domingo, 29 de abril de 2012

MUNDO ... CANÇÃO DO NOVO MUNDO


MUNDO VASTO MUNDO




CANÇÃO  DO  NOVO  MUNDO

Milton Nascimento


http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/442291/?domain_redirect=_es


Quem sonhou
Só vale se já sonhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nossos corações
Um nome se escreve fundo
As canções
Em nossa memória vão ficar
Profundas raízes vão crescer
A luz das pessoas me faz crer
Eu sinto que vamos juntos
Ó, nem o tempo, amigo
Nem a força bruta pode um sonho apagar
Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo
Quem souber
Dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo
Ó, minha estrela amiga
Por quê você não fez a bala parar?



sábado, 28 de abril de 2012

I. ÉVORA / FEIRAS LIVRES E MERCADOS NO ESPAÇO LUSÓFONO


CEsA (*)
FEIRAS LIVRES E MERCADOS NO ESPAÇO LUSÓFONO:  ASPECTOS METODOLÓGICOS

Iolanda Évora (**)


Apresentado no âmbito do Projecto Pró-África, CNPq - Visita Exploratória “Feiras livres e mercados no espaço lusófono: trabalho, geração de renda e sociabilidade”

O CEsA não confirma nem infirma quaisquer opiniões expressas pelos autores nos documentos que edita.

Nesta apresentação o foco recai sobre aspectos do campo da nossa pesquisa e entendemos  que uma reflexão sobre o mesmo é importante devido a:

1- especificidades do nosso objecto empírico (as feiras livres e mercados  que são atividades de trabalho e económicas presentes em centros urbanos do Brasil, de Cabo Verde e da Guiné- Bissau.

2- nossas opções metodológicas e de postura ético-política em relação à realidade social e aos seus atores

3- o tipo de estudo que pretendemos realizar

Entre os eixos de estruturação da nossa proposta de pesquisa destacamos que:

1- temos um mesmo conjunto de preocupações em relação às diferentes realidades e  contextos de estudo, ou seja, os nossos focos são:

a) os processos cotidianos que organizam o trabalho nos mercados e feiras livres;

b) as condições para a construção de uma base de trabalho, ou seja, o conjunto de conhecimentos, recursos materiais e relações pessoais que possibilita aos trabalhadores  gerarem renda através do trabalho em micro-empreendimento.

2- não se pretende recolher dados para uma comparação, mas garantir um conhecimento cumulativo, em que a realidades das feiras e mercados locais, em cada um dos centros  urbanos, seja estudada na sua singularidade e ilumine a compreensão dos outros contextos;

Busca-se a compreensão das acções sociais e dos processos organizativos de um lugar ou  contexto específico não necessariamente generalizáveis, mas passíveis de aplicação de conceitos e esquemas.Do ponto de vista metodológico, a principal preocupação é com a abordagem aos processos sociais e às práticas discursivas, estas situadas nos lugares e no tempo.

Daí a importância de esclarecermos o que é o campo nesta pesquisa:

- Apesar da saliência dos lugares físicos, o nosso campo não existe  só nos lugares, nas delimitações territoriais da feira livre em São Paulo ou dos mercados e feiras em Bissau e na Praia. Como refere K. Lewin, o campo deve ser reconhecido como a totalidade dos factos psicológicos, quer dizer, os factos que são reais por serem  psicologicamente significativos e produzirem efeitos para as pessoas envolvidas (Ex: uma determinada condições de saneamento público pode fazer com qque, num determinado contexto, as  pessoas se acomodem no lugar evitando os efeitos dessa condição e noutro esse facto não implique numa gestão diferente do espaço)

- Ao mesmo tempo, o campo é relativo aos espaços de vida  das pessoas, ou seja, daqueles que tornam as feiras e mercados lugares socialmente densos e abertos às contradições das versões alternativas  sobre eles. (daí a importância de fazermos o mapeamento dos mercados e feiras nos espaços do dia a dia das atividades, enfatizando-se a pesquisa no fluxo dos acontecimentos  nos espaços públicos delimitados)

Um campo que não é apenas o lugar físico implica que temos de nos localizar  psicologicamente e territorialmente mais perto das partes envolvidas e das feiras e mercados, por isso, além do momento de contato, outras acções compõem o nosso trabalho como, por exemplo,

- acções que nos permitem perceber a visão oficial do sector em que se inclui o microempreendimento;

- acções que incluem outros comerciantes e mesmo os que desses lugares se servem.Isto permite ampliar a  compreensão e a  argumentação sobre os recursos, as atividades, as redes de relações sociais nas feiras e mercados.

