sábado, 23 de junho de 2012

' A UTOPIA' - de THOMAS MORUS - UM BRINDE P/ VOCÊ

Para você, leitor / leitora fiel a este Blogue, um brinde a todos nós apaixonado(a)s pelas cidades  e de todo o mundo e de todos os tamanhos, este brinde para nos ajudar a pensar as cidades de todo o mundo e de todos os tamanhos sobreviventes neste ano 2012 depois de Cristo.

A UTOPIA - THOMAS MORUS





(Thomas Morus - 1478 - 1535)

http://www.psbnacional.org.br/bib/b45.pdf

sexta-feira, 22 de junho de 2012

MORUS - DAS CIDADES DA UTOPIA E PARTICULARMENTE DA CIDADE DE AMAUROTA


DAS CIDADES DA UTOPIA E PARTICULARMENTE DA CIDADE DE AMAUROTA

(extraído de A Utopia de autoria de Thomas Morus)

- Quem conhece uma cidade, conhece todas, porque todas são exatamente semelhantes, tanto quanto a natureza do lugar o permita. Poderia portanto descrever-vos indiferentemente a primeira que meb ocorresse; mas escolherei de preferência a cidade de Amaurota, porque é a sede do governo e do senado, fato que lhe dá preeminência sobre as demais. Além disso, é a cidade que melhor conheço, pois habitei-a cinco anos inteiros.

Amaurota se estende em doce declive sobre a vertente de uma colina. Sua forma é de quase umquadrado. Começa a estender-se um pouco acima do cume da colina, prolonga-se cerca de dois milpassos sobre as margens do rio Anidra, alargando-se à medida que vai margeando o rio.

A nascente do Anidra é pouco abundante; está situada a oitenta milhas acima de Amaurota. A fracacorrente se engrossa na sua marcha com o encontro de numerosos rios, entre os quais se distinguem dois de grandeza média. Ao chegar diante de Amaurota, o Anidra mede quinhentos passos de largo. A partir daí, segue se avolumando sempre até desembocar no mar, após ter percorrido uma extensão de sessenta milhas. Dentro de todo o espaço compreendido entre a cidade e o mar, e algumas milhas acima da cidade, o fluxo e o refluxo da maré, que duram seis horas por dia, modificam singularmente o curso do rio. À maré crescente, o oceano invade o leito do Anidra numa extensão de trinta milhas, rechaçando-o para a nascente. Então a vaga salina comunica seu amargor ao rio; mas este, pouco a pouco, se purifica, e leva à cidade uma água doce e potável, e a reconduz inalterada até perto de sua embocadura, quando a maré baixa. As duas margens do Anidra estão ligadas por uma ponte de pedra, construída em arcadas maravilhosamente curvas. Esta ponte se encontra na extremidade da cidade mais afastada do mar, a fim de que os navios possam ancorar em todos os pontos da baía.

Um outro rio, pequeno é verdade, mas belo e tranqüilo, corre também no perímetro de Amaurota. Este ribeiro brota a pouca distância da cidade, na montanha sobre que está assentada; e, depois de a ter cortado ao meio, vem unir suas águas às do Anidra. Os amaurotanos cercaram a nascente de fortificações que a ligam aos arrabaldes. Desta forma, no caso de cerco, o inimigo não poderá envenenar o rio, nem barrar ou desviar-lhe o curso. Do ponto mais elevado, ramificam-se em todos os sentidos canos de barro que conduzem a água aos quarteirões baixos da cidade. Onde este meio é impraticável, vastas cisternas recolhem as águas pluviais para os diversos usos dos habitantes.

Uma cadeia de altas e largas muralhas circunda a cidade e, a pequenas distâncias, erguem-se torres e fortalezas. As muralhas, dos três lados, estão cercadas de fossos sempre secos, mas largos e profundos, atravancados de sebes e espinheiros. O quarto lado tem por fossa o próprio rio. As ruas e as praças são convenientemente dispostas, seja para o transporte, seja para abrigar-se do vento. Os edifícios são construídos confortavelmente; brilham de elegância e de conforto e formam duas fileiras contíguas, acompanhando de longo as ruas, cuja largura é de vinte pés. Atrás, e entre as casas, abrem-se vastos jardins. Em cada casa há uma porta que dá para a rua e outra para o jardim. Estas duas portas se abrem facilmente com um ligeiro toque, e deixam entrar o primeiro que chega.

