terça-feira, 3 de agosto de 2010

30 ANOS SEM VINICIUS. O POETA E AS CIDADES (3)

• 1959 marca o lançamento do LP "Por toda a minha vida", de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno. Casa-se sua filha Susana.

• No ano seguinte, retorna à Secretaria de Estado das Relações Exteriores. Em novembro, nasce seu neto Paulo. Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, uma edição popular da peça Orfeu da Conceição e Recette de femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff.

• Começa a compor com Carlos Lyra e Pixinguinha. Aparece Orfeu negro, em tradução italiana de P. A. Jannini, em 1961.

• Dá início à composição de uma série de afro-sambas, em parceria com Baden Powell, entre os quais "Berimbau" e "Canto de Ossanha". Com Carlos Lyra, compõe as canções de sua comédia musicada Pobre menina rica. Em agosto desse ano, 1962, faz seu primeiro show, que obteve grande repercussão, ao lado de Jobim e João Gilberto, na boate "Au Bon Gourmet", iniciando a fase dos "pocket-shows", onde foram lançados grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e "Samba da benção". Na mesma boate, faz apresentação com Carlos Lyra para apresentar "Pobre menina rica", ocasião em que é lançada a cantora Nara Leão. Compõe, com Ary Barroso, as últimas canções do grande mestre da MPB, como "Rancho das Namoradas". É lançado o livro Para viver um grande amor. Grava, como cantor, um disco com a atriz e cantora Odete Lara.

• Em 1963, inicia uma parceria que produziria grandes sucessos com Edu Lobo. Casa-se com Nelita Abreu Rocha e retorna a Paris, assumindo posto na Delegação do Brasil junto à UNESCO.

• No início da revolução de 1964, retorna ao Brasil e colabora com crônicas semanais para a revista "Fatos e Fotos", ao mesmo tempo em que assinava crônicas sobre música popular para o "Diário Carioca". Começa a compor com Francis Hime. Com Dorival Caymmi, participa de show muito sucesso na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Desse show é feito um LP.

• 1965 marca o lançamento de Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério de Educação e Cultura. Ganha o primeiro e segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell. Parte para Paris e St. Maxime para escrever o roteiro do filme "Arrastão". Indispõem-se com o diretor e retira suas músicas do filme. Parte de Paris para Los Angeles a fim de encontrar-se com Jobim. Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, 20. Começa a trabalhar no roteiro do filme "Garota de Ipanema", dirigido por Leon Hirszman. Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.

• No ano seguinte é lançado o livro Para uma menina com uma flor. São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa. Seu "Samba da benção", em parceria com Baden Powell, é incluído, em versão do compositor e ator Pierre Barouh, no filme "Un homme... une femme", vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano. Vinicius participa do juri desse festival.

• Em 1967, sai a sexta edição de sua Antologia Poética e a segunda de Livro de Sonetos (aumentada). Faz parte do júri do Festival de Música Jovem, na Bahia. Ocorre a estréia do filme "Garota de Ipanema". É colocado à disposição do governo de Minas Gerais no sentido de estudar a realização anual de um Festival de Arte em Ouro Preto.

• Falece sua mãe, em 25 de fevereiro de 1968. Aparece a primeira edição de sua Obra Poética. Seus poemas são traduzidos para o italiano por Ungaretti.

Em 1969, é exonerado do Itamaraty. Casa-se com Cristina Gurjão, com quem tem uma filha chamada Maria.

No ano seguinte, casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy. Inicia parceria com o violonista Toquinho.

Em 1971, muda-se para Salvador, Bahia. Viaja pela Itália, numa espécie de auto-exílio. No ano seguinte, com Toquinho, lança naquele país o LP "Per vivere un grande amore".

A Pablo Neruda é lançado em 1973. Trabalha, no ano seguinte, no roteiro, não concretizado, do filme "Polichinelo". Participa de show com Toquinho e a cantora Maria Creuza, no Rio. Confirmando os boatos de que o governo o perseguia, excursiona pela Europa e grava dois discos na Itália com Toquinho, em 1975.

Em 1976, novo casamento, agora com Marta Rodrigues Santamaria. Escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo.

Participa de show na casa de espetáculos "Canecão", no Rio, com Tom Jobim, Toquinho e Miúcha. Grava um LP em Paris, com Toquinho, em 1977.

