segunda-feira, 21 de maio de 2012

JOÃO BOSCO E AS CIDADES

JOÃO BOSCO E AS CIDADES



O BLOG CIDADE RECOMENDA 
 O  CD DE JOÃO BOSCO
NÃO VOU PRO CÉU 
MAS JÁ NÃO VIVO NO CHÃO


ELE  É  RICO  EM  MENÇÕES 
A  DIVERSAS  CIDADES



domingo, 20 de maio de 2012

NOSSO BLOGUE VISTO NO BRASIL E NO MUNDO


NOSSO BLOGUE VISTO NO  BRASIL
E NO MUNDO

SEMANA DE 13 DE MAIO DE 2012, 17h
A 20 DE MAIO DE 2012, 16h 

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AS CIDADES QUE TEMOS E AS CIDADES QUE QUEREMOS (2)

AS CIDADES QUE TEMOS 
E AS CIDADES QUE QUEREMOS (2)


A dicotomia Casa / Rua, discutida pelo antropólogo Roberto da Matta ( em seu livro "A Casa e a |Rua"), ganha contornos especiais quando estudiosos e amantes das cidades nos dispomos a refletir sobre mobilidade urbana.  O dito popular "Boa romaria faz quem em casa está em paz" parecer querer nos oferecer algum conforto: proposta de conforto que talvez não passe de uma ilusão enquanto tal nem mesmo nos finais de semana que a máquina produtiva  concede ao  indispensável descanso de muitos. Ilusão e idealismo. Todos já alimentamos, algum dia, o desejo de ficar em casa, cercados de todos os confortos e comodidades possíveis e impossíveis que a tecnologia e os serviços em domicílio (comida, bebida, roupas, jornais e revistas ,,,) possam nos oferecer ao preço e ao custo que podemos pagar. 

Não sair da casa, do triplex/cobertura/piscina/área gourmet ... nunca mais. Nem mesmo aposentados com exuberante apo$entadoria sustentariam, por muito tempo, essa promessa a si mesmo e ao mundo . O fato é que, uma grande maioria passa mais tempo ... 8 ... 16 ... 18 horas ... na rua,  e seis / oito horas quando muito em casa. Não que necessariamente  se trabalhe fora de casa essas 8 ... 16 ... 18 horas. Mas certamente está incluído nessas ... 8 ... 16 ... 18 horas ... o tempo em que nos deslocamos caminhando/dentro automóveis/ônibus/trem/metrô/ aeronaves/ embarcações  ...) da casa para a rua e da rua para a casa.


Nossas cidades mais pobres 'incharam' e distanciaram, mais e mais, a casa do trabalhador (onde habita ou sub habita) da rua onde ele trabalha; e os serviços públicos (transporte, saneamento básico, etc.) não têm diminuído tal distância nem tornado mais rápida e mais segura a mobilidade interna à rua e, pior, entre os dois extremos (casa/rua). 


O tempo gasto no percurso casa/rua/casa (para fins de trabalho, lazer, visitas a aparentes e amigos, consultas e exames médicos, de frequência escolar, etc) tem equivalido, em muitas cidades, à viagem entre municípios de regiões metropolitanas - e mesmo estados! - diferentes; quando, não raras vezes, se viaja entre bairros ou bairro/centro de uma mesma cidade. São Paulo, a maior e mais rica capital & cidade do Brasil é o melhor embora não único exemplo.


Humanos, construímos e continuamos edificando a maior invenção cultural do planeta, as cidades, ... mas parece que a visão da árvore (a cidade propriamente dita) nos impediu a visão da floresta, ou seja, seus moradores.


Já que os humanos vivemos a maior parte do tempo na rua (e não na casa) exigimos que poderes públicos e tantos outros criem condições gerais de mobilidade para que essa longa permanência sob o céu, chuva sol ou sereno, frio ou calor, seja mais rápida, mais confortável e mais sutentável.

