Os habitantes da Utopia aplicam aqui o princípio da posse comum. Para abolir a idéia da propriedade individual e absoluta, trocam de casa todos os dez anos e tiram a sorte da que lhes deve caber na partilha. Os habitantes das cidades tratam de seus jardins com desvelo; cultivam a vinha, os frutos, as flores. e toda a sorte de plantas. Põem nessa cultura tanta ciência e gosto que jamais vi em outra parte maior fertilidade e abundância combinadas num conjunto mais gracioso. Não é o prazer o único motivo que os incita à arte da jardinagem; há emulação entre os diferentes quarteirões da cidade, que lutam à porfia por quem terá o jardim mais bom cultivado. Na verdade, nada se pode conceber mais agradável, nem mais útil aos cidadãos que esta ocupação. O fundador do império bem o compreendeu, quando tantos esforços envidou para encaminhar os espíritos nessa direção.

Os utopianos atribuem a Utopus o plano. geral de suas cidades. Este grande legislador não teve tempo de concluir as construções e embelezamentos que tinha projetado; isso demandava o trabalho de muitas gerações. Assim, legou à posteridade o cuidado de continuar e aperfeiçoar sua obra. Lê-se nos anais da Utopia, conservados religiosamente desde a conquista da ilha e que abarcam a história de mil setecentos e sessenta anos; lê-se que, no começo. as casas eram muito baixas, não havia senão choupanas, cabanas de madeira, com paredes de barro e tetos de palha, terminados em ponta. As casas, hoje, são elegantes edifícios de três andares, com paredes externas de pedra ou de tijolo e paredes internas de caliça. Os tetos são chatos, recobertos de uma matéria moída e incombustível, que não custa nada e protege melhor que o chumbo dos danos do tempo. As janelas envidraçadas (faz-se na ilha grandeuso do vidro) abrigam do vento. Algumas vezes substitui-se o vidro por um tecido de uma finura extrema revestido de âmbar ou óleo transparente, o que oferece ainda a vantagem de deixar passar a luz e evitar o vento.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

HÁ UM ANO ... MÊS MILTON SANTOS (6)

sexta-feira, 17 de junho de 2011


MÊS MILTON SANTOS (6) - SALVADOR PEDE NOVO URBANISMO

MÊS MILTON SANTOS (6)
DEZ ANOS SEM MILTON SANTOS
 
Milton Santos: Cidade pede um novo urbanismo
(extraído do jornal "A Tarde", Salvador (Bahia - Brasil), 29 de março de 2009)

Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, em 1926. Morreu em junho de 2001, aos 75 anos, depois de uma vida ligada a Salvador. Formado em direito em 1948 (Ufba), escreveu livros (cerca de 40) reconhecidos por geógrafos em todo o mundo. Foi preso em 1964 e exilado, passando a ensinar na França, Estados Unidos, Canadá, Peru, Venezuela e Tânzania, antes de retornar ao Brasil. Foi, por muitos anos, editorialista de A TARDE. Há exatos 10 anos, o professor Milton Santos assinava um artigo dentro do caderno comemorativo pelos então 450 anos da fundação da cidade de Salvador, em A TARDE. A lucidez dos argumentos, a lógica das conclusões e a cadência de sua escrita, como sempre, chamaram para esse texto merecidos destaque e atenção. Reconhecendo a atualidade e importância de suas colocações, e prestando uma justa homenagem a esse pensador ímpar, A TARDE, no momento em que comemora os 460 anos da capital baiana, volta a oferecer aos seus leitores o citado artigo. Leia a seguir, na íntegra:


Salvador nasce como uma planta transplantada, para afirmar, em terra americana, a presença portuguesa e servir como base transatlântica ao projeto de mudialização capitalista. Em sua origem deram-lhe um modelo, trazido da corte, mas a mistura, aqui, de raças, línguas e culturas e a adaptação a um meio natural opulento produziram uma associação inesperada, um hibrismo inédito na História, que iria nortear a sua evolução e marcar, para sempre, a personalidade do lugar. Salvador cresceu como península - mar e continente confundidos -, misturando os apelos do mundo e o chamado da terra e assim podendo renovar, século após século, sua aventura original.