No ano seguinte, excursiona com Toquinho pela Europa. Casa-se com Gilda de Queirós Matoso.

Em 1979, participa de leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), a convite do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

No dia 17 de abril de 1980, é operado para a instalação de um dreno cerebral. Morre, na manhã de 09 de julho, de edema pulmonar, em sua casa na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher. Extraviam-se os originais de seu livro O deve e o haver.

Lançado postumamente, no Livro de Letras, publicado em 1991, estão mais de 300 letras de músicas de autoria de Vinícius, com melodias suas e de um sem número de compositores, ou parceirinhos, como carinhosamente os chamava.

Em 1992, é lançado um livro que hibernou anos junto ao poeta: Roteiro Lírico e Sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde Nasceu, Vive em Trânsito e Morre de Amor o Poeta Vinicius de Moraes.

No ano seguinte, uma coletânea de poesias é publicada no livro As Coisas do Alto - Poemas de Formação, mostrando a processo de formação do poeta, que é uma descida do topo metafísico à solidez do cotidiano.

Em 1996, é lançado livro de bolso com o título Soneto de Fidelidade e outros poemas, a preços populares. Essa publicação fica diversas semanas na lista dos mais vendidos, o que vem mostrar que mesmo após 16 anos de seu desaparecimento, sua poesia continuava viva entre nós.

Em 2001, a industria de perfumes Avon lança a "Coleção Mulher e Poesia - por Vinicius de Moraes", com as fragrâncias "Onde anda você", "Coisa mais linda", "Morena flor" e "Soneto de fidelidade".

Inconstante no amor (seus biógrafos dizem que teve, oficialmente, 09 mulheres), um dia foi questionado pelo parceiro Tom Jobim: "Afinal, poetinha, quantas vezes você vai se casar?".

Num improviso de sabedoria, Vinicius respondeu: "Quantas forem necessárias."

No dia 08/09/2006, é homenageado pelo governo brasileiro com sua reintegração post mortem aos quadros do Ministério das Relações Exteriores, ocasião em que foi inaugurado o "Espaço Vinicius de Moraes" no Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro (RJ).

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

30 ANOS SEM VINICIUS. O POETA E AS CIDADES (2)

30 ANOS SEM VINICIUS. O POETA E AS CIDADES (2)

Em 1924, inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente. Começa a cantar no coro do colégio nas missas de domingo, criando fortes laços de amizade com seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este sobrinho de Raul Pompéia. Participa, como ator, em peças infantis.

Torna-se amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajóz, em 1927, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do colégio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casas de famílias conhecidas.

Compõe, no ano seguinte, com os irmãos Tapajóz, "Loura ou morena" e "Canção da noite", que têm grande sucesso. Nessa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

A família volta a morar na rua Lopes Quintas em 1929, ano em que Vinicius bacharela-se em Letras no Santo Inácio. No ano seguinte entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil, para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais" (CAJU), tornando-se amigo de Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.

Em 1931, entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial da Reserva, em 1933. Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.

Forma e exegese, seu livro de poesias lançado em 1935, ganha o prêmio Felipe d'Oliveira.

Em 1936, substitui Prudente de Moraes Neto como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica. Publica, em separata, o poema "Ariana, a mulher". Conhece o poeta Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.

Em 1938, é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, para onde parte em agosto daquele ano. Trabalha como assistente do programa brasileiro da BBC. Conhece, então, na casa de Augusto Frederico Schmidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se tornaria um dos maiores amigos. Instado por outro grande amigo, Otávio de Faria, a se tornar um poeta mais com os pés no chão, e não o "inquilino do sublime" como, então, o chamou, lança Novos Poemas. Seguindo esta mesma linha, são lançados, posteriormente, Cinco Elegias, em 1943, e Poemas, Sonetos e Baladas, escrito em 1946, que já começam a mostrar o poeta sensual e lírico, mas, como ele próprio disse, um "poeta do cotidiano".

No ano seguinte, casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello. No final desse ano, retorna ao Brasil devido à eclosão da II Grande Guerra. Parte da viagem é feita em companhia de Oswald de Andrade.

O ano de 1940 marca o nascimento de sua primeira filha, Suzana. Torna-se amigo de Mário de Andrade.

Estréia como crítico de cinema e colaborador no Suplemento Literário do jornal "A Manhã", em companhia de Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo, em 1941.

