segunda-feira, 25 de julho de 2011

MOBILIDADE URBANA: VELHO PROBLEMA, NOVOS DESAFIOS (1)

MOBILIDADE URBANA: VELHO PROBLEMA, NOVOS DESAFIOS (1)

Patrão, o trem atrasou
Por isso estou chegando agora
Trago aqui um memorando da Central
O trem atrasou, meia hora
O senhor não tem razão
Pra me mandar embora !
O senhor tem paciência
É preciso compreender
Sempre fui obediente
Reconheço o meu dever
Um atraso é muito justo
Quando há explicação
Sou um chefe de família
Preciso ganhar meu pão
E eu tenho razão.
("O Trem Atrasou" de Paquito / E. Silva / A. Vilarinho )

Vicente Deocleciano Moreira

"O Trem Atrasou" foi grande sucesso no carnaval do Rio de Janeiro em 1941 - há exatos 70 anos!

A composição de  Paquito / E. Silva / A. Vilarinho traz um  problema que, ontem e hoje (2011),  faz penar uma grande maioria dos   moradores e trabalhadores das capitais e das cidades médias em todo o Brasil: o atraso, a impontualidade - ou simplesmente a falta! - de trens, ônibus, metrô e outros serviços coletivos de tranporte de passageiros.

"O Trem Atrasou" mostra o caso de um  trabalhador que chega com atraso ao serviço; expõe, também, sua fragilidade  ante a prepotência e a incompreensão do chefe, do patrão, mesmo quando a companhia Central do Brasil parece assumir a responsabilidadee pela meia hora de atraso do trem.

O atraso, a impontualidade, ausência, a incerteza do serviço de transporte coletivo, mostram apenas uma das faces do problema que hoje (2011) é conceitual e tecnicamente definido como mobilidade urbana. Ontem e hoje, são inúmeras as dimensões deste velho problema que vem assumindo desafios crescentes  e proporções amplas e gigantescas no Brasil.

Ainda causa 'espanto positivo' e admiração a brasileiros e latinoamenricanos em geral, quando visitam países como a Alemanha, a exata pontualidade dos transportes de massa (ônibus, trens, metrô) no dia-a-dia desse e de outros países europeus. Amigos meus narraram que, certa vez em Berlim, usuários de ônibus gritavam revoltados, protestavam indignados porque  o transporte havia atrasado um minuto. No Brasil ...

Há pelo menos quatro meses, jornais, revistas (e outras mídias) de todas as capitais brasileiras têm noticiado, diariamente, semanalmente, problemas os mais diversos de mobilidade urbana, e publicado  artigos sobre esse tema. Seja em Salvador (Bahia), onde recentemente ~usuários se revoltaram e imobilizaram o terminal de ônibus urbano de Pirajá e  onde, também, cada dia mais se discute qual o sistema de transporte (VLT, BRT, monotrilho, etc.)  mais apropriado para uma das 'cidades sedes' da Copa Mundial de Futebol (2014). Seja em São Paulo com a polômica do trem-bala. Seja em Maringá (a terceira maior cidade do Paraná) e seu polêmico rodoanel.

Ao menos no Brasil, o atendimento às  demandas populacionais por uma mobilidade urbana mais democrática, sustenttável e eficiente ainda estão longe do menos satisfatória. As cidades crescem (veja-se o exemplo atual das cidades médias brasileiras), cresce a oferta de ônibus, reconhece-se mais que ontem os direitos dos chamados 'deficientes' visuais, físicos ...  idosos, crianças, estudantes ... mas ... parece   que o realizado pelos poderes públicos e o conquistado pela população ainda é muito pouco. Há sempre mais e mais o que fazer. E menos e menos o que se faz.

__________
(continua amanhã, terça-feira)






domingo, 24 de julho de 2011

NOSSO BLOGUE VISTO NO BRASIL E NO MUNDO



SEMANA DE 17 DE JULHO, 19h  A 24 DE JULHO DE 2011, 18h
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AMIG@S
BRASILEIROS, AMERICANOS, EUROPEUS, CANADENSES E AFRICANOS,
ATRAVÉS DE TODAS AS TRADUÇÕES,
OBRIGADO,


VICENTE
vicentedeocleciano@yahoo.com.br


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MUNDO VASTO MUNDO - MACHU PICCHU X OSLO



MUNDO VASTO MUNDO - MACHU PICCHU x OSLO
JULHO DE 2011

(Peru / Machu Picchu ...  cem anos de 'descoberta';  paz, admiração e misticismo)




 
(Noruega / Oslo - centenas de minutos de redescoberta da violência: lágrimas, destruição  e dezenas de mortos e feridos)