MUNDO ... FUNICULAR SAN CRISTÓBAL - CHILE


MUNDO VASTO MUNDO

FUNICULAR  SAN CRISTÓBAL

SANTIAGO - CHILE 





sábado, 19 de maio de 2012

FEIRAS E MERCADOS VISTOS DA CIDADE - BELEM - PARÁ



OLHANDO AS CIDADES A PARTIR DAS FEIRAS E DOS MERCADOS POPULARES



[fonte - jornal Beira do rio. Universidade Federal do Pará - Brasil]


Uma profusão de cores, sabores, cheiros, pessoas, sotaques. Isso é um clichê, sim, mas representa bem aquilo que, primeiramente, percebemos quando chegamos a uma feira ou a um mercado. É comum ir a esses locais comprar temperos, frutas, carnes, peixes e produtos industrializados. Tão comum que, às vezes, não percebemos a riqueza que essas feiras e mercados apresentam do ponto de vista comercial e sociológico.
Justamente com o objetivo de nos dar densidade sociológica sobre o ambiente das feiras populares da cidade é que foi criado o Projeto "Mercados Populares em Belém: sociabilidades, práticas e identidades ribeirinhas em espaço urbano", vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA), coordenado pela professora Carmem Izabel Rodrigues.
O Projeto iniciou, em 2009, como desdobramento de outras duas pesquisas: uma sobre o Mercado  Ver-o-Peso, realizada pela professora Wilma Leitão, e outra sobre sociabilidade e festas na Feira do Jurunas, coordenada pela professora Carmem Rodrigues. A ideia de estudar as feiras surgiu pela pequena quantidade de trabalhos que tratassem do seu aspecto social.
"Aliamos o fato de que faltava um estudo mais denso sobre esses ambientes, do ponto de vista das Ciências Sociais, aqui, em Belém, à existência de algumas feiras extremamente importantes para a cidade – pelo número de feirantes, de famílias e pelo grande fluxo econômico gerado. As feiras têm um lugar central na construção da cidade se você olhar a história de Belém, sua ocupação, sua história comercial", explica a professora Carmem Izabel Rodrigues.
A facilidade de se fazerem pesquisas nas feiras populares também é um dos motivos para a realização do Projeto nesses espaços. Segundo a professora Wilma Leitão, do ponto de vista metodológico, é mais simples levar os alunos para fazerem pesquisas de campo e coleta de dados nas feiras. "Além do estranhamento de voltar a um lugar com uma preocupação mais teórica", complementa a professora.
Há 40 anos, feirantes foram remanejados de São Brás
O Projeto integra estudantes de graduação e pós-graduação da UFPA. Entre eles, estão os trabalhos dos alunos de graduação em Ciências Sociais Rogério Sousa, que pesquisa a Feira 25 de Setembro; e José Julierme Santos, que trabalha com a Feira do Guamá; a doutoranda Rosiane Martins, que pesquisa uma feira em Caiena, capital da Guiana Francesa; o mestrando Marcos Borges, que pesquisa o Porto do Açaí; e a graduanda Suelem Nascimento dos Santos, que, sob a orientação da professora Wilma Leitão, pesquisa a transmissão das barracas de venda de farinha no Mercado Ver-o-Peso.
O trabalho do estudante Rogério Sousa, intitulado "Atos de sociabilidade na Feira 25 de Setembro: mistura de valores e costumes no cotidiano da cidade Belém", procura analisar as interações entre os feirantes do local –  mais de 420, distribuídos em 415 equipamentos -, desses feirantes com os seus fregueses e também as relações dos feirantes com a sociedade em seu entorno, objetivando perceber como essa sociabilidade influencia na prática cotidiana dessas pessoas. De acordo com o estudante, a Feira teve um início turbulento.
"A Feira tem 40 anos e se originou partindo de conflitos. Um grupo de feirantes foi remanejado de São Brás e da frente do Colégio Berço de Belém e realocados para a área número um da 25, entre a Travessa Jutaí e a Travessa das Mercês. Então, essa problemática de abandono teve início nesse período. Eles foram retirados de um local onde já tinham estabilidade econômica,  seus fregueses e foram levados para um lugar em que não havia uma estrutura para se estabelecer uma feira", conta Rogério Sousa.
Demoraram alguns anos para que os feirantes se estabelecessem no local e criassem sua rede de comercialização nos arredores. Segundo o estudante, no início, eram cerca de 50 feirantes no espaço. Quinze anos após o início da Feira, começaram a se agregar mais pessoas. Entretanto, de acordo com a professora Carmem Rodrigues, a sociabilidade vai além das relações estritamente comerciais mantidas entre esses feirantes e, algumas vezes, chega mesmo a sobrepujá-las.