Em 1942, nasce seu filho Pedro. Favorável ao cinema silencioso, Vinicius inicia um debate sobre o assunto com Ribeiro Couto, que depois se estende à maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti. A convite do então prefeito de Belo Horizonte (MG), Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros àquela cidade, onde se liga por amizade a Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Otto Lara Resende. Juntamente com Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, inicia a roda literária do Café Vermelhinho, no Rio de Janeiro, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira e Bruno Giorgi, entre outros. Conheceu a escritora argentina Maria Rosa Oliveira e, através dela, Gabriela Mistral. Freqüenta as domingueiras na casa de Aníbal Machado. Ainda nesse ano, faz extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.

No ano seguinte, ingressa, por concurso, na carreira diplomática. Publica Cinco Elegias em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.

Dirige, em 1944, o Suplemento Literário de "O Jornal", onde lança, entre outros, Pedro Nava, Francisco de Sá Pires, Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Marcelo Garcia e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Athos Bulcão, Maria Helena Vieira da Silva, Alfredo Ceschiatti, Carlos Scliar, Eros (Martin) Gonçalves e Arpad Czenes.

Em 1945, um grande susto: sofre grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro "Leonel de Marnier", perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacyr Werneck de Castro. Colabora com vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema. Escreve crônicas diárias para o jornal "Diretrizes". Faz amizade com o poeta chileno Pablo Neruda.

No ano de 1946, assume seu primeiro posto diplomático: vice-consul do Brasil em Los Angeles, Califórnia (USA). Ali permanece por quase cinco anos, sem retornar ao seu país. Publica, em edição de luxo, com ilustrações de Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.

Vinicius, amante da sétima arte, inicia seus estudos de cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista Film, em 1947.

Em 1949, João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa manual, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema Pátria Minha.

Visita o poeta Pablo Neruda, no México, que se encontrava gravemente enfermo. Ali conhece o pinto Diogo Siqueiros e reencontra o pintos Di Cavalcanti. Morre seu pai. Volta ao Brasil, em 1950.

No ano seguinte, casa-se, pela segunda vez, com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli. A convite de Samuel Wainer, começa a colaborar no jornal "Última Hora", como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.

Em 1952, é nomeado delegado junto ao Festival de Punta del Este, fazendo paralelamente sua cobertura para "Última Hora". Terminado o evento, parte para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização do Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade. Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas Cinco Elegias. Sob encomenda do diretor Alberto Cavalcanti, com seus primos Humberto e José Francheschi, visita, fotografa e filma as cidades mineiras que compõem o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor.

Em 1953, nasce sua filha Georgiana. Compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tu passas por mim". Faz crônicas diárias para o jornal "A Vanguarda" e colabora no tablóide semanário "Flan", de "Última Hora". Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada. Escreve Orfeu da Conceição, obra que seria premiada no Concurso de Teatro do IV Centenário da Cidade de São Paulo no ano seguinte, e que teve montagem teatral em 1956, com cenários de Oscar Niemeyer. Posteriormente transformada em filme (com o nome de Orfeu negro) pelo diretor francês Marcel Camus, em 1959, obteve grande sucesso internacional, tendo sido premiada com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e com o Oscar, em Hollywood, como o melhor filme estrangeiro do ano. Nesse filme acontece seu primeiro trabalho com Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim).

Sai da primeira edição de sua Antologia Poética. A revista "Anhembi" publica Orfeu da Conceição, em 1954.

No ano seguinte, compõe, em Paris, uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu negro. Volta ao Brasil em curta estada, buscando obter financiamento para a realização do filme. Diante do insucesso da missão, retorna a Paris em fins de dezembro.

Em 1956, retorna à pátria, no gozo de licença-prêmio. Nasce sua filha, Luciana. A convite de Jorge Amado, colabora no quinzenário "Para Todos", onde publica, na primeira edição, o poema O operário em construção. A peça Orfeu da Conceição é encenada no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar. As músicas do espetáculo são de autoria de Antônio Carlos Jobim, dando início a uma parceria que, tempos depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova. Retorna ao posto, em Paris, no final do ano.

Publica Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal, em 1957. É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No final do ano é transferido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.

Em 1958, sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. Sai o LP "Canção do amor demais", de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa nova, no violão de João Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de saudade", considerado o marco inicial do movimento.