TEMPOESIA NAS CIDADES - BORGES

TEMPOESIA NAS CIDADES  
POSTAGENS DOMINICAIS DE POESIAS QUE EXIBAM  ALGUM DESTAQUE À  CIDADE

INSTANTES

Jorge Luis Borges


Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
en la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido,
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos,
haría más viajes,
contemplaría más atardeceres,
subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido,
comería más helados y menos habas,
tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata
y prolíficamente cada minuto de su vida;
claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría
de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida,
sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca
iban a ninguna parte sin un termómetro,
una bolsa de agua caliente,
un paraguas y un paracaídas;
si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir
comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera
y seguiría descalzo hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita,
contemplaría más amaneceres,
y jugaría con más niños,
si tuviera otra vez vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años...
y sé que me estoy muriendo

EMCONTO COM A CIDADE - DOSTOIEVSKI

EMCONTO COM AS CIDADES - 
POSTAGENS DOMINICAIS DE CONTOS 
QUE EXIBAM ALGUM DESTAQUE  À CIDADE

A ÁRVORE DE NATAL NA CASA DE CRISTO

Dostoievski
Dostoiévski)
Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto em seus pobres adrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se evolar. Mas gostaria bem de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde, num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma . Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado, cozinhava a bebedeira há dois dias; esse nem mesmo tinha esperado pela festa. No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que tinha sido outrora babá, e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor, ele tinha encontrado alguma coisa para beber , mas nem a menor migalha para comer, e mais de dez vezes já tinha ido para junto da mãe para despertá-la. Por fim, a obscuridade lhe causou uma espécie de angústia: há muito tempo tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalpado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. "Faz muito frio aqui", refletia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para esquentá-los, pegou o seu gorrinho abandonado no leito e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tateando. Por vontade dele, teria saído mais cedo, se não tivesse tido medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, na soleira das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava ali, e o menino já ganhava a rua.

Senhor! Que grande cidade! Nunca tinha visto nada parecido. De lá, de onde vinha, era tão negra a noite! Uma única lanterna para iluminar toda a rua. As casinhas de madeira são baixas e fechadas por trás dos postigos; desde o cair da noite, não se encontra mais ninguém fora, toda a gente permanece bem enfurnada em casa, e só os cães , às centenas e aos milhares, uivam, latem durante a noite. Mas, em compensação, lá era quente; davam-lhe de comer... ao passo que ali... Meu Deus! Se ele ao menos tivesse alguma coisa para comer! E que desordem, que grande algazarra ali, que claridade, quanta gente, cavalos, carruagens... e o frio, ah! este frio! O nevoeiro gela em filamentos nas ventas dos cavalos que galopam; através da neve friável o ferro dos cascos tine contra a calçada; toda a gente se apressa e se acotovela, e, meu Deus! Como gostaria de comer qualquer coisa, e como de repente seus dedinhos lhe doem! Um agente de polícia passa ao lado da criança e se volta, para fingir que não a vê.

Eis uma rua ainda: como é larga! Esmagá-lo-ão ali, seguramente; como todo mundo grita, vai, vem e corre, e como está claro! Que é aquilo ali? Ah! Uma grande vidraça, e atrás dessa vidraça um quarto, com uma árvore dentro que sobe até o teto; é um pinheiro, uma árvore de Natal onde há muitas luzes, muitos objetos pequenos , frutas douradas, e em torno, bonecas e cavalinhos. No quarto, há crianças que correm; estão bem vestidas e muito limpas, riem e brincam, comem e bebem alguma coisa. Eis ali uma menina que se pôs a dançar com o rapazinho. Que bonita menina! Ouve-se música através da vidraça. A criança olha, surpresa; logo sorri, enquanto os dedos de seus pobres pezinhos doem e os das mãos se tornaram tão roxos, que não podem mais se dobrar nem ao menos se mover. De repente o menino se lembrou que seus dedos doem muito; põe-se a chorar, corre para mais longe, e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste, outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra. Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Hu! Com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente um tostão na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe - nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas desta vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando de repente: Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém, que olha com curiosidade. Em uma janela, atrás da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto dele e tocam violinos menores, e todos meneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto que seus lábios se mexem; falam, devem falar - de verdade - e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça. O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cômico, tão engraçado ver esses bonecos! De repente, pareceu-lhe que alguém o puxava por trás. Um moleque grande, malvado, que estava ao lado dele, deu-lhe de repente um tapa na cabeça, derrubou o seu gorrinho e passou-lhe uma rasteira. O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha: "Aqui, pelo menos", refletiu ele, "não me acharão: está muito escuro."