Na vida da cidade há momentos decisivos. Para a minha geração, esse momento pode ser estabelecido nos anos imediatos à Segunda Guerra Mundial, nos quais coincidem mudanças fundamentais no panorama internacional, na vida brasileira, na economia do estado e na cidade.

Tratava-se menos de um divisor de águas e mais de uma fase de transição, que iria se estender por um quarto do século, até que se inaugure uma nova fase de crescimento. Foi uma época de abertura explosiva, um período de grande ebulição e de progresso, tanto na vida material, quanto na atividade intelectual. Desenvolve-se, no estado, a agricultura, melhoram os transportes e as comunicações, explora-se o petróleo, assentam-se, com o planejamento, as bases para a industrialização e, quanto à expansão da informação e do consumo, crescem as cidades e a vida de relações.

CRESCIMENTO – Então Salvador se prepara para abandonar seu papel secular de capital incompleta e displicente e passa a vigiar e melhor comandar seu território, dele recebendo contingentes que, em 25 anos, fazem triplicar sua população (menos de 350 mil em meados da década de 40, cerca de 1.150 mil em 1970). A cidade diversifica a sua atividade, produz um novo arranjo de profissões e classes sociais e parte à conquista do seu espaço, criando novos bairros e deixando explodir outros, onde, nas famosas “invasões”, instala-se uma população dinâmica, mas pobre. O velho centro, ao mesmo tempo, moderniza-se e se degrada - sobretudo na Cidade Baixa - e se espalha sobre bairros residenciais tradicionais, mas já não é suficiente para abrigar o comércio e os serviços, que vão criar em outros lugares (primeiro na Liberdade, na Calçada, na Barra) novos pólos de atividade.

A cidade invade uma série de sítios que ela aproveitara ou fabricara em quatro séculos, urbaniza a sua franja litorânea, mas deixa intactos inúmeros vazios.

SER ORIGINAL – Terminada essa fase, Salvador decide ser, logo após Brasília, a segunda cidade mais moderna do Brasil. Mas decreta, também, que deveria produzir sua modernidade de modo original. Para ser como Aracaju, Goiânia ou Belo Horizonte teria que mudar de lugar. Essa idéia não foi aceita. Também não adotou a solução de São Paulo, que substituiu as velhas pedras por novas construções, mas no mesmo sítio, como se a novidade se envergonhasse do passado. Salvador simplesmente se valeu dos vazios especulativos deixados pela história e preferiu dar as costas ao centro velho - que era, praticamente, toda a cidade histórica - e edificar outro todo novo, para a administração, e ainda outro, próximo do primeiro e igualmente novo, destinado aos negócios.

BAIRROS – A originalidade não ficou aí. Foi decidido estabelecer, estrategicamente zonas industriais, à distância da velha urbis, mas planificar bairros residenciais correspondentes. Foi a primeira vez que uma metrópole se tornou cidade-dormitório do seu subúrbio industrial. Uma atividade fabril de elite era concentrada, enquanto os trabalhadores foram espalhados na cidade grande. Assim, através da ocupação dos municípios vizinhos, a região metropolitana era segmentada, enquanto Salvador era puxada para suas extremidades. Criam-se novos vazios, ainda mais valiosos. Como, porém, a cidade não deixava de receber e de fabricar novos pobres, terrenos desocupados acolheram, no chamado “miolo”, centenas de milhares de moradores.

Agora, a cidade se instala em todos os seus sítios: os litorais, os vales, as encostas, os alagados, os morros, as chácaras, arrabaldes e subúrbios, transformando cada pedaço de chão em dinheiro. Salvador se adensa e verticaliza, ao mesmo tempo em que, metrópole nacional, fortalece suas relações externas, incluído o desenvolvimento do turismo nacional e internacional. Foram necessários 50 anos para que a demografia pudesse dobrar, entre 1900 e 1950. Entre 1950 e 1999, a população urbana quase quintuplica, passando de 650 mil para cerca de 3 milhões de habitantes.