PEDIDO DE AJUDA AOS ANIMAIS - Abrigo S. Francisco

From: belledejardin@hotmail.com
Subject: pedido de ajuda aos animais do Abrigo São Francisco de Assis
Date: Sun, 1 Aug 2010 22:34:42 +0000

Socializando...

No dia 4 de maio de ano passado estive aqui pedindo ajuda para o Abrigo São Francisco de Assis, da Associação Brasileira Protetora dos Animais - Seção Bahia, e, mais uma vez, venho através do blog Proteção dos Animais-Bahia APELAR por AJUDA.

O abrigo está sofrendo mais uma crise seríssima, pelos motivos de sempre: falta de verba. Leiam um trecho do texto publicado no Jornal Correio da Bahia, dia 28.07.08:

"A espevitada Perla, o pequeno Nino, a divertida Maria Roída e mais 400 cães do maior abrigo de animais de Salvador pedem socorro. A ausência de uma verba de R$15 mil, cortada há quase um ano pela prefeitura, fez com que o único refúgio mantido pela Associação Brasileira de Proteção dos Animais (ABPA) na capital baiana, o Abrigo São Francisco de Assis, em Paripe, recusasse novas adoções. O risco de fechar as portas e colocar nas ruas quatro centenas de cachorros de uma só vez é real, mas os voluntários lutam para manter o lugar aberto, ainda que não consiga oferecer as devidas condições veterinárias e de alimentação.

Há dois dias, o Correio denunciou que existem nas ruas de Salvador cerca de 60 mil cães abandonados. Desde meados de 2007, o Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) não mais tem recolhido os bichos para castração, tratamento e transporte para os abrigos. Tudo porque o Ministério Público acatou denúncia de que o órgão vinha realizando uma verdadeira matança para exames de controle de raiva. Ainda que passasse a tratar e mandar os cães para os refúgios, não mais contaria com o São Francisco de Assis, que ultimamente só tem acolhido os casos emergenciais.

Anteontem mesmo, uma vira-lata acompanhada de sete filhotes recém-nascidos foi deixada na porta da instituição. "Pegamos ela porque não teve jeito. Não vamos negar atendimento. Mas se um dono chegar e quiser deixar um cachorro aqui, não teremos condições". O Abrigo São Francisco de Assis chegou a receber cerca de 30 cachorros por mês, média de um animal a cada dia. A falta da verba, admitem os diretores, se deve por culpa da antiga comissão que administrava o lugar. "Eles não prestavam conta à prefeitura como deveriam. Agora, o Ministério Público determinou que uma nova diretoria fosse formada. Esperamos que a prefeitura retorne com a verba", diz a diretora provisória da instituição, Lourdes de Oliveira.

Uma das voluntárias mais atuantes do abrigo, Ivana Ribeiro, afirma que a instituição não tem condições de se manter sem o dinheiro do poder público. "A prefeitura é responsável pela saúde pública. Precisamos que se agilize o processo que nos dá de volta a verba". Até mesmo o maior objetivo do abrigo, as adoções, são cada vez mais raras. Talvez porque alguns bichos apresentem doenças como sarnas e dermatites."


A história, portanto, é a mesma: não há remédios, não há assistência veterinária, não há sequer alimento para os animais continuarem lutando por suas vidas. Não há funcionários, e a violência urbana, segundo relatos, chegou ao interior do abrigo, com furtos constantes, sendo inclusive 1 cachorro morto com tiros de arma de fogo. A SITUAÇÃO É CALAMITOSA.


E como você pode ajudar? Eis as formas:

1. Doações em dinheiro – DEPOSITE qualquer quantia no Banco Bradesco, Agência 3557-2, Conta Poupança 503091-9 - desta forma, a ajuda de pessoas não só de Salvador, mas também de outros estados é facilitada. A ajuda em dinheiro é importantíssima, pois um dos diferenciais desta nova crise do abrigo, inclusive, é a falta de funcionários;

2. Material humano – o abrigo precisa de voluntários para dar banho nos animais, catar pulgas e, sobretudo, carrapatos, etc, para dar, simplesmente, carinho; precisa de veterinários...

