segunda-feira, 4 de julho de 2011

RUA URBANA, ESPAÇO MASCULINO: TRAD. E RUPTURA (2)

RUA URBANA, ESPAÇO MASCULINO: TRADIÇÃO  E RUPTURA (2)

[jornal Folha de São Paulo,São Paulo (SP – Brasil), 22 de junho de 2011, p. A15]
Minha história RAINYA ALMAHOZI, 24
VIDA NA CONTRAMÃO

Saudita de 24 anos  incentiva outras mulheres a dirigir no país, contrariando veto; ela conseguiu a habilitação no Bahrein, onde cursou comunicação. Na Arábia Saudita foi interrogada e teme ser presa pela polícia.
RESUMO
 A saudita Raniya Almahozi, 24, tirou a carteira de habilitação no Bahrein, onde cursou a faculdade de comunicação e relações públicas. Porém, na Arábia Saudita, ela tem de pedir que o pai ou o motorista guiem por ela, porque mulheres não podem assumir o volante no país. Ela conta que foi interrogada e teme ser presa pela polícia, depois de postar vídeo no YouTube dentro de um carro. Para ela, dirigir á mais seguro do que ter motoristas.
(,,,) Depoimento a
DIOGO BERCITO
DE SÃO PAULO

Meu nome é Raniya Almahozi  e tenho 24 anos. Eu me  formei na universidade em 2009, no Bahrein, nos cursos de comunicação de massa e relações públicas. Não tenho um emprego até hoje.
Sou solteira e tirei a carteira de habilitação no Bahrein. Aqui na Arábia saudita, dependo dos homens da minha família para andar de carro, principalmente de meu pai e de um motorista particular que contratamos.
Não dirigi durante o protesto de 17 e junho porque eu acho que já expressei minha opinião ao me filmar ao volante em 30 de maio, logo após a prisão de Manal AL-Sharif, a líder do movimento.
Eu tenho medo de ser presa, mas acho que tenho de defender o nosso direito, que vejo como um direito básico e simples. Porém, Manal foi quem sofreu mais.
A polícia saudita estava procurando por mim por um mês inteiro. Eles sabiam quem eu era. Na semana passada eles me interrogaram,
Antes de 17 de junho, havia muito perigo. Agora a situação está um pouco mais segura. A investigação não foi tão ruim, graças a Deus e à cobertura da mídia sobre o que ocorreu com Manal.
RAZÕES
O intuito de me filmar dirigindo um carro e colocar no Youtube foi mostrar às pessoas no comando que mulheres podem, sim, guiar sem problemas.
Não é o fim do mundo. As mulheres precisam dirigir. É muito mais seguro do que estar com motoristas desconhecidos.
É claro que eu apoio Manal e todas as mulheres da Arábia Saudita a agir pelo menos uma vez, Cada movimento  tem seu próprio impacto.
Não vou fazer comentários a respeito das outras revoluções árabes. Acho que o que fizemos foi apenas dar um passo pelo direito de dirigir.
Sobre [a secretária de Estado dos EUA] Hillary Clinton, eu  agradeço por falar sobre isso. O governo saudita tem de resolver essa questão internamente pelo  bem da liberdade do povo deste país.
Eu não estava ansioso por uma declaração dela, mas queria que os EUA não demonstrassem tanto para se pronunciar sobre esse problema.
Não sou a favor de que os Estados Unidos intervenham como um governo, mas gostaria de ver o apoio das pessoas como um todo. Nós todos temos os mesmos direitoe e necessidades básicas.
Gostaria de relembrar que sou apenas uma simpatizante dessa causa e dizer que a energia das mulheres é suprida de muitas maneiras.
 Eu, como muçulmana, vejo toda a liberdade dos ensinamentos do islã, mas algumas pessoas entendem religião de um jeito completamente errado.
FOLHA.com
Veja vídeo de Raniya dirigindo folha.com/mu933253
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/933253-mulher-saudita-desafia-proibicao-e-dirige-veiculo-assista.shtml

domingo, 3 de julho de 2011

NOSSO BLOGUE VISTO NO BRASIL E NO MUNDO

SEMANA DE  26 DE JUNHO DE 2011, 18h A 03 DE JULHO DE 2011, 17h
Visualizações de páginas por país
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Itália -
4
México -
3
Bolívia -
2