CONTRASTES – A cidade de hoje paga um pesado tributo à forma em que cresceu, em busca da modernização. Cega pela ambição de progresso material, devotou as energias disponíveis ao seu planejamento, deixando, porém, quase tudo o mais à espontaneidade. Daí a agudização dos seus contrastes seculares, opondo uma Salvador imponente e limpa, vista e admirada pelos que passam, domesticada em nome da modernidade, habitada pelas atividades e camadas favorecidas e pelas novas classes médias, e outra Salvador, dita irregular, carente de serviços, onde se acotovela a maioria, isto é, os mais pobres. A cidade não apenas acolhe os pobres de sua região, mas, produzindo e agravando a separação, ela também, pelo seu próprio funcionamento, cria pobres.

A realidade é pungente, mas será essa uma problemática insolúvel? Não mais estamos à época da celebração do quarto centenário da fundação de Salvador, em 1949, quando, diante das promessas de riqueza e da permanência do atraso, as elites mostravam sua perplexidade, falando de um “enigma baiano”. Já não é mais difícil localizar os problemas, enumerar suas causas e diagnosticar os remédios. Já sabemos como se formaram, evoluindo juntas, ainda que se dando as costas, essas cidades todas justapostas, contidas em Salvador. Urge, agora, quando festejamos seus 450 anos (nota do editor: época da publicação original desse artigo, em 1999), encontrar as forças para pensar, de modo unitário, um novo planejamento, talvez menos urbanístico e mais urbano; e certamente mais social e mais humano.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

DIA 26/JUNHO - GILBERTO GIL FAZ 70 ANOS

iBahia
  Gilberto Gil disponibiliza acervo na web
 e ganha especial do Youtube no seu aniversário

Na página oficial é possível ver vídeos com depoimentos de outros artistas falando sobre o músico e sua trajetória


Da Redação
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Depois de Paul McCartney receber as homenagens pelo seus 70 anos nesta segunda (18), na próxima terça (26) é a vez do cantor e compositor Gilberto Gil entrar para o time dos setentões da música mundial. E entre as comemorações, que já começaram desde o início do ano, no dia do aniversário de Gil, o YouTube vai exibir uma hora do show 'Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo', gravado recentemente no Theatro Municipal do Rio.
Além disso, dentro do canal de Gil no Youtube, na seção Vídeos, a produção do artista disponibiliza depoimentos exclusivos de diversos artistas falando sobre o aniversariante, e também vários outras gravações com depoimentos e apresentações do próprio Gil, que percorrem toda a sua carreira, dos anos 60 até os dias de hoje.

Assim como
Caetano Veloso, que também chega aos 70 esse ano, fez, todo o acervo de Gil está disponível na internet e o site do artista também reúne um vasto leque de materiais sobre sua trajetória no seu site oficial.
Para acessar o acervo de Gilberto Gil clique aqui.

Veja o teaser do show 'Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo':





Tags: Gilberto Gil, 70 anos, caetano Veloso, Tropicália

terça-feira, 19 de junho de 2012

FCCV - QUANDO A VÍTIMA É NOTÍCIA

FCCV
FORUM COMUNITÁRIO 
DE COMBATE À VIOLÊNCIA


Salvador - Bahia - Brasil  



 

Leitura de

 fatos violentos publicados na mídia  

Ano 12, nº 06, 19/06/2012 


Quando a vítima é a notícia

Diante de tantos casos de crimes que encerram alta periculosidade, os delitos considerados pouco perigosos se tornam matérias de difícil interesse midiático. Para que um “modesto furto” venha a integrar a agenda da mídia é necessário que haja algum elemento peculiar que explique tal atenção. Uma possibilidade concreta se dá, por exemplo, quando o furtado é uma pessoa muito famosa no meio artístico, esportivo ou portador de grande fortuna. Nos últimos dias, o jogador chileno Valdivia, que atua no futebol paulista, deu motivo para a veiculação ampla e repetitiva de um sequestro-relâmpago sofrido por ele e sua esposa. O prestígio do desportista imprimiu um nível de noticiabilidade ao episódio não mais frequente quando este tipo de sequestro vitima indivíduos desprovidos de glamour midiático. Os traumas decorrentes do ato violento sobre a vida do casal ganhou espaço nos meios de comunicação, dando-se a impressão de novidade, quando “a inovação” foi transformar aquele mal-estar que se seguiu ao fato criminoso, em notícia, pois, certamente, qualquer pessoa que passa por esta experiência fica perplexa, amedrontada, insegura, enfim. Mas nem todo entrevistado porta um distintivo como Valdivia, que defende a camisa 10 do Palmeiras.