3. Patrocínio – ajude os animais, e vincule seu nome com uma causa do bem!

4. Com doação de ração para cães e gatos, em saco ou latinha - não se envergonhe em doar 1kg de ração. Com um quilo de alimento você já ajuda a matar a fome de alguns animais;

5. Com material de limpeza – desinfetante, pano de chão, vassoura... Qualquer produto de limpeza. Os animais precisam viver em local higienizado, de forma a não alastrar ainda mais as doenças;

6. Com material de construção - para a feitura de canis, e um ambulatório. Doe telas para os gatis.

7. Medicamentos e materias médicos – os animais precisam muito de remédios. A maior parte dos animais do abrigo tem algum problema de saúde. Com o devido tratamento, as doenças dificilmente se alastram.


Eis uma lista de medicamentos que podem ser doados:
Acepran
Agropen
Água oxigenada
Álcool
Algodão
Atadura Crepom
Atropina
Bulvermin
Cefaloxina (Rilexine/ Lexim)
Dermolene
Desflan
Dexa Cituneurin
Doxiclina (Doxy / Doxifin)
Equipo
Escalpe 21 e 23
Esparadrapo
Estomorgil (2 e 10 )
Flotril
Ganadol
Gaze
Glicopan
Hemolitan
Iodo povidine
Ivomec / Supramec
Ketofen
Luvas de procedimento
Meticorten 5 e 20 mg
Organoneurocerebral
Pentacilin
Plasil injetável
Probiótico
Quadriderm
Quetamina
Ringer com lactato
Sabonete para sarna (Tiuran /Sarnasol spray)
Seringas de 1 , 3 e 5 ml
Soro Cinoglobulim
Soro fisiológico
Soro glicosado
Spray mata bicheira
Triatox/Bovitraz
Vermífugos –Drontal/Lopatol/vermikil Plus/Petzi Plus
Xilazina
FLORAL 10% INJETÁVEL
BANAMINE PET INJETÁVEL
BACTROSINA
ÉTER


8. Jornais usados e toalhas – alguns animais doentes precisam ficar encima de jornais diante da falta de leitos. Jornais também são utilizados para a proteção do chão. As toalhas sevem para enxugar os animais após o banho;


9. Tosa – sim, tosa! Os animais peludos têm que ser tosados, para diminuir a incidência de pulgas e carrapatos, por questão de higiene, e para ficarem “bonitos”, com maiores chances de serem adotados;

10. Divulgue o abrigo, seus animais e suas necessidades – mande email para seus amigos com este texto ou seu link

(http://animaisbahia.blogspot.com/2007/05/o-abrigo-so-francisco-de-assis-pede.html), ou converse com as pessoas;

11. ADOTE – dê um lar para um desses animais. Há vários, certamente você encontrará um para o seu perfil de vida.

LINK COM FOTOS DO ABRIGO:


http://www.flickr.com/photos/abrigosaofrancisco/

O telefone para maiores informações é o (71) 3408-3181 - Patruska, ou através do e-mail: contato@abpabahia.org.br

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.




AJUDE. NÃO FAÇA COM QUE OS ANIMAIS DO ABRIGO DA ABPA SOFRAM EM VIRTUDE DA OMISSÃO HUMANA.

PRECISAMOS SUPERAR OS MOTIVOS DE STALLONE - (FCVV) -

FORUM COMUNITÁRIO DE COMBATE À VIOLÊNCIA (FCVV)

Leitura de fatos violentos publicados na mídia
Ano 10, nº 24, 02/08/10
PRECISAMOS SUPERAR OS MOTIVOS DE STALLONE

“Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem para você, obrigado e tome aqui um macaco para você levar para casa”. São palavras de Sylvester Stallone a propósito do que significou para ele filmar no Brasil. Ainda conforme as suas declarações: “filmamos no Brasil porque lá você pode machucar as pessoas enquanto filma”. De acordo com a sua fala, a produção de seu filme contou com mais liberdade para gravar lutas mais agressivas com o emprego de armas de fogo mais perigosas e a destruição de edifícios e veículos. Além de tudo isto, atentou para a desproporcionalidade na relação entre 70 seguranças disponíveis para 65 pessoas envolvidas na equipe de filmagem.

O caso coloca em evidência muitos dos nossos delicados problemas, especialmente o do nosso brio. Nós costumamos dizer que aqui no Brasil tudo é possível, mas este discurso é nosso e privativo. Precisamos ouvir no adeus de nossos visitantes que eles amaram a estada e não esquecerão jamais os dias maravilhosos aqui vividos. Temos um modelo de recepção do estrangeiro, em especial daqueles que provêm de países ricos, que é, muitas vezes, extremamente obsequioso, uma sorte de cuidado subalterno que evidencia um comportamento coadunável com uma perspectiva de país colonizado. Talvez venha deste padrão de tratamento o ânimo que embalou a fala do ator americano.