Nesta perspectiva, o  lugar territorial que não esgota o nosso campo é, no entanto, o lugar constitutivo de  falas e conversas e se nós pudermos afirmar e apontá-lo como o  lugar das pessoas que contam sobre ele, então podemos dizer que esse lugar territorial é efetivamente constitutivo do acontecimento social que nos interessa compreender. Ou seja, posso afirmar que aquele lugar  "riba" Praia, perto da Praça Grande é efetivamente o mercado da Praia de que as pessoas falam e contam.

As feiras e mercados são partes da territorialidade do nosso campo, são constituídas de situações sociais e respectivos ambientes materiais (infra-estrutura material, regras municipais de funcionamento de espaços do género, balcões de venda, percursos migratórios e familiares, documentos oficiais...) que afetam as pessoas e os grupos.

É nessas situações sociais e ambientes materiais que estão as ideias sobre as condições para a geração de renda. Quer dizer então que as situações sociais e respectivos ambientes materiais devem ser compreendidos como produtos sociais e não como realidades independentes. Por isso, o nosso campo compõe-se não apenas das visitas e contatos nas feiras e mercados como das outras acções que referi e que, não sendo objetos específicos de pesquisa, acompanham os eventos que nos interessam no tempo e no espaço.

A ideia é que estamos perante o dia a dia polissémico que produz textos múltiplos, produtos repletos de sentido, representantes de diferentes repertórios de análise e argumentação sobre mercados e feiras.

Por conseguinte, no campo também nos aproximamos de factos não psicológicos de clima, de comunicação, de leis do país e organização que configuram os limites daquilo que é possível e não é possível e que pode e não pdoe acontecer nas feiras e mercados.

Estes elementos são constituintes importantes do  espaço de vida dos trabalhadores que consiste no grupo e no ambiente que existe para o grupo.Retomando a noção inicial de que não se trata de um estudo comparativo mas cumulativo, por exemplo, neste momento de visita expoloratória e contatos, são utilizadas táticas mais direcionadas (observar e perguntar), de modo a conhecermos a forma como os trabalhadores agem, não para transformá-la em dados, mas para podermos conversar com as suas socialidades e materialidades, aquilo que está contido nas situações sociais e nos respectivos  ambientes materiais que referi há pouco.
São essas socialidades e materialidades que impedem que a realidade de uma feira ou mercado seja comparada com outra no sentido de que o que encontro aqui devo encontrar lá.

E se não encontrar, estou perante uma "falta"!

Por fim, queria referir que a exploração do campo não se esgota num lugar territorial, mas num lugar e nos seus significados e é muito favorecida, no caso deste nosso projeto, pelo fato de termos uma equipe multidisciplinar e plurilocalizada e que permite a construção de um espaço em que os pesquisadores mostram as suas posições e argumentos próprios, e tal como deverá acontecer no trabalho de campo, com os nossos sujeitos, a construção do conhecimento é debatida e negociada.

___________________

(*)
O CEsA é um dos Centros de Estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, tendo sido criado em 1982. Reunindo cerca de vinte investigadores, todos docentes do ISEG, é certamente um dos maiores, senão o maior, Centro de Estudos especializado nas problemáticas do desenvolvimento económico e  social existente em Portugal. Nos seus membros, na maioria doutorados, incluem-se economistas (a especialidade mais representada), sociólogos e licenciados em direito.

As áreas principais de investigação são a economia do desenvolvimento, a economia internacional, a sociologia do desenvolvimento, a história africana e as questões sociais do desenvolvimento; sob o ponto de vista geográfico, são objecto de estudo a África Subsariana, a América Latina, a Ásia Oriental, do Sul e do Sudeste e o processo de transição sistémica dos países da Europa de Leste.