A vítima de sequestro-relâmpago não tem garantia de qualquer deferência, afinal, este tipo de crime saiu da condição de circunstância extraordinária e se encastelou no cotidiano. Com esta “perda de status”, a ação criminosa perdeu a gravidade dos seus tempos inaugurais, tirando das vítimas a aura de nobreza que era emprestada pela sociedade, especialmente pela classe média, ao se ver possuída pela certeza de ser sequestrável.

Com o tempo, a tal modalidade de sequestro foi se adaptando a mundos cada vez mais precários, atingindo alvos inimagináveis, a exemplo de uma cesta básica pedida como resgate para uma família pobre no Estado do Rio de Janeiro. Não se pode assegurar que estas incursões do mundo do crime tenham obedecido à dinâmica econômica do nosso País, que tem se caracterizado por uma inclusão cujos níveis modestos correspondem à compra regular de produtos alimentares básicos. De qualquer modo, vivemos em tempos de sequestros para todos os bolsos. E quando se chega a este grau de transversalidade, a ocorrência criminosa tende a ser tão inevitável quanto banal.

Assim sendo, quando o raio do sequestro cai sobre o personagem que foge ao padrão, surge o espanto reprimido: e a mulher do jogador não quer mais morar no Brasil, ele ainda não sabe o que vai fazer, afinal, tem custosos compromissos com o time brasileiro. Estes dramas familiares foram representados de modo tão consistente nos espaços midiáticos que renderam noticiável o capítulo relativo à captura do suspeito, fecho já não é habitual nas ocorrências regulares destes crimes os quais, quando são noticiados, são expressados enquanto fatos brutos sem passado e sem futuro.

E assim, a novidade é que o sequestro-relâmpago parece ressurgir do silêncio, mas cabe recordar que esta visibilidade não vem de um lampejo das indústrias da mídia com o intuito de revelarem as condições atuais referentes a estes atos criminosos. O sucesso do caso não vem do sugestivo relâmpago que lhe nomeia, mas do poder de um grande time, de um grande estado, do País do futebol.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

MUNDO ... SOUSAS - CAMPINAS - SÃO PAULO


MUNDO VASTO MUNDO  
SOUSAS - CAMPINAS - SÃO PAULO 



Sousas
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Sousas é um dos quatro distritos pertencentes a cidade de Campinas, no estado de São Paulo. Está localizado na região leste do município, a aproximadamente dez quilômetros do Centro. Embora integre um município e uma região de expressiva produção industrial, o distrito manteve quase que intactas características de vila rural, cidadezinha que nasceu ou cresceu à sombra dos cafeeiros. O ciclo do café deixou fincadas em solo campineiro e paulista as bases, a infra-estrutura e as condições para a implantação de indústrias, mas o distrito, no entanto, permaneceu meio que protegido desse processo, quase que esquecido.

Apesar de a industrialização não ter alcançado direta e expressivamente Sousas e Joaquim Egídio, esses núcleos satélites também se beneficiaram do processo, tanto pela oferta de trabalho para seus habitantes no município e na região, como pela arrecadação de recursos financeiros. Esses recursos, uma vez distribuídos, redundaram em infra-estrutura, saneamento básico, calçamento, acesso rápido ao centro de Campinas, iluminação pública, escolas, uma ótima qualidade de vida, enfim.
O preço da terra por estas bandas, o relevo acidentado e a vocação rural fizeram com que a ocupação do solo e a expansão urbana fossem mais difíceis e lentas. Tudo isso resultou numa espécie de cultura diferenciada do resto de Campinas. Ficaram intactos o modo de vida interiorano, valores esquecidos e sotaques. A população dos distritos é uma mescla de descendentes de imigrantes - sobretudo italianos - alguns descendentes de escravos das antigas fazendas de café e migrantes mineiros e paranaenses.
Geograficamente o distrito se assenta nos limites entre o escudo cristalino do Planalto Meridional e o início da depressão periférica de São Paulo, na faixa sudeste do estado. A Serra das Cabras, ponto culminante do município de Campinas, nada mais é que uma porção avançada do Maciço da Mantiqueira . O clima é próprio de montanhas e no inverno há uma diferença de temperatura de até 2ºC mais baixa em relação à temperatura de Campinas.