É interessante observar a indignada reação dos brasileiros que, através do Twitter, lançaram a campanha “Cala a boca Stallone” e conseguiram excepcional adesão, colocando o assunto em primeiro lugar na rede. Foi esta onda de descontentamento que exigiu do artista uma retratação, a ser compreendida como um sinal de cuidados para com os negócios comerciais que envolvem tanto o lançamento do filme “Os mercenários” quanto a marca Stallone em projetos futuros os quais não devem deixar de fora a nossa “bilheteria nacional”.

Parece que o ator tomou um banho de liberdade à brasileira e se esqueceu de sair do chuveiro enquanto respondia ao mercado, um lugar onde nem tudo é possível. Foi aí, onde ele é produto, que ele decidiu pôr em prática o que viu por aqui: um set de filmagens sem limites, a ponto de confundir até o mais compenetrado mercenário.
Temos, desde então, defendido a nossa pátria com afinco e a idéia de um boicote ao filme cresce como resposta à indelicadeza e ingratidão do ilustre visitante. Enquanto esta onda ganha corpo de protesto apaixonante, assistimos à história da morte do filho da atriz Cissa Guimarães. Ficamos comovidos ante a sua juventude, sua beleza e a forma brutal de sua morte por atropelamento em um túnel que estava fechado à circulação de veículos, mas foi usado por motoristas para fazerem “pega”, enquanto o filho da atriz ocupava o espaço para andar de skate com amigos.

Não há relação direta entre as duas histórias, mas há alguns elementos que permitem uma aproximação. O ponto escolhido para a reflexão diz respeito à forma com que o pai do motorista responsável pelo atropelamento reagiu. Tomando por base a “máxima” de Stallone pela qual aqui você “pode machucar as pessoas” e a ela acrescentar “depois pagar a conta à polícia”, podemos identificar a conduta do pai aqui mencionado. Ele atua com aquela liberdade sem lei, referida pelo ator americano, ao negociar com os policiais que estavam presentes ao acidente e quando já avançava nas tratativas, com parte do pagamento já feito e o carro devidamente encerrado em uma oficina para os devidos reparos, recebeu de sua mulher um telefonema redefinidor das operações. Ela avisou que a vítima era o filho da atriz Cissa Guimarães. É este telefonema que altera a conduta “livre” daquele genitor. A partir daí ele passa a narrar à polícia e à mídia toda a história que se deu depois do acidente. Para isto foi necessário não a moral ou a Lei, mas o peso de um nome de prestígio na mídia nacional. Assim como Stallone precisou de um temor mais efetivo que a mera conduta civilizada, ao pai do motorista responsável pela morte do jovem skatista foi indispensável a fama de uma atriz para que ele se rendesse aos ritos estabelecidos pelas leis brasileiras.

Por este caso vê-se que quase tudo pode, mas há certas pedras colocadas no caminho dos agentes ilegais e dos mal agradecidos que retiram deles, de vez em quando, a sorte de serem apenas fazedores de regras circunstanciais muito próprias ao apetite fílmico e às inocências inventadas. Por outro lado, é uma pena que a nossa indignação seja pouco expressiva quando o assunto é a corrupção policial e mais: é preocupante o quanto não nos abalamos com o comportamento de um pai que negocia a impunidade de um filho e só abre mão deste recurso diante de uma informação que evidencia as suas desvantagens perante conjunto de forças simbólicas envolvidas na ocorrência.