Vários membros do CEsA são docentes do Mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional leccionado no ISEG/”Económicas”. Muitos deles têm também experiência de trabalho, docente e não-docente, em África e na América Latina.
______________________
(**)
IOLANDA ÉVORA (Iolanda Maria Alves Évora) - Psicóloga Social pela Universidade de São Paulo, Brasil,  investigadora associada do Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CesA,Iseg), ao  abrigo do Programa Ciência 2008 da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT). 

Desde 1998 conduz trabalhos de investigação sobre dimensões psicossociais da migração caboverdiana, primeiro realizando investigação sobre as mulheres de origem cabo-verdiana em Itália e,  mais recentemente, sobre transnacionalismo, processos associativos em contexto migratório e concepções e discursos sobre a diáspora cabo-verdiana dentro e fora do arquipélago. No campo da  saúde/imigração tem estudado, nomeadamente, aspectos das percepções e atitudes dos jovens face ao  VIH/Sida. Recentemente, participa de equipes de investigação sobre processos organizativos em contextos de trabalho informal como as feiras e mercados no Brasil, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Lecciona disciplinas de Psicologia Social e Organizacional e Metodologia Qualitativa em licenciaturas  e mestrados do ensino superior no Brasil, em Cabo Verde e em Portugal.Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG/”Económicas”) da Universidade Técnica de Lisboa
R. Miguel Lupi, 20 -  1249-078 LISBOA    PORTUGAL Tel: + / 351 / 21 392 59 83         Fax: [...] 21 397 62 71      e-mail: cesa@iseg.utl.pt  URL: http://www.iseg.utl.pt/cesa

sexta-feira, 27 de abril de 2012

JULIO SERSON ASSUME PRESIDÊNCIA DA AME JARDINS


JULIO SERSON ASSUME PRESIDÊNCIA DA AME JARDINS


Julio Serson, presidente do Grupo Serson, acaba de ser eleito presidente da AME JARDINS, assumindo a posição anteriormente ocupada pelo ex-secretário de Turismo do Estado de São Paulo, Marcos Arbaitman, que ficou três anos à frente da gestão da organização.  A eleição ocorreu durante assembleia anual realizada na manhã de hoje (25/4), no MuBe, em encontro que contou com a participação de mais de 200 moradores e de autoridades. O mandato do novo presidente da entidade é de dois anos e segue até março de 2014.






“Os diversos avanços promovidos na região foram fruto de envolvimento direto da AME, que estabeleceu parcerias com importantes autoridades do poder público e com os moradores dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano. Este é um trabalho que só é possível de ser realizado com o apoio da comunidade, colocada lado a lado com o Governo na busca de soluções. É nesta perspectiva colaborativa que vamos trabalhar”, diz o novo presidente.

Para 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

VIVER A VIDA MOSTRA LISBOA - PORTUGAL

VIVER A VIDA MOSTRA LISBOA - PORTUGAL


http://www.youtube.com/watch?v=iPQQousLsYg






PREÇO DOS ALIMENTOS DISPARA NA SECA



[fonte - jornal Folha de São Paulo. São Paulo (SP - Brasil), 25 de abril de 2012, p. C4]

DANIEL CARVALHO
DE SÃO PAUL
Moradores de zonas urbanas do Nordeste enfrentam problemas indiretos da estiagem 

Nas cidades do Nordeste atingidas pela seca, agricultores e criadores de gado não são os únicos a sofrer com a estiagem. Na zona urbana, os moradores enfrentam problemas indiretos da falta de chuva, como inflação, queda de movimento no comércio e aumento da inadimplência.
Diferentemente dos agricultores, os moradores das cidades não receberão o Bolsa Estiagem -lançado anteontem pela presidente Dilma Rousseff (PT), pagará R$ 400 em cinco parcelas.
Um exemplo dos efeitos da seca é a disparada do preço dos alimentos.
Em alguns locais, o quilo do feijão mais do que dobrou desde o início do ano. Em Sergipe, Estado com o maior percentual da população atingida pela seca (93,3%, segundo o Ministério da Integração Nacional), Poço Redondo, a 179 km de Aracaju, é o município mais castigado.
Moradora da zona urbana de Poço Redondo, a comerciante Maria Dantas sente a queda nas vendas em sua farmácia e o aumento da inadimplência, que chega a 60%.
"Falta dinheiro. Ou [o criador] vai manter o gado ou vai pagar os compromissos. Aí fica entre a cruz e a espada. Se não mantém o gado, como vai ser depois?", questiona.
Na cidade, o quilo do feijão saltou de R$ 3,70 para R$ 5,95.
O Ministério da Integração Nacional diz que mesmo quem não tem direito ao Bolsa Estiagem será contemplado com programas como Água para Todos e com a instalação de milhares de cisternas, sistemas simplificados de abastecimento e poços, até junho.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