Como distrito, Sousas está sob a administração do prefeito de Campinas. No entanto, tem seu subprefeito, indicados por aquele.
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HASSENPFLUG – CENTRALIDADE ... (9 - FINAL)

FINAL
HASSENPFLUG – CENTRALIDADE URBANA (9 - FINAL)

CENTRALIDADE URBANA

Dieter Hassenpflug

Dieter Hassenpflug (Prof. Dr. phil.habil.) é professor da Cátedra de Sociologia e História Social da Cidade desde 1993, na Universidade Bauhaus, em Weimar. Desde 2006 é o diretor do Instituto de Estudos Urbanos Europeus (IfEU). Diretor do Programa Internacional de Doutorado (IPP), patrocinado pelo DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico). Atualmente é professor visitante da Universidade Tongji, em Xangai. Publicou vários livros e artigos em alemão, inglês e chinês.


(FINAL)

Erlebnisgesellschaft (sociedade dos eventos) significa prioridade da emoção (emoção sobre a razão) e rejeição do funcionalismo fordista refletido no slogan “a forma segue a função”. O atual slogan é “a forma segue a emoção”. Esta reviravolta está fortemente relacionada à reinterpretação do valor de uso. As pessoas em opulentos ambientes pós-industriais não se perguntam mais “do que eu preciso?”. Eles se esqueceram disso e simplesmente se questionam “do que eu gosto?”. A superficial sociedade dos eventos nos demonstra o triunfo da embalagem ou da aparência sobre o conteúdo. As pessoas não estão mais calçando sapatos – elas estão usando Nike, Adidas ou Puma. Elas precisam das marcas dos tênis, não deles em si. Ter e usar sapatos são atitudes normais. Entretanto, a marca importa. Esta imagem apóia a identificação e a criação de ambas identidades: individual e grupal. A sociedade dos eventos finalmente significa que tudo se torna entretenimento: infotainment, edutainment, citytainment.

Observemos agora as principais características da produção espacial pós-fordista. Estas são, primeiramente, recentralização, isto é, o redescobrimento dos aspectos sociais, funcionais e emocionais dos bons centros urbanos (reurbanização). Todos as demais podem ser consideradas derivadas da recentralização, como por exemplo:


 §  Temática: ou seja, produção espacial narrativa ou contadora de histórias (ver acima);

 §  Conversão, isto é, o desenvolvimento de brownfields para devolver à cidade áreas não utilizadas (ver os mais proeminentes dos inúmeros projetos de orlas por todo o mundo, especialmente em países desenvolvidos);

 §Promoção de projetos “carro-chefe”. Estratégias “carro-chefe” usam extraordinários arquitetura e desenho urbano para dar a cidades e regiões fracas e decadentes um forte impulso. Projetos “carro-chefe” como o Museu Guggenheim em Bilbao são capazes de revitalizar cidades atraindo turistas e fortalecendo fatores de localização “suaves” como a cultura. Ao usar as sinergias resultantes de estreitas relações com os centros urbanos, podem ajudar a desenvolver ambientes criativos.

 §  Festivalização. Atualmente, a festivalização pertence às mais importantes medidas do planejamento urbano pós-industrial. Somente grandes eventos como os Jogos Olímpicos, Exposições Internacionais, Copas do Mundo de futebol, festivais de arte, filmes ou música, Bienais de Arquitetura (por exemplo, de Veneza ou Pequim) são capazes de concentrar enormes recursos no mesmo lugar. Se analisarmos estes grandes eventos, encontraremos freqüentemente que uma grande quantidade de dinheiro é usada para reformar os decaídos centros urbanos. A razão é que os centros hospedam normalmente os recursos imagéticos da cidade, isto é, os mais importantes monumentos, edifícios, artefatos, texturas, etc. sustentando as histórias e mitos do lugar. Assim, os centros urbanos são palcos naturais onde a cidade bem saúda os visitantes de todo o mundo.