Tudo isto lembra, infelizmente, Stallone e suas razões. Por que quase tudo é possível, para alguns? Quem sabe possamos dar um troco útil à arrogância do ator ao nos inquietarmos com alguns sinais de razão para as suas desconfortáveis e grosseiras declarações.

domingo, 1 de agosto de 2010

MUNDO VASTO MUNDO - DARCY TRINKWON

MUNDO VASTO MUNDO - DARCY TRINKWON

CONCERTOS INTERNACIONAIS DO ORGANISTA DARCY TRINKWON



"Para qualquer um que necessita ser convertido em órgão da música"
LONDRES - O Musical Times

"Que D'Arcy Trinkwon é um virtuoso organista ficou evidente a partir de seu desempenho"
LONDRES - O jornal Daily Telegraph

"A Técnica Trinkwon é enorme ... deslumbrante"
LONDRES - O Evening Standard

"Eu não posso deixar de ficar impressionado com o controle total deste artista ... espantoso virtuosismo"
LONDRES - O Musical Times

"Técnica Trinkwon parecia inquestionável, com as mãos voando por todo o teclado em um frenesi demoníaco que foi surpreendente para assistir ... seu zelo exploratório nunca diminuiu, ele incutiu a essência demoníaca da noite ... servindo a sua capacidade inegável de transformar a música difícil em um uma existência digna "
LONDRES - O Órgão

" Impressionante ... a performance técnica prodigiosa ... Excelente ... Uma eletrizante abertura anunciada, episódios de serenidade angustiada contrastando com tempestades noturnas. Isso realmente foi um recital de saborear!
LONDRES - O Órgão

"... Técnica notável, que lhe permite abordar estudos diabólicos como Jeanne Demessieux! ... O desempenho de um esforço virtuoso de profundidade musical real "
LONDRES - "Revisão Organistas"

"D'Arcy Trinkwon é um mestre do fraseado e a sensibilidade de sua arte dá nova vida a grandes obras românticas ... Para além da sua grande consciência de nuances, é o domínio deste músico talentoso que lhe permite continuar a iluminar perspectivas inimagináveis em trabalho frequentemente complexo ... Trinkwon ganhou aplausos entusiasmados por sua técnica impecável e tocando seu grande virtuosismo. Seu virtuosismo, no entanto, sutil combinou com integridade artística considerável para demonstrar que ele é um dos artistas realmente grande de seu gênero "
MUNIQUE - Merkur Munchener


"... Pasmo com o poder de D'Arcy Trinkwon ... tocando com técnica impressionante, mas ao mesmo tempo demonstrando o quanto ele sente a música e pode expressar as suas mensagens escondidas ... Ele jogou dramaticamente e acabou com um final magnífico. Todas as audiências competiam entre si para dar-lhe uma ovação de pé e aplauso estrondoso "
REPÚBLICA CHECA - Olomoucká Vyclavstelska

"D'Arcy Trinkwon é uma escolha óbvia para festivais e concertos ... o organista nos impressionou com a musicalidade elegante, dinâmica, poder e arte refinada: seu virtuosismo era muito aparente ... nós testemunhamos sua inspiração em Liszt ... Com a atmosfera e a interpretação que ele cometeu, Trinkwon fez o brilho do órgão! ... Despachado com aplomb ... A conclusão de um excelente concerto de órgão raramente magistral! "
NORUEGA - Bareums Og Asker Budstikke

"Poderoso e melodioso - concerto poderoso D'Arcy Trinkwon ... um Trinkwon aristocrático fascinando o público com sua performance eminente: muitos sentaram com suas cabeças inclinadas, transportados pela música ... Raramente havia muitos jovens na platéia e eles certamente teriam gostado! Trinkwon provou, de tão familiarizado com música de órgão, que existe um mundo de diferença entre a música fúnebre e um concerto de um artista de classe mundial. "
NORUEGA - Laagendalsposten, Kongsberg

"O primeiro Chemin des Orgues Festival encerrou com um concerto mais emocionante por D'Arcy Trinkwon ... Um panorama musical que encantou o público"
Troyes - Le Grand Troyes


"... A apresentação vigorosa Trinkwon impressionou como a erupção tempestuosa ... foi tocado para o efeito máximo ... um perfeito grau de humor e comando técnico absoluto ... tocando com tal ferocidade"
BONN - General Anzeiger

"Foi realmente impressionante como tecnicamente seguro, e de que forma notável Trinkwon era ... um show incrível da força ... Trinkwon mostrou-se não apenas como um virtuose, mas como alguém muito preocupado com a forma e estrutura, que, juntamente com sua mestria técnica, deu tanta atenção à dinâmica de cores e de expressão "
BONN - General Anzeiger

"... O temperamento extrovertido, fortemente inclinado para o dramático ... momentos de inspiração verdadeira"
MONTEVIDÉU - El Pais