Sentou-se e se encolheu, sem poder retomar o fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e pés tinham-lhe deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de um fogão. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! "Mais um instante e irei ver outra vez os bonecos", pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: "Podia jurar que eram vivos!"... E de repente pareceu-lhe que sua mãe lhe cantava uma canção. "Mamãe, vou dormir; ah! como é bom dormir aqui !"

- Venha comigo, vamos ver a árvore de Natal, meu menino - murmurou repentinamente uma voz cheia de doçura.

Ele pensava que era a mãe, mas não, não era ela.Quem então acabava de chamá-lo? Não vê quem, mas alguém está inclinado sobre ele e o abraça no escuro; estendeu-lhe os braços e... logo... Que claridade! A maravilhosa árvore de Natal! E agora não é um pinheiro, nunca tinha visto árvores semelhantes! Onde se encontra então nesse momento? Tudo brilha, tudo resplandece, e em torno, por toda parte, bonecos - mas não, são meninos e meninas, só que muito luminosos! Todos o cercam, como nas brincadeiras de roda, abraçam-no em seu vôo, tomam-no, levam-no com eles, e ele mesmo voa e vê: distingue sua mãe e lhe sorri com ar feliz.

- Mamãe! Mamãe! Como é bom aqui, mamãe! - exclama a criança. De novo abraça seus companheirinhos, e gostaria de lhes contar bem depressa a história dos bonecos atrás da vidraça... - Quem são vocês então, meninos? E vocês, meninas, quem são? - pergunta ele sorrindo-lhes e mandando-lhes beijos.

- Isto... é a árvore de Natal do Cristo - respondem-lhe. - Todos os anos, neste dia, há na casa de Cristo, uma árvore de Natal, para os meninos que não tiveram sua árvore na terra...

E soube assim que todos esses meninos e meninas tinham sido outrora crianças como ele, mas alguns tinham morrido, gelados nos cestos, onde tinham sido abandonados nos degraus das escadas dos palácios de Petersburgo; outros, tinham morrido junto às amas em algum dispensário finlandês; uns sobre o seio exaurido de suas mães, no tempo em que grassava, cruel, a fome na Samara; outros ainda, sufocados pelo ar mefítico de um vagão de terceira classe. Mas todos estão ali neste momento, todos são agora como anjos, todos junto a Cristo, e Ele, no meio das crianças, estende as mãos para os abençoá-las e às pobres mães... E as mães dessas crianças estão ali, todas, num lugar separado, e choram; cada uma reconhece seu filhinho ou filhinha que acorrem voando para elas, abraçam-nas, e com suas mãozinhas enxugam-lhes as lágrimas, recomendando-lhes que não chorem mais, que eles estão muito bem ali...

E nesse lugar, pela manhã, os porteiros descobriram o cadaverzinho de uma criança gelada junto de um monte de lenha. Procurou-se a mãe... Estava morta um pouco adiante; os dois se encontravam no céu, junto ao bom Deus.

 

sábado, 23 de julho de 2011

À CIDADE COM CARINHO -/SANTO AMARO /CAETANO

À CIDADE COM  CARINHO - SANTO AMARO
DA PURIFICAÇÃO
BAHIA - BRASIL

(Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação - Santo Amaro)
TRILHOS URBANOS
Caetano Veloso

http://batlyrics.com/trilhos_urbanos-lyrics-caetano_veloso.html

O melhor o tempo esconde
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Quando o bonde dava volta ali
No cais de Araújo Pinho
Tamarindeirinho
Nunca me esqueci
Onde o Imperador fez xixi
Cana doce Santo Amaro
Gosto muito raro
Trago em mim por ti
E uma estrela sempre a luzir
Bonde da Trilhos Urbanos
Vão passando os anos
E eu não te perdi
Meu trabalho é te traduzir
Rua da Matriz ao Conde
No trole ou no bonde
Tudo é bom de ver
São Popó do Maculelê
Mas aquela curva aberta
Aquela coisa certa
Não dá entender
O Apolo e o rio Subaé
Pena de pavão de Krishna
Maravilha vixe Maria mãe de Deus
Será que esses olhos são meus?
Cinema transcendental
Trilhos Urbanos, Gal
Cantando o Balancê
Como eu sei lembrar de você










Imagem de Fundo

SALVADOR - ENCONTRO GÊNERO, RAÇA E CAMPO DE AÇÃO


SALVADOR - BAHIA - BRASIL

ENCONTRO GÊNERO, RAÇA E CAMPO  DE AÇÃO




SA