LENDAS URBANAS - CLARINDO SILVA (3) - SALVADOR - BAHIA

LENDAS URBANAS - CLARINDO SILVA (3) - SALVADOR - BAHIA

Todas as cidades contam com personagens lendários em sua memória coletiva. Excelente quando estes personagens são do bem, ou seja, se bem não fazem. desta ou daquela forma, também mal não fazem a ninguém; como a (falecida) Mulher de Roxo  que perambulava pelas ruas do centro antigo (Salvador - Bahia) com seus trajes violeta (ou mesmo vestida de noiva) sem incomodar npessoa alguma.

Clarindo é um exemplo de resistência. Agora (2012), mesmo com todos os problemas que o  Pelourinho ainda enfrenta ((insegurança, vendedores ambulante e pedintes a incomodar turistas ...), nas primeiras décadas do século passado quando baianos e visitantes morriam de medo só em pensar no "mangue" (antiga zona prostitucional do Pelourinho), lá estava Clarindo, resistindo e insistindo, com a   sua Cantina da Lua, procurando órgãos do Governo para resolver os milhares de problemas daquela área.

Se todas as cidades têm seus personágens lendários, até mesmo pela condição deles de guardiães de memórias urbanas deveriam merecerer4 mais atenção dos poderes públicos. Não lhes ajundando financeiramente - de mododireto,  indireto ou paternalista -, mas tornando possível a melhoria das condições de vida e da segurança pública nessas cdades. E reunindo condições para a preservação da memória dessas importantes  pessoas. 

Vicente D. Moreira
especial para o Blogue CIDADE





segunda-feira, 23 de abril de 2012

LENDAS URBANAS - CLARINDO SILVA (2)- SALVADOR - BAHIA

LENDAS URBANAS - CLARINDO SILVA (2)- SALVADOR - BAHIA

Conheci Clarindo em 1975 quando, recém-chegado a Salvador, comecei a trabalhar na Fundação (depois Instituto) do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - onde permanecí até 1984.

Sempre alegre e sempre dono de uma abraço forte que parece, mesmo semdo ele magro, querer nos levantar do chão ... e acho até que consegue ...

Dono do internacionalmente famoso e resistente bar, a "Cantina da Lua", localizada na esquina da Rua Alfredo Brito e o Largo do terreiro de Jesus (Pelourinho), o que eu gostaria de destacar no setentão. 

 

Clarindo tem uma virtude que poucas ou nenhuma das homenagens fez referência: sua resistência e determinação em continuar sua "Cantina da Lua" naquele mesmo sobrado, naquele velho e charmoso endereço do Pelourinho quando, nas primeiras décadas do século XX, aquela   área do Ccentro histórico de Salvador era evitada por baianos e turistas. Ali dominava o estigma de "área perigosa", "boca quente", "antro de marginais" ... devido à área prostituição, de pobreza, arruinamento físico, arquitetônico e social que fazia vizinhança e entorno ao estabelecimento comercial de Clarindo (Maciel de Baixo, Maciel de Cima).



Clarindo Silva, negro, sorriso largo, alegria contagiante. sempre vestido de branco - o "homem de branco do Pelourinho" - sempre esteve alí ... sentinela avançada do Pelourinho ...

Pena - muita pena mesmo ! - que Salvador seja uma cidade autotofágica e destruidora de seus filhos naturais e adotados que insistem em permanecer nela residindo.

Vicente Deocleciano Moreira
especial para o Blogue CIDADE