizado na orla marítima do bairro da Boca do Rio. Implodir mas, depois, reconstruir o  shopping.

Ora, de Itapagipe a Itapuã, a visão que se poderia ter do mar aberto e da baía de Todos os Santos está lamentavemente bloqueada – prejudicada mesmo! -  por centenas de obstáculos ... apenas  alguns  podem ser chamados de belos ... o imóvel que abrigava as instalações da Petrobrás, na Jequitaia, por exemplo.

Sugestões deste Blogue à Prefeitura da quatrocentona Salvador:

1 – no lugar de reedificar o AEROCLUBE (sem garantias de que não haverá novo fracasso econômico), construir uma área aberta (envolvendo todos os terrenos adjacentes e abandonados) e nela instalar m parque com equipamentos de ginástica  e de lazer contemplativo (bancos de praça e conjuntos de bancos e mesas para jogos de dama, dominó ...), uma escultura de modelo antigo de pequeno aeroplano (para ajudar a resgatar a memória de quando o local era utilizado para pouso e decolagem de pequenos aviões desportivos).

Acrescentar a esta uma área verde com árvores nativas além de coqueiros ou palmeiras;

2 – Implodir, também, os “marcos” verticais de péssimo ngosto, horrorosos, imundos, inseguros, mal cheirosos,  danificados e inúteis onde estão inscritas os nomes de cada praia.

Tudo para que as pessoas (de carro, bicicleta, moto, ônibus, ou simplesmente a pé) possam exercer o (prosaico) direito de ver o mar.


  

quinta-feira, 28 de março de 2013

VIVADANÇA - FEST INTERNACIONAL HIP HOP


VIVADANÇA - FESTiVAL INTERNACIONAL HIP HOP

SALVADOR - BAHIA - BRASIL






Hip-Hop em Movimento agita o VIVADANÇA – Festival Internacional

Show do rapper Thaíde, batalha de break com b.boys e b.girls de vários estados, feira, oficinas, debate e muita discotecagem agitam a MOSTRA HIP HOP EM MOVIMENTO

O VIVADANÇA Festival Internacional promove mais uma edição da Mostra Hip Hop em Movimento, evento criado em 2009 para fortalecer a dança de rua e as diversas linguagens artísticas que compõem o universo do hip hop na programação do festival. A mostra acontece nos dias 6 e 7 de abril, no Teatro Vila Velha e Passeio Público, com uma programação abrangente e gratuita, que inclui show do rapper e apresentador paulista Thaíde, no dia 6, às 20h. Mas, os concorrentes da agitada batalha de break já se esquentam com as eliminatórias, dia 4 de abril, no Cine-Teatro Solar Boa Vista.

Além da já tradicional Batalha de Break, que reúne b.boys e b.girls de todo o país, está entre as atividades mais esperadas pelo público nesta edição a apresentação de Thaíde. O rapper, um dos mais famosos do país, traz o showSr. Tempo Bom, que faz um apanhado da carreira do artista. Acompanhado pelo DJ Spaiq e pelo MC Pump Killa, ele vai relembrar sucessos como “Corpo Fechado”, “Apresento meu Amigo”, “Sangue Bom”, “Malandragem Dá um Tempo”, “Pra Cima” e “Senhor Tempo Bom”.

O rapper Thaíde também participará da mesa-redonda sobre o tema “Juventude e Educação”, quem tem como objetivo refletir sobre a contribuição que a juventude ligada ao hip hop pode dar à educação básica nas escolas públicas. Outro convidado é o ex-MC carioca Big Richard, que atualmente é apresentador e repórter da TV Brasil. O Ministério da Educação (MEC) também confirmou presença através do seu coordenador de Educação Integral, Heitor Martins. O debate acontecerá no dia 6 de abril, sábado, a partir das 14h, no Teatro Vila Velha.

A mostra Hip Hop em Movimento conta ainda com uma série de atividades como as oficinas de break, grafite e DJ, feira com artigos de hip hop, 
pocket show e a transmissão ao vivo do programa “Evolução Hip Hop” da rádio educadora. “Estas atividades são importantes, pois fortalecem não apenas a dança, mas todas as expressões da arte urbana, ajudando a difundir a cultura hip hop no Brasil”, destaca o coordenador da Comunicação, Militância e Atitude - CMA Hip Hop, Dj Branco.

6ª Batalha de Break – Evolução Hip-Hop
Ponto alto da mostra, a 6ª Batalha de Break – Evolução Hip-Hop reúne b.boys e b.girls numa disputa em duplas no formato 2×2 no estilo b.boy.
As premiações em dinheiro somam R$ 4.500.00, sendo R$ 2.000.00 para o primeiro colocado, R$ 1.500.00 para o segundo e R$ 1.000.00 para o terceiro, além de troféus e medalhas.

As inscrições já foram encerradas e 64 duplas se enfrentarão na batalha. grande final será no dia 7 de abril, domingo, a partir das 14h, no Teatro Vila Velha, com discotecagem dos Djs Bandido, Leandro e Jarrão. A premiação está marcada para acontecer às 21h.

Oficinas

As expressões artísticas que compõem a cultura hip hop serão contempladas em três oficinas: a de DJ, ministrada pelo Dj Môpa; a de graffiti, com Lee 27; e a de dança de rua, conduzida pelo b.boy Ananias. Podem participar das oficinas pessoas de qualquer idade e as inscrições, que são gratuitas, podem ser feitas no site do festival.



SERVIÇO

DIA 4 DE ABRIL
Eliminatória da 6ª Batalha Break – Evolução Hip Hop
Local: Cine-Teatro Solar Boa Vista (Brotas)
Data: 4 de abril, a partir das 14h
Ingressos: entrada franca


DIA 6 DE ABRIL
Mostra Hip Hop em Movimento
9h – Oficinas de break, grafite e DJ
14h às 21h – Feira Hip Hop
14h às 16h30 – Mesa-redonda: Juventude e Educação. Palestrantes: Thaíde (SP), Heitor Martins (Ministério da Educação – MEC), Big Richard (DF) e  DJ Branco (BA)
17h às 18h – Transmissão ao vivo do Evolução Hip-Hop - Fúria Consciente, com Léo Solza e Victor Haggar
18h às 19h40 – Pocket-show:  Invés, com Mensage Negra (SE) e Opanijé (BA)
20h – Show: Sr. Tempo Bom  Thaíde (SP)
Local: Teatro Vila Velha
Data: 6 de abril
Ingresso: entrada franca

DIA 7 DE ABRIL
14h - Finais da 6ª Batalha Break – Evolução Hip Hop, com discotecagem dos DJs Bandido, Leandro e Jarrão
14h às 21h – Feira Hip Hop
21h – Premiação da da 6ª Batalha Break – Evolução Hip Hop
Local: Teatro Vila Velha
Data: 7 de abril
Ingresso: entrada franca


CONTATOS
Joceval Santana (Assessoria de Comunicação) – 9267 0116
Gabriela da Fonseca (Assessoria de Comunicação) – 9103 2726
DJ Branco (coordenador da Mostra)– 9151 0631

  
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