Relações comerciais mediadas pela amizade e confiança
Nas feiras, como a 25 de Setembro, as relações comerciais são mediadas pela amizade e pela confiança. "Nesses locais, as relações são face a face. São relações de confiança,  lealdade, fidelidade. Elas são morais, são valores, mesmo que o valor econômico esteja presente. Então, entre fulano e beltrano, pode não circular dinheiro, mas existe um crédito, é possível comprar fiado para pagar depois. É a reprodução da máxima do sociólogo Karl Polanyi, a qual diz que as relações econômicas estão imbricadas nas relações sociais", explica a professora Carmem Rodrigues.
Segundo Rogério Sousa, com as entrevistas, foi possível verificar que os feirantes mantêm uma boa relação entre si. Esse comportamento é encorajado pela própria Associação dos Feirantes, a qual faz tanto os mais novos quanto os mais antigos interagirem, seja no dia a dia, seja nas festividades.
As relações de sociabilidade entre os atores da feira geram mudanças nas próprias práticas diárias. A troca de saberes é outro ponto discutido pelo estudante e acontece, por exemplo, quando um feirante ensina a outro como tratar as mercadorias e este último incorpora esta técnica à sua atuação diária.
A troca de saberes extrapola o campo do trabalho e perpassa a vida pessoal dos feirantes, como quando precisam de informações acerca de como obter documentos ou orientações para irem a lugares desconhecidos. "Existe toda uma rede de circulação desses conhecimentos, dessas experiências", acrescenta a professora Carmem Izabel Rodrigues.
Mídia pirata: do Comérico para as bancas do Guamá
O estudante José Julierme Furtado dos Santos, com o trabalho "Vendedores de CDs e DVDs piratas: identidades socioculturais dos (as) vendedores (as) na feira do bairro Guamá", também participa do Projeto que pesquisa feiras populares. Em seu trabalho, ele procura mostrar um pouco da história da feira do bairro Guamá, levando em consideração as dinâmicas da venda de mídias piratas no local.
"A pirataria surgiu na década de 1990, quando Jon Lech Johansen, um nerd e hacker norueguês de apenas 15 anos de idade, descobriu como burlar o código de proteção do DVD", explica o estudante. De acordo com Julierme, os vendedores de CDs e DVDs piratas costumam morar no Guamá ou em bairros próximos, como Jurunas e Cremação. "Eu descrevo o processo de trabalho deles, como eles organizam a barraca, como vendem e onde compram os CDs e DVDs", explica.
A produção - "falsificação" - dos discos, na maioria das vezes, não é feita     pelo próprio vendedor, mas sim comprada e, depois, revendida por eles. O principal ponto de compra de mídias piratas é na Avenida João Alfredo, bairro Comércio.
Após a compra dos produtos para revenda, os quais custam barato, cerca de R$ 0,50 cada CD ou DVD, os vendedores voltam para a Feira do Guamá e montam sua "barraca", geralmente, um carrinho de madeira, coberto por lona.
"É interessante como eles criam meios de atrair a clientela para a barraca. De manhã, quando começa o movimento, eles ligam os amplificadores aos aparelhos de DVD e televisão para testarem os produtos. Esses CDs e DVDs, geralmente, são de baixa qualidade e, algumas vezes, não têm nada gravado. Ao fazerem o teste, eles chamam a atenção dos fregueses que passam pelo local", explica o estudante. O trabalho de venda de CDs piratas é tipicamente masculino, pois, além de vender, é preciso montar e desmontar a barraca. Isso não exclui as mulheres, que, às vezes, substituem seus companheiros.
Vendas chegam a render até R$ 50,00 por dia
A venda de CDs e DVDs piratas acontece, muitas vezes, por causa da falta de oportunidades de trabalho em outros mercados econômicos. A professora Carmem Rodrigues explica que, apesar dos preços baixos dos produtos piratas –  um CD ou um DVD são vendidos por R$ 2,00, ou três por R$ 5,00 –  o volume de vendas faz com que esses vendedores ganhem até R$ 50,00 por dia.
De acordo com a pesquisa, em alguns finais de semana e datas comemorativas, eles podem ganhar até R$ 200,00. "Em muitos casos, eles já experimentaram vender outro produto e perceberam que é mais lucrativo vender CD e DVD baratos, porque vendem muito", afirma a professora.