"Um concerto magnífico ... notável em todos os sentidos revelando domínio total: Trinkwon's ... os momentos mais inspirados ... uma chama de finesse - executada com virtuosismo raro. Nós esperamos muito que ele vai voltar como o seu fervor artístico, enriquecendo a nossa experiência cultural "
BUENOS AIRES - El Día

30 ANOS SEM VINICIUS. O POETA E AS CIDADES (1)

30 ANOS SEM VINICIUS. O POETA E AS CIDADES (1)


Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes (Vinicius de Moraes) (19/10/1913 - 09/07/1980) nos legou prosas e versos sobre a(s) cidade(s), e uma fortuna crítica vigorosa que identificou o tema (cidade) na obra desse "poetinha" carioca que tanto amou e vieu o Rio de Janeiro - sua cidade natal.


© Projeto Releituras/Arnaldo Nogueira Jr/01/08/2010 - 10:31:28

APRESENTA A BIOGRAFIA DE VINICIUS DE MORAES


Vinicius de Moraes:

"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."



O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata.

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".

O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".

Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes aos nove anos de idade parece que pressente o poeta: vai, com a irmã Lygia ao cartório na Rua São José, centro do Rio, e altera seu nome para Vinicius de Moraes. Nascido em 19-10-1913, na Rua Lopes Quintas, 114 — bairro da Gávea, na Cidade Maravilhosa, desde cedo demonstra seu pendor para a poesia. Criado por sua mãe, Lydia Cruz de Moraes, que, dentre outras qualidades, era exímia pianista, e ao lado do pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta bissexto, Vinicius cresce morando em diversos bairros do Rio, infância e juventude depois contadas em seus versos, que refletiam o pensamento da geração de 1940 em diante.

Em 1916, a família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, 129, no bairro de Botafogo, passando a residir com os avós paternos, Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.

No ano seguinte mudam-se para a rua da Passagem, 100, no mesmo bairro. Nasce seu irmão Helius. Com a irmão Lydia, passa a freqüentar a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da Matriz.

Em 1920, por disposição de seu avô materno, é batizado na maçonaria, cerimônia que lhe causaria grande impressão.

Após três outras mudanças, em 1922 a família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, 109-A.

Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria, no ano seguinte.

CRÔNICA DOMINICAL DE 1º DE AGOSTO DE 2010

CRÔNICA DOMINICAL DE 1º DE AGOSTO DE 2010

PELEJA POR UM DOMINGO DIFERENTE

Mesmo que não seja um dia de trabalho - e sim um dia de descanso - para a maioria dos mortais, sempre nós fazemos alguma coisa: arrumar a cama, fazer almoço, varrer a casa (afinal nossa trabalhadora doméstica também folga hoje); sair para almoçar fora, para algum passeio em praças da cidade (se tivermos coragem de desafiar a violência urbana de nossos dias) ou do shopping (se tivermos coragem para enfrentar multidões e praças de alimentação superlotadas), ver TV, descansar, ouvir música, ler livros, visitar e ser visitado, dar atenção aos filhos, à família.

Enfim ... aos domingos sempre estamos fazendo alguma coisa.

Neste primeiro dia e primeiro domingo de agosto, quero lhes propor o ócio:


NÃO arrumar a cama, NÃO fazer almoço, NÃO varrer a casa, NÃO sair para almoçar fora, para algum passeio em praças da cidade ou do shoppingNÃO ver TV, NÃO descansar, NÃO ouvir música, NÃO ler livros, NÃO visitar, NÃO dar atenção aos filhos, à família.


Neste primeiro dia e primeiro domingo de agosto, quero lhes propor o ócio, repito e digo mais: se você já está acordado e já fez todas essasa coisas, metade delas ou mais e mais, ainda há tempo e resto de domingo para você NADA FAZER nas demais horas do dia. Volte para a cama ou para o sofá; e fique lá deitado/sentado SEM NADA FAZER. Só levante para satisfazer as necessidades fisiológicas. O almoço, o jantar, a ceia? Peça a alguém para armar um PF (Prato Feito)e lhe trazer à cama opu ao sofá. Peça também que leva pratos e talheres para a cozinha quando você tiver acabado de comer.

Fique parado ... pensar (aí não tem jeito!!!) já é fazer demais hoje. Fique parado; vê se dar pra aguentar o ócio até o final da tarde ao menos.

Bom ócio (e nada de negar-o-ócio; nada de neg-ócio)