 §  De-diferenciação. Se a festivalização é considerada como um importante meio para atrair recursos e medidas para o melhoramento do centro da cidade, a de-diferenciação pode ser tomada como a meta para os esforços urbanísticos. A de-diferenciação é uma pré-condição para um tipo de espaço urbano demandado por jovens membros de alguns grupos sociais, como os conhecidos por gentrificadores, compradores on-line, yuppies, etc. Na Europa, os centros urbanos até mesmo se tornaram moda. No entanto, e como conseqüência da prioridade do zoneamento – áreas de usos mistos ainda são consideradas espaços inferiores, sobras ou restos. Somente sob pressão da mudança dos estilos de vida e da reinterpretação do espaço central da cidade, a avaliação do espaço urbano se modifica e libera o caminho para uma legenda espacial mais sofisticada.

Antes de finalizar, repassemos rapidamente à idéia de centralidade urbana de Jean Gottmann. Para ele, a centralidade urbana se refere, sobretudo, a um conjunto de importantes e típicas funções que dá às cidades um papel condutor no desenvolvimento de uma região ou país (30). Nos tempos modernos, ou melhor, na era da industrialização, a usina ou fábrica se tornou uma função guia. Enquanto a sua produtividade cresce, e os mercados crescem de locais para regionais, nacionais e, por último, para globais, o impacto da produção industrial sobre a centralidade muda de forte para fraco. O diagrama a seguir tenta resumir esta mudança.

À guisa de conclusão

Para resumir: a cidade, sendo uma obra social, é, acima de 
tudo, caracterizada pela centralidade, refletindo um alto significado simbólico, a acessibilidade e a escassez de espaço do centro urbano. O seu valor (da centralidade) é invariável. Existe desde que as cidades surgiram e não pode ser separado de seu significado. A centralidade é parte essencial da definição de cidade.

Durante o século XX – nós denominamos este período como Modernidade Fordista – os aspectos da centralidade foram subestimados e a relação entre função e significado se tornou desequilibrada. O funcionalismo da produção espacial fordista ameaçou o potencial narrativo e imagético da cidade européia. Interessantemente, o mercado se mostrou muito mais sensível às mudanças sociais, de acordo com o uso do espaço central da cidade. Então, uma enorme indústria de espaços urbanos imitados (espaços de consumo) se expandiu, a qual garantiu o abastecimento do novo mercado do citytainment. Somente gradualmente as novas demandas foram aceitas pelo planejamento profissional. Mas agora, no início do século XXI, a prática da recentralização está no topo da agenda do planejamento urbano. Estas práticas são “reflexivas” na medida em que elas acreditam na possibilidade de reconciliação entre a tradição e a modernidade, isto é, na harmonização da centralidade sócio-cultural tradicional com a nova centralidade funcional.

notas
1
O dualismo e a dialética entre comunidade e sociedade desenvolvidos na filosofia e sociologia – continentais – são formadores desta definição.
Ver Toennies 1991; Weber 1981; Lefébvre, 1972, 1975.

2
SIMMEL, Georg. Soziologie. Frankfurt/M, 1983.

3
PARK, Robert E. "Human Migration and the Marginal Man". In: American Journal of Sociology, Vol. 33, 1928.

4
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Vorlesungen über die Philosophie der Geschichte. Frankfurtam/M., Suhrkamp, 1970.

5
GODELIER, Maurice. Die Produktion der Großen Männer. Frankfurt/New York, Campus, 1987.

6
WEBER, Max. Wirtschaftsgeschichte - Abriß der universalen Sozial- und Wirtschaftsgeschichte. Berlin, 1981.

7
SOJA, Edward W. Postmetropolis. Oxford, 2000.

8
HABERMAS, Jürgen, Theorie des kommunikativen Handelns. Bd. 2: Zur Kritik der funktionalistischen Vernunft, Frankfurt/M., Suhrkamp, 1981.

9
POLANYI, Karl. Ökonomie und Gesellschaft.
Frankfurt/M., Suhrkamp, 1979.

10
Para os comerciantes, para aqueles cidadãos “reais”que eram dependentes existencialmente da economia de Mercado e assim da vida urbana, a cidade adquiriu uma certa ‘esquizotopia’, um lugar duplamente codificado que os incluía e excluía ao mesmo tempo.

11
Especialmente comerciantes de longa distância, muitos judeus entre eles, vindos da Ásia Menor, Norte da África, Espanha Árabe, Veneza, etc. que se estabeleceram após um período muito aventuroso de caravanas baseadas na mobilidade.