Uma das coisas interessantes, quando se trata do comércio de mídias pirateadas, é a questão da criminalização. Na ótica do Estado (a visão corrente), a pirataria está relacionada ao crime organizado, porque ela cria prejuízos para a sociedade, uma vez que não paga os impostos devidos e também prejudica o mercado do entretenimento.
"Entretanto alguns autores, como Pinheiro-Machado (2008), Ribeiro (2009) e Silveira (2009), falam que isso não é negativo, porque a pirataria e a informalidade complementam o capitalismo, já que as pessoas que fazem esse comércio são potenciais consumidores em estabelecimentos comerciais legais: lojas, supermercados e shoppings centers", explica José Julierme Furtado dos Santos.
Por ser identificado como crime, é comum acontecerem batidas policiais para apreensão de mercadorias piratas na feira. Os vendedores comunicam-se por meio de celulares, para informar quando está ocorrendo a "batida", para que eles possam recolher seus produtos. Quando são pegos, o mais comum é a apreensão dos CDs e DVDs, os vendedores só são presos caso resistam à ação policial.
Tanto o estudante Rogério Sousa quanto José Julierme Furtado dos Santos realizaram seus trabalhos no âmbito do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), que é realizado pela UFPA, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa). Este ano, os dois trabalhos foram apresentados no XXII Seminário de Iniciação Científica da UFPA.
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comentários (6)
A feira em Belém é o encontro com o rural
escrito por Euzalina da Silva Ferrão, janeiro 08, 2012
O estudo sobre as feiras em Belém é muito interessante, principalmente, por demonstrar a cidade de Belém por dentro, em que algumas relações são estabelecidas dentro de outra lógica para além da do lucro, demarcada pela confiança, fidelidade, as quais são estabelecidas em trocas simbólicas.
Nas feiras você encontra uma relação direta do campo com a cidade, como é o caso do estudo da Feira do Açaí pelo mestrando Marcos Borges, lá está presente todo um convívio com a produção rural devido à maioria dos produtos serem oriundos das áreas rurais da Amazônia, mostrando as áreas portuárias como um entreposto para os comerciantes do meio rural.
Outro ponto revelado pelos estudiosos é a informalidade do trabalhador, em que, por isso ele é incluído na criminalidade, muito bem retratada no trabalho do José Julierme, aonde seu estudo revela, também, esse segmento de trabalhadores vivendo no mercado informal, segundo os parâmetros das normas legais. Esses dados demonstram, ainda, a cidade sendo demarcada pela precariedade no mundo do trabalho. A falta de regulamentação desses trabalhadores provoca, nas feiras, condições de trabalho insalubre, expõe esses trabalhadores a uma insegurança no mundo do trabalho. 
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escrito por Ricardo Rodrigues, janeiro 10, 2012
Muito bom o projetos dos mercados, uma otima iniciativa de pesquisa para compreendermos a circulação de capital, sociabilidade e conhecimentos neste espaços. Parabéns!!!!!!!!!!! Professores e alunos.
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escrito por edimilson, janeiro 13, 2012
Parabéns ao jornal pela reportagem, e parabéns ao projeto por proporcionar um olhar científico sobre as dinâmicas das feira e mercados.
Como foi mencionado acima, estamos tão acostumados a frequentar esses lugares que não damos conta da riqueza comercial e sociológica(e por que não poética)desses ambiente. Amiúde, mostra o micro sustentando o macro.
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escrito por Luiz Eduardo Nascimento, janeiro 18, 2012
Muito bom! Parabenizo também aos professores e alunos. Mostra o quanto avançamos na desnaturalização dos espaços urbanos com o intuito de descobrir as minucias com que funcionam e se evidenciam cheios de riquezas simbolicas e materiais.
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escrito por Mayara, janeiro 20, 2012
Muito boa essa ideia, adorei! As feiras de Belém é um campo e tanto, porém, não tinham estudos centrados nela. Otima ideia, parabéns! Espero que tenham sucesso :D
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escrito por Alan Melo , janeiro 26, 2012
Pesquisa muito enriquecedora. Iniciativa maravilhosa em pesquisar a rotina e perfil dos individuos envolvidos no trabvalho informal foi muito boa e de fácil entendimento.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