OBRIGADO AMIG@S,
POR MAIS UMA SEMANA,
Vicente
vicentedeocleciano@yahoo.com.br

TEMPOESIA ESPECIAL - MARIA BETHÂNIA, 65 ANOS



TEMPOESIA NA CIDADE ESPECIAL -  MARIA BETHÂNIA, 65 ANOS  -
FAUZI ARAP/MARIA BETHÂNIA

(Maria Bethânia, cantora e intérprete)


Maria Bethânia:
http://dandanrpc.blogspot.com/2007/09/maria-bethniafauzi-arap.html



(Fauzi Arap, poeta)


Fauzi Arap:

Eu vou te contar que você não me conhece...
E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve!

A sedução me escraviza a você.
Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei...
E não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa.

Você não tem um nome.
Eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou é a mentira da aparência que você é.
Porque eu não sou o meu nome e você não é ninguém.

O jogo perigoso que pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação, da distância e do reconhecimento dela.

Entre eu e você existe a notícia que nos separa.
E eu quero que me veja a mim.
Eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato.
Tu me relatas.
Eu nos acuso.
E confesso por nós.
Assim, me livro das palavras...
Com as quais você me veste.

MUNDO VASTO MUNDO - CEM ANOS DE MACHU PICCHU


MUNDO VASTO  MUNDO - CEM ANOS DE MACHU PICCHU - PERU


(Machu Picchu - Peru)


O Peru está planejando, para a próxima semana,  atos comemorativos  comemorações pelos cem anos de descoberta da cidade inca Machu Picchu.

Machu Picchu - palavra quechua que, em português, significa Montanha Velha - foi construída em pedra entre os séculos XV e XVI, no ponto alto de uma montanha na selva de Cuzco (sudeste do Peru).
Comandando uma expedição científica ao local, em 24 de julho de 1911 foi revelada ao mundo pelo americano Hiram Binhghan esta intrigante cidade a 2.400 metros acima do nível do mar, com superfície em pedra com 530 metros de comprimento, 200 de largura, uma área de terraços agrícolas e outra de acomodações, 172 edifícios no total, e localizadadentro num santuário de 32.500 hectares.
Na próxima semana, dia 7, as comemorações serão marcadas pela explicação das razões porque Machu Picchu (tombada pela UNESCO em 1983 como Patrimônio  Cultural da Humaniddade) é considerada uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. pela fundação New7Wonders.
Um máximo de 1.800 visitantes/dia é permitido pela UNESCO em nome da preservação da integridade física do local. Não há rodovias. Para  se chegar à cidade, dois únicos acessos são possíveis: trem partindo de Cuzco e através do Caminho Inca.
Da programação da próximana semana estão previstos espetáculos coloridos e bastante iluminados, danças andinas, rituais místico-religiosos, conferências, filmes.

TEMPOESIA NAS CIDADES - OSWALD DE ANDRADE

TEMPOESIA NAS CIDADES - POSTAGENS DOMINICAIS DE POESIAS QUE EXIBAM  ALGUM DESTAQUE À  CIDADE

 OSWALD DE ANDRADE


Quando eu morrer quero ficar
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

sábado, 2 de julho de 2011

RUA URBANA, ESPAÇO MASCULINO; TRAD. E RUPTURA (1)

RUA URBANA, ESPAÇO MASCULINO; TRADIÇÃO  E RUPTURA (1)

Vicente  Deocleciano Moreira


Há diferenças socioeconômicas, ecológicas e simbólicas vitais entre ruas urbanas e ruas rurais. Mas há também similaridades, situações comuns, como por exemplo o   fato de que   tanto a rua urbana como a rural são espaços públicos (eco-dinâmicas exercidas ao 'ar livre', a 'céu aberto' ...), por oposição à casa que, seja no campo, seja na cidade, é um espaço privado, privativo.

A casa por oposição à rua é, tradicionalmente, um espaço feminino, embora essa tradição seja, com frequencia, afetada por rupturas de diversas fisionomias e conteúdos.