12
Talvez seja esta identidade híbrida o que faz estas cidades tão atrativas para ficções. Monte Cassino, próximo de Joanesburgo é um bom exemplo de uso destas potenciais narrativos.

13
HALL, Peter. Cities of Tomorrow - An Intellectual History of Urban Planning and Design in the Twenties Century.
Oxford, Cambridge, Blackwell, 1988.

14
O forte corrente movimento ‘Novo Urbanismo’, o qual poderia ser considerado como um descendente do Movimento “City Beautiful”, está perto de perder este status excepcional. Para uma visão crítica de relevância social, ver MARCUSE, Peter. The New Urbanism: The Dangers so Far. DISP 140, Nr. 1, 2000.

15
Na literatura sobre planejamento, alguns aspectos deste fenômeno têm sido também discutidos, no contexto dos ‘efeitos da aglomeração’ especial.
Cf. KRUGMANN, Peter. Geography and Trade. Cambridge, MIT University Press, 1991.

16
Deve-se levar em consideração que frequentemente ambos os conceitos – centralidade guiada pelo mercado e centralidade sócio política – estão misturados. A ocidentalização ou globalização espacial do urbanismo chinês nos dá um bom exemplo. Para o decifrador Pudong em Xangai, é necessário considerá-la como ambos um produto do Mercado e da política. Em todo caso, a centralidade em si parece ser inevitável e é por isso que tomamos este termo como parte de uma definição ontológica da cidade.

17
HARTEN, Hans-Christian; HARTEN, Elke: Die Versöhnung mit der Natur - Gärten, Freiheitsbäume, republikanische Wälder, heilige Berge und Tugendparks in der Französischen Revolution.
Reinbek, 1989.

18
EISOLD, Norbert. Das Dessau-Wörlitzer Gartenreich - Der Traum von der Vernunft.
Köln, 1993.

19
Ver Oswald Spengler, The Decline of the Occident. [SPENGLER, Oswald.
Der Untergang des Abendlandes. München, 1922]. Contado em edições, este livro deve ser tomado como um dos mais bem sucedidos já publicados em lingual alemã.

20
Ver CASTELLS, Manuel. "Towards a Political Urban Sociology". In: HARLOE, M. (Org.) Captive Cities.
London, 1977.

21
Em frente a todas estas características e aspectos fordistas, o sociólogo teuto-britânico Sir Ralph Dahrendorf certa vez denotou o século XX europeu como a era da Social Democracia.

22
GRUEN, Victor. Shopping Centers of Tomorrow. Catalogue, 1953.; DURTH, Werner; GUTSCOW, Niels. Architektur und Städtebau der fünfziger Jahre. Schriftenreihe des Deutschen Nationalkomitees für Denkmalschutz, Nr. 33, Köllen Druck+Verlag, 1987.

23
FELDKELLER, Andreas. Die zweckentfremdete Stadt - Wider die Zerstörung des öffentlichen Raums.
Frankfurt/M., New York, Campus, 1994.

24
‘Freqüência instável’ é um termo técnico que remete ao fato de que espaços especializados somente atrairão pessoas em determinadas horas do dia, enquanto espaços funcionalmente integrados são capazes de sempre prover razões para certas pessoas fazerem certas coisas. A crítica sobre a freqüência instável foi pronunciada proeminentemente por Jane Jacobs, que nos lembra que “os olhos sobre as ruas” sempre foi a melhor segurança contra crimes (Jacobs, 1963).

25
HASSENPFLUG, Dieter. "City and Consumption". In: ECKARDT, F., HASSENPFLUG, D. (Orgs.) Consumption and the Post-Industrial City. Frankfurt/M., Peter Lang, 2003.

26
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27
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28
Citytainment significa atmosferas urbanas imitadas (falsas), e para obter sucesso nesta tarefa, é preciso entender as regras da centralidade urbana. Seus elementos mais importantes são: espaços de multifuncionais, grande importância dada ao comércio, espaços públicos encenados, atrativos como monumentos ou projetos ‘carro-chefe’, etc. Os parques se tornaram os percussores da produção especial pós-fordista ou contadora de histórias (narrativa).

29
SORKIN, Michael (Org.). Variations on a Theme Park.
New York, 1992.

30   
GOTTMANN, Jean. The Evolution of Urban Centrality: Orientations for Research. Oxford, 1974.
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