CONVERSANDO COM SUA HISTÓRIA - SALVADOR - BAHIA

CONVERSANDO COM SUA HISTÓRIA

Prezado(a)s,

A Fundação Pedro Calmon, através do Centro de Memória da Bahia, convida a todos para participar da 10ª edição do Conversando com sua História, que ocorrerá entre abril e outubro de 2012. Nesta segunda, 21 de maio, teremos a palestra intitulada Na luta por direitos: trabalho, conflitos e resistências no pós-abolição na Bahia, que será ministrada pelo prof. Ms. Robério Santos Souza – UNEB/UNICAMP
Contamos com sua Participação!

Local: Biblioteca Pública do Estado da Bahia
 sala Katia Mattoso, 3º andar alvador - bahia - Brasil
Data: 21 de maio de 2012
Horário: 17h
Inscrições Gratuitas
3117-6067



Resumo
A abolição legal da escravidão em 1888 não significou a extinção de relações de trabalho baseadas nos códigos de sujeição, de coação, de controle do tempo, e a plena autonomia dos trabalhadores. A classe trabalhadora em todo o Brasil, mesmo depois de decretada o fim da escravidão, teve que lutar por um trabalho, de fato livre, com mais autonomia, liberdade, dignidade e direitos. Pretende-se, assim, abordar a história dos trabalhadores ferroviários da Bahia, no período pós-abolição e nos anos iniciais do período republicano, destacando os conflitos, impasses e as lutas empreendidas por esses trabalhadores contra as formas de exploração, subjugação e de controle de força de trabalho. Os ferroviários baianos, assim como observado em outros setores da classe trabalhadora brasileira, resistiram bravamente às formas de exploração, às relações de trabalho que lembravam o regime escravista e às tentativas abertas e veladas de manter sob o domínio as suas liberdades e o seu trabalho.

Robério S. Souza- UNEB/UNICAMP

CLÁUDIA ANTUNES - GLÓRIA, PARIS

CLÁUDIA ANTUNES - GLÓRIA, PARIS

[fonte - jornal Folha de São Paulo, São Paulo (SP - Brasil), 17 de abril de 2012, p. A2]

RIO DE JANEIRO - As prefeituras do Rio e de Paris assinaram, há três anos, um acordo para que técnicos franceses participassem de projetos de moradia e preservação do patrimônio em bairros do centro carioca. 

Na época, a vice-prefeita parisiense, Anne Hidalgo, falou da importância de garantir a mistura social na cidade. Em entrevista ao "Globo", explicou o sistema de cotas em implantação na capital francesa, pelo qual edifícios novos devem destinar 25% dos apartamentos para pessoas de menor renda -motoristas, enfermeiros e prestadores de serviços.

O Rio não levou a dica muito a sério, como é possível constatar na Glória, bairro histórico que, aliás, tem uma praça Paris -projeto de 1926 do francês Alfred Agache.

Com a recuperação econômica do Estado e os eventos esportivos, a Glória passou a ser cobiçada pelo mercado imobiliário. Preços de aluguéis e de compra de imóveis começam a ficar proibitivos, até para a classe média tradicional. Há pouco, anunciou-se que três edifícios dos anos 40, com fachada art déco e 112 apartamentos, serão transformados num conjunto de escritórios. Os inquilinos terão que sair em dois meses.

Desde as reformas do barão Haussmann em Paris, no século 19, planos de revitalização urbana que excluem os mais pobres das zonas centrais já foram tão criticados que não deveriam se repetir. No entanto são rotina. No Rio, os moradores expulsos das áreas revalorizadas têm como opções as favelas ou os bairros da zona oeste, distantes até 45 km do centro. Estes há tempos vivem uma expansão desregrada, que obriga a prefeitura a gastar mais para levar infraestrutura -transporte, escolas, hospitais- para longe.

Não é à toa que, segundo o último Censo, os cariocas estão entre os brasileiros que mais demoram para chegar ao trabalho -56% deles gastam mais de meia hora, sendo que 21% precisam de até duas horas.