A ecodinâmica da casa é exercida na privacidade do  'entre quatro paredes' e sob um teto. Mesmo quando paredes e tetos, no caso, sejam imaginários, abstratos e apenas supostos e demarcativos. O fato de casas de uma comunidade não necessitarem de teto, de telhado, pelo fato de que - por uma razão climática - lá nunca chover, não nos autoriza afirmar que sua casas  não têm telhado, teto.


A rua por oposição à casa é, tradicionalmente, um espaço masculino. Entretanto a, por assim dizer, 'masculiniddade' da rua seja permeável a inúmeras e variadas rupturas.


Não são poucos os exemplos em que as rédeas da ruptura da 'masculinidade' da rua - rua urbana, no caso - são assumidas e agarradas, com força e vigor, pelas mãos nem sempre frágeis e finas, nem sempre calejadas e cicatrizadas das mulheres. Vale acentuar que o espaço onde transita essa ruptura, pelas mulheres praticada, ocorre nem sempre na solaridade da agregação ritualística que marca a rua urbana, mas há vez, engenho e arte para  o momento liminar (fronteiriço, impreciso) desse propcesso ritual. Vamos examinar os papéis exercidos em 2 de julho  de 1823 (há quase 180 anos), na cidade de Salvador (Bahia - Brasil), por três mulheres baianas que se juntaram à guerra vitoriosa contra militares portugueses que, defendendo os interesses de Portugal, não se conformavam com o grito de Independência (da corte portuguesa) liderado pelo imperador D. Pedro I que havia ecoado desde São Paulo há quase um ano - em 7 de setembro de 1822.   



MARIA FILIPA



MARIA FILIPA, negra, marisqueira (pescadora de mariscos) da Ilha de Itaparica, baía de Todos os Santos, defronte de Salvador. Ontem e hoje (2011), a cata (pesca manual) de mariscos é exercida, geralmente por mulheres, na areia da praia, no semimangue, (na 'rua'), às vezes próximo à casa. Os maridos pescadores exercem esta profissão em alto mar, "lá fora" - para utilizar limguagem dos próprios pescadores - numa "rua" também marítima mas longe da casa.

A areia onde acontece a ccata de mariscos não é o calçamento (o asfalto, diríamos hoje), porém não é o mar; trata-se de um espaço liminar, indefinido entre ser calçamento e ser água do mar. MARIA FILIPA lidera um grupo de marisqueiras, todas facas em punho, para combater os portugueses  no corpo-a-corpo como soldadas de Infantaria, na guerra (espaço e modus vivendi/modus operandi  tradicionalmente masculinos) pela Independência da Bahia.


MARIA QUITÉRIA




MARIA QUITÉRIA nasceu nos Campos da Caxoeira (então pertencente a  Cachoeira - Bahia - Brasil) depois região do município de Feira de Santana (Bahia - Brasil). Não é difícil imaginar o quantum  de dificuldades ela  teria, como mulher,  em entrar para a guerra (espaço e modo masculinos - já o dissemos). Corta os cabelos, camufla os seios, veste roupas militares folgadas e identifica-se como soldado Medeiros, recebe armas, munições e a confiança de seus superiores de patente ... e vai à guerra. Ao (tra)vestir-se de homem, MARIA QUITÉRIA  (ou soldado Medeiros) ocupa um espaço liminar, portanto sem identidade precisa ... como a meia noite ... que já não é mais noite que passou mas também ainda não é madrugada vindoura. MARIA QUITÉRIA não é mulher; ai dela (!) se os militares baianos descobrem sua identidade feminina ...; não é homem ... os leitores deste Blogue sabem disso! MARIA QUITÉRIA é um ente liminar/andrógino/indefinido identitariamente, mas só  assim ela/ele se juntaria ao combate aos inconformados militares portugueses.


SORROR JOANA ANGÉLICA





JOANA ANGÉLICA, freira, única a morrer em combate. Diante da ameaça de invasão do convento pelos soldados inimigos, ela se prosta no umbral do Convento da Lapa e teria gritado para os portugueses que só entrariam no convento depois de passarem sobre o seu cadáver. Uma baioneta rasga-lhe o peito e a transforma numa mártir  da Independência da Bahia. Vale observar que ela se instala, de modo desafiador, no umbral, na soleira, do portal do convento. das três heroinas, JOANA ANGÉLICA é a única que não pisa na rua, neste espaço tradicionalmente masculino. Mas temos que considerar dois aspectos:

- primeiramente, o fato de que  umbrais e soleiras de portas são espaços liminares: estando exatamente aí, ela não estava nem dentro do convento nem fora dele, ou seja, na rua (na rua que, em homenagem à freira, passou a chamar-se Avenida Joana Angélica - bairro Nazaré - Salvador);

- por outro lado, não se pode negar que a religiosa JOANA ANGÉLICA combateu no espaço/modus vivendi/modus operandi tradicionalmente  masculino chamado guerra, a exemplo das demais mulheres.

*******

MARIA FILIPA, MARIA QUITÉRIA e JOANA ANGÉLICA operaram profundas rupturas simbólicas e operativas na rua urbana como espaço tradicional masculino e, particularmente, na guerra ... outro espaço tradicionalmente masculino.   

sexta-feira, 1 de julho de 2011

RUA URBANA COMO ESPAÇO MASCULINO: TRADIÇÃO E RUPTURA

RUA URBANA COMO ESPAÇO MASCULINO: TRADIÇÃO E RUPTURA


Vicente Deocleciano Moreira


Estamos abrindo o mês de julho de 2011 com série de postagens intitulada  RUA URBANA COMO  ESPAÇO MASCULINO: TRADIÇÃO E RUPTURA.


A rua urbana tem sido pensada e vivida como um  espaço masculino ao longo do tempo histórico  e dos espaços e culturas  das cidades ... em todo o planeta Terra.

É evidente que, no espaço, no tempo histórico e na cultura,  rupturas mais vigorosas, menos vigorosas, tèm incidido sobre essa tradição masculina e suas tessituras ideológicas e simbólicas.

A expressão RUA URBANA pode parecer, numa primeira e apressada leitura, um pleonasmo, uma redundância. Mas o fato é que nem toda a rua é urbana. Existem RUAS RURAIS, ou seja, aqueles segmentos retos ou não, que separam e intercalam alas de culturas agrícolas num cafezal, num canavial, trigal, numa plantação de soja,  etc.

No caso das RUAS RURAIS, os espaços são - podemos dizer, desde sempre (?) - compartilhados por homens e mulheres. Compartilhados - bem entendido - sem predomínio simbólico ou efetivo prático mais agresssivo de um sobre o outro sexo.

Ontem, dia 30 de junho, centenas de AGRICULTORAS começaram a se reunir em Maringá (Paraná - Brasil) num congresso (só para mulheres trabalhadoras rurais).  Inconformadas com a participação feminina, no campo, apenas como trabalhadoras, agricultoras, elas defendem  - em meio a dezenas de  reivindicações e  bandeiras de luta  - os caminhos  a conquista do espaço gerencial, da gestão da organização do trabalho e da produção agrícolas. Mãos femininas não apenas para a enxada e a terra, mas também para o comando, a administração e a gestão.

Duas postagens especiais, a serem publicadas amanhã 2 de julho e segunda-feira próxima (dia 4) serão o "abre alas" desta série de postagens:

Amanhã, sábado, dois de julho, quando a Bahia (Brasil) estará a comemorar os quase 180 anos (1823-20110 da Independência da Bahia (libertação do domínio de Portugal), iremos refletir os papéis e a participação de três mulheres consideradas heroínas (Maria Quitéria, Maria Filipa  e Joana Angélica) á luz da RUA URBANA COMO  ESPAÇO MASCULINO: TRADIÇÃO E RUPTURA ...  para além da importantíssima razão historiográfica e militar da participação delas no vitorioso movimento.

Segunda-feira, dia 4, leremos o depoimento (a Diogo Bercito - São Paulo - Brasil)  da jovem saudita (24 anos) Raniya Almahozi sobre a sua atitude (ousada para os valores da Arábia Saudita) de, na condição de mulher,  dirigir (um carro na via pública). E  veremos o vídeo que ela fez ao se filmar praticando o ato proibido de uma mulher dirigir.

Até amanhã,